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PM do Rio promove tiroteio no Alemão um dia após proibição de operações pelo STF

domingo 7 de junho| Edição do dia

Moradores do Complexo do Alemão, zona norte da cidade do Rio de Janeiro, relataram tiroteio na noite de ontem (06), um dia após decisão liminar do STF que proíbe a realização de operações policiais sem motivo excepcional em comunidades do Rio de Janeiro durante a pandemia da Covide 19.

Imagens que foram registradas por moradores e publicadas no jornal Voz da Comunidade mostram ao menos três viaturas da Polícia Militar (duas delas da UPP) na comunidade da Grota, onde moradores e ativistas denunciam ter ouvido tiros.

Nesta sexta-feira (5), o ministro Edson Fachin, relator de uma ADPF (Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental) que aponta diversas inconstitucionalidades na política de segurança do governo Wilson Witzel (PSC), determinou a suspensão de todas as operações policias em favelas cariocas durante a pandemia.

Se por um lado, essa decisão do STF mostra como setores do Estado e da burguesia nacional temem a força da juventude negra que vem se mobilizando aqui e no mundo e buscam intervir com decisões como essas para tentar convencer uma parcela do movimento de que estão ao lado das vidas negras, por outro, não demorou nem mesmo um dia após a decisão para vermos na prática que não podemos confiar nas instituições.

A Anistia Internacional, bem como ativistas de comunidades e pelos direitos humanos se somam em exigência para que se cumpra a liminar do STF, posição legítima e democrática: "Exigimos o cumprimento da liminar que proíbe a realização de operações policiais durante a pandemia e cobraremos das autoridades a especificação do que se chamou de operações absolutamente necessárias. Chega de violações de direitos humanos nas favelas do Rio de Janeiro”.

Porém sabemos que, assim como nos EUA, a justiça pelas vidas negras arrancadas das mães de tantos, como João Pedro, Miguel, Maria Eduarda, só pode ser vir pela força da nossa mobilização e organização. As vidas negras importam, por isso é necessário seguir e fortalecer o chamado às mobilizações de hoje em todo o país e avançar em organização e unidade da juventude negra que se levanta junto aos trabalhadores, em especial os mais precários, como entregadores de aplicativos, que também vem demonstrando disposição de luta. Essa é a força capaz de impor o fim das operações policiais nas favelas do Rio e questionar muito mais profundamente o racismo estrutural que permeia todas as esferas da vida no capitalismo.




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