VIOLÊNCIA POLICIAL

PM entra em escola estadual em SP para reprimir protesto e aponta arma para estudantes

Infelizmente, é cada vez mais comum termos que falar de polícia e educação em um mesmo texto. A cena brutal de hoje é de policiais armados com armas de cano longo dentro da Escola Estadual Frederico de Barros Brotero, no bairro de Vila Progresso em Guarulhos.

Maíra Machado

Professora da rede estadual em Santo André e militante do MRT

sexta-feira 5 de abril| Edição do dia

O vídeo filmado pelos próprios alunos mostra a truculência da PM dentro da escola, um dos polícias chega a dar dois empurrões em uma estudante com o cano da arma, até um professor se coloca na frente da estudante. Dois alunos seguem detidos e serão encaminhados hoje para audiência na Vara da Infância e Juventude.

Confira aqui:

O caso aconteceu durante uma manifestação organizada contra o diretor da escola que se nega a dialogar com as necessidades apontadas pelos estudantes, que reivindicam tolerância no fechamento do portão para o início das aulas, já que no período noturno muitos alunos precisam trabalhar e ir direito para a aula. Também reivindicam maior cuidado com os problemas estruturais da escola, como falta de professores e de materiais e goteiras dentro das salas de aula.

Um pai de aluno relato que na semana passada já tinha tentado conversar com o diretor da escola sobre os problemas, mas também teve dificuldade.

A PM disse ter sido chamado pelo próprio diretor da escola, para conter a manifestação dos alunos. Essa brutalidade dentro de uma escola aconteceu no mesmo dia em que o governador João Doria elogiou a policia militar por ter assassinado 11 pessoas em Guararema.

Para Bolsonaro, Doria e sua corja a educação e a juventude são assuntos de polícia. Não por acaso, defendem arduamente a militarização das escolas, o fim da escola pública com a reforma do ensino médio, a nova Base Nacional Comum Curricular e o projeto Escola sem Partido, que esvaziam as escolas de conteúdo, censura professores e alunos, tira alunos da sala de aula e demite professores.

O Escola sem Partido é para proibir justamente que os alunos se posicionem e reivindiquem melhor condição para seu ensino, assim como fizeram os alunos da escola Brotero.

No estado de São Paulo vemos todos os dias escolas caindo aos pedaços, falta de professores e professores esgotados e doentes, falta de material básico e escândalos envolvendo a merenda dos alunos. Professores que começaram a lecionar em fevereiro desse ano ainda não receberam 1 real sequer de seus salários. Estão em uma situação desesperadora e aguardam as promessas do governo de regularizar essa situação. É para este cenário caótico que Doria e Bolsonaro querem mais policia e mais armas dentro das escolas.

Depois da tragédia em Suzano se intensificou o debate sobre mais policiamento dentro das escolas, mas está claro que polícia não é a resposta para os problemas das escolas públicas.

É necessário derrubar a PEC 241, que congela os investimentos em educação por 20 anos. É urgente um plano de carreira digno para os professores, para que não tenham que trabalhar 12 horas seguidas, em 3 ou 4 escolas, para receber um misero salário e, assim, tenham tempo para a sua formação continuada.

Também é prioridade a diminuição de alunos por sala de aula com a reabertura das mais de 10 mil salas de aulas fechadas em São Paulo nos últimos 4 anos. Auxilio transporte e bolsa para que os alunos não precisem abandonar a escola para entrar no mercado de trabalho sem formação mínima. Estes são pontos básicos para começar algum sinal de melhoria na educação.

Mas o que encontramos na realidade, junto ao caos diário nas escolas, é o ministro da educação defendendo a ditadura militar, governador parabenizando assassinatos e presidente da república que coloca professores como inimigos número um “da nação”.

São os professores que sabem exatamente, com a nossa experiência das mãos sujas de giz, o que as escolas públicas precisam. São os estudantes, que sentem o desmonte da educação na pele, que devem ser ouvidos.

Os professores já cumprem um papel importante na luta contra a reforma da previdência, já que além de tudo esses governos querem nos ver trabalhando até morrer, e mais do que nunca é preciso organizar a força social que tem os professores e a juventude para barrar a reforma da previdência, e atacar diretamente o principal objetivo os políticos e empresários de nos fazer pagar pela crise que eles mesmos criaram, e derrubar todas as medidas que precarizam nossa vida como a PEC do teto dos gastos, a reforma trabalhista e a reforma do ensino médio.

Não aceitamos sermos tratados como problema da secretaria de segurança pública e exigimos que tirem a polícia de dentro das nossas escolas.




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