Política

ELEIÇÕES 2016

PMDB vence dez eleições mas se vê em situação instável entre os golpistas

Das 57 cidades onde houve eleições de segundo turno para prefeito no país, o PMDB conseguiu se eleger em dez prefeituras das quinze prefeituras que disputou. Aparentemente pareceria uma imensa vitória, vejamos.

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

domingo 30 de outubro| Edição do dia

Foto: Ruy Baron/ Valor/Agência O Globo

As cidades que o PMDB ganhou as eleições no segundo turno foram: Goiânia, Cuiabá, Joinville, Florianópolis, Vitória da Conquista, Petrópolis, Juiz de Fora, Duque de Caxias, Juiz de Fora, Belford Roxo. As cidades em que o PMDB foi derrotado foram: Porto Alegre, Maceió, Macapá, Nova Iguaçu e Cariacica, sem falar no Rio de Janeiro onde sequer foram ao segundo turno. Do ponto de vista do número de prefeituras conquistadas e do número de eleitores que governa pouco mudou mas há uma mudança de qualidade no que o PMDB governa e também como seus aliados saíram das urnas. Ou seja, o PMDB “vitorioso” perdeu capitais de maior projeção nacional como Rio e Porto Alegre e ainda importantes cidades metropolitanas como Nova Iguaçu no Rio de Janeiro. Enquanto isso o PSD de Kassab, o DEM, o PSB, o PHS, o PRB, o PMN e tantos outros partidos golpistas, nem falar do PSDB se fortaleceram muito mais.

De um lado, como afirmamos anteriormente neste site, o resultado eleitoral do PMDB se explica pelo fato de Michel Temer estar encabeçando diversas medidas impopulares contra os trabalhadores e os setores populares da sociedade. Este elemento, junto com o fato de que a chegada do PMDB ao governo significou a continuidade da corrupção e esse partido não pode, como o PSDB, fazer um discurso “anti-político” para tentar se gabaritar nas urnas. O partido do golpista Temer e de Eduardo Cunha não tinha milagres discursivos a fazer que o partido de Alckmin, Serra e Aécio conseguiu fazer emplacando novas caras como Doria, Marchezan Junior.

O resultado eleitoral do PMDB e do PSDB coloca Michel Temer em apuros. Terá que ceder mais e mais a seu aliado e oponente. Sem falar das pressões que outros aliados golpistas fortalecidos podem lhe fazer.

Esses resultados eleitorais em meio a um importante aumento das abstenções, votos brancos e nulos demonstram que falta uma alternativa de esquerda para canalizar esta insatisfação dos trabalhadores e dos demais setores populares da sociedade que por falta dela tem parcialmente se expressado em “não-votos” e votos “anti-políticos” em candidatos que são milionários e políticos de direita mascarados de novidade. O resultado no Rio e as ocupações de escolas mostram pontos de apoio para desenvolver uma luta contra os ataques de Temer e das patronais mas também para erguer uma esquerda anticapitalista e revolucionária que supere a experiência do PT de conciliação com a direita e os empresários.




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