Opinião

TRIBUNA ABERTA

PMDB tem a faca (de dois gumes) e o queijo (azedo) na mão

segunda-feira 23 de janeiro de 2017| Edição do dia

Embora não se declare candidato para 2018 e estar “pouco preocupado com a popularidade”, o presidente Michel Temer precisará ceder aos interesses dos demais colegas da política institucional. Se quer fazer “o que deve ser feito” vai precisar do apoio da maioria do Congresso, cujos membros estamos cansados de ver e saber quem são e o que fazem. Sem tal apoio, será apenas um tapa buraco do tumultuado processo de desestabilização política nacional.

O PSDB não abandonou a ideia de derrubar Temer por meio de liminares no STJ vinculando seu nome às práticas de corrupção do ex-governo Dilma Rousseff. Além disso, busca maior participação e visibilidade no governo PMDB com perspectiva para se fortalecer nas eleições de 2018. E não se sentirá nem um pouco a vontade tendo um peemedebista como adversário na disputa.

Michel Temer tem visíveis dificuldades de alinhar o PSDB ao seu plano de governo sem persistirem as dores de cabeça corriqueiras da vida política. Sabe que precisa dos parlamentares tucanos para aprovar medidas impopulares, mas tais medidas podem afetar a reeleição de muitos aliados que não pestanejariam em abandonar o barco na hora H. Talvez precise de algo melhor para fortalecer as alianças.

Com relação à Lava Jato e o recente episódio trágico em Paraty – que culminou na morte do ministro Teori Zavascki – deixaremos para a análise escrita em outra matéria deste jornal. Interessa, no momento, pensar na troca de favores para o governo manter sua base. Isso incluirá desviar a operação Lava Jato daqueles que não devem ser incomodados (mesmo com citações vibrantes em delações e cifras de caixa 2 para as campanhas). Michel Temer também tem buscado realizar vários encontros com as cúpulas dos partidos aliados e até com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em uma tentativa de frear o possível “golpe dentro do golpe” e estabilizar o apoio tucano.

Quem perde, novamente, é a população (pelo menos parte significativa dela) acostumada a assistir os imbróglios com indignação, mas sem uma saída contrária mais concreta e uma luta mais eficaz contra o governismo e oposição corruptos. A Lava Jato (ou o enfraquecimento dela) será importante moeda de troca para os parlamentares aceitarem arriscar seus votos para apoiarem as ditas “reformas necessárias” para a estabilização econômica do país. O mesmo poderá valer para o petismo oportunista adaptado a “jogar o jogo” para se manter dentro do status quo da política.

2017 está no seu 1º mês e, aparentemente, já promete um ano carregado de surpresas e conflitos. PMDB e PSDB arquitetam diversos ataques aos direitos constitucionais, apoiados por partidos menores e infestados de fundamentalistas religiosos, homofóbicos, machistas e com processos na justiça. PT e asseclas estão visivelmente perdidos ou propositalmente desinteressados em levar uma luta concreta mais adiante – Lula parece ser o único remédio na farmácia dessa gente – e os demais movimentos da esquerda se vêm atacados pelo Estado em uma tentativa de os manterem calados. O jogo está sendo roubado e sumiram com o juiz.




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