Sociedade

VIOLÊNCIA POLICIAL

PM paulista assassina 459 pessoas no 1° semestre, maior número em 14 anos

Castor

Estudante Ciências Sociais USP

quinta-feira 27 de julho| Edição do dia

Todos essas centenas de mortes, dignas de estatísticas que só encontramos em países com confronto militares intensos, são consideradas “auto de resistência”, ou seja reações contra a oposição policial, por isso não se enquadram enquanto homicídios. Essa definição é feita a partir do relato dos próprios policiais, e os dados analisados e contados a partir da própria interpretação da SSP.

Se comparado ao primeiros semestres dos anos anteriores, o número de mortos pela polícia militar e civil foi o maior desde 2003, quando 480 pessoas foram assassinadas pela polícia no primeiro semestre deste ano. Os dados oficiais são da Secretaria de Segurança Pública (SSP), que foram expostos no G1.

Se avaliarmos o histórico assassino da polícia brasileira e a completa conveniência dos órgãos estatais com tamanha violência, não é difícil de imaginar no quanto esses dados estão distorcidos, se levarmos em conta que parte da própria polícia a palavra final de “só resistimos” e a investigação desses dados são feitas pelos órgão mais repressores do país, o número de 459 não conta os que foram mortos e jogados em terrenos baldios e valas, ou do tanto desses auto de resistência que são forjados pelos próprios policiais. Para cada policial que morreu em serviço neste primeiro semestre, a polícia matou 36,88 pessoas.

Houve também um recorde histórico que as pesquisas tendenciosas da SSP não conseguiu esconder, dessas 459 mortes, 127 pessoas foram assassinadas pela polícia quando essa estava ‘fora de serviço”, maior número da história que só não bate o de 2016.

“Fora de serviço” é também uma definição um tanto quanto tendenciosa, já que essa pesquisa não aprofunda nas investigações e aceita, como nos casos anteriores, o depoimento do policial como opinião soberana, não levando em conta a grande margem para que mesmo sem a farda, eles continuem a exercer a função de matar pobres e negros, ou que as relações, acordos e problemas com o tráfico acabam quando eles tiram a farda, ou até mesmo das centenas de mortes que ficam sem resposta, das chacinas que algumas chegam à mídia, como ocorreu em Osasco em 2015.

Tal aumento da violência policial não se descola da crise social, política e sobre tudo econômica pela qual o Brasil passa e tende a aumentar ainda mais com as reformas trabalhista e da previdência, que visam precarizar ainda mais a vida de milhões de pessoas. Com mais de 14 milhões de desempregados e com a precarização intensa dos serviços públicos e assistência, o Estado segue em busca de manter a “paz e ordem“ somente para os ricos. Uma das consequências da intensa crise no país com o aumento da desigualdade social resulta também no aumento da violência e repressão contra os pobres ( e principalmente os negros) até mesmo nos dados fornecidos pela SSP que, mesmo que enviesados, não conseguem esconder o racismo da polícia e do Estado.




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