Sociedade

RIO DE JANEIRO

PM de Witzel assassina mais um jovem negro durante entrega de cestas básicas. Rodrigo presente!

Em meio a uma ação solidária de distribuição de cestas básicas no Morro da Providência, RJ, a “ajuda” do Estado foi assassinar mais um jovem negro, trabalhador. João Vitor, 18 anos, foi morto anteontem em contexto similar na Cidade de Deus.

sexta-feira 22 de maio| Edição do dia

“As imagens são duras mas dizem por si só a realidade: polícia assassina leva o corpo do jovem que ela matou hoje, na Rua Livramento, Providência. Enquanto movimentos na nossa comunidade se organizam para fazer valer a solidariedade, a resposta do Estado é horror e morte! Não vamos esquecer!”. Essas palavras são de um dos voluntários que entregava cestas básicas para os alunos do Colégio Estadual Reverendo Clarence, no Morro da Providência, RJ. O corpo é o de Rodrigo Cerqueira, 19 anos, negro, camelô, ex-aluno da escola, do lado da qual foi baleado.

Moradores protestaram na hora, quando a PM de Witzel colocava o corpo do jovem baleado na viatura. A Polícia Militar decidiu fazer a operação enquanto membros do Pré Vestibular Comunitário Machado de Assis - Providência distribuíam cestas básicas.

A PM publicou uma nota, em que diz que o jovem portava uma pistola e drogas, usando os métodos que sempre usou para justificar os assassinatos de jovens negros e do povo pobre na favela. Moradores, professores, companheiros de profissão que conheceram Rodrigo se revoltaram com isso, denunciando a ação policial na comunidade e nas redes sociais. Não é de hoje que a Polícia Militar do Rio de janeiro planta provas para incriminar os pobres e os negros, sumindo com seus corpos sem que sua família tenha notícias, alterando as cenas do crime e ameaçando moradores que denunciam sua ação.

Uma ex-colega de trabalho Rodrigo contou ao Esquerda Diário: “ainda colocaram na nota da PM que o garoto poderia ser traficante, o rapaz era trabalhador, os professores do colégio que conheciam ele desmentiram”. Um professor diz “Enquanto nós, professores e estudantes da escola, entregamos cestas básicas para alunos, a polícia entrega balas e estudantes mortos. Luto! Tristeza! Presenciamos tudo. Estávamos lá, entregando as cestas, quando policiais chegaram de fuzil e tocas pretas para matar mais um jovem preto, Rodrigo, de 19 anos, nosso aluno. Meus sentimentos à família.”.

Já está provado que no Brasil, raça e classe são os principais fatores de risco para Covid-19, e além disso, são estes os mesmos fatores que contam quando a polícia vai reprimir nas favelas, periferias e bairros pobres. As pessoas negras são quem menos têm boas condições prévias de saúde, que menos têm condições de se prevenir da contaminação e que menos têm condições de serem atendidas nos hospitais como deveriam. Esse contexto é anterior à pandemia, e como forma de tentar remediar uma doença chamada capitalismo, algumas ações solidárias, como a de distribuição de cestas básicas, surgem por parte da classe trabalhadora e da população oprimida.

Foram três jovens negros assassinados em apenas três dias no Estado, sem contar a operação do BOPE que matou pelo menos treze no Complexo do Alemão há menos de uma semana. Witzel, na pandemia, entrega contatos superfaturados de seus secretários corruptos, e entrega balas de aço contra o povo do Estado do Rio, que não conta com nenhuma ajuda. Rodrigo era, provavelmente, um dos 50 milhões que esperavam o auxílio emergencial de parcos R$ 600,00 que Bolsonaro não quer pegar. É um dentre a multidão que espera a inauguração de hospitais - promessas não cumpridas de Witzel, Crivella e Bolsonaro - para atender a população que morre pela Covid-19

Por parte do Estado, que é antes de tudo um balcão de negócios da burguesia e um instrumento de repressão para garantir a absurda ordem das coisas, só se vê demagogia e brutalidade, pela terceira vez em quatro dias, nas comunidades cariocas. Enquanto Witzel está atolando tendo que responder denúncias de corrupção, sua igualmente corrupta polícia e justiça atua assassinando a população trabalhadora, o povo pobre das favelas que não conta com nenhuma ajuda do Estado, o povo negro que é retratado pela imprensa e pelo judiciário racistas como "criminoso", "portando arma", "suspeito", etc, para justificar os assassinatos policiais.

Rodrigo, João Vitor e João Pedro viverão em nossas lutas, assim como todas as crianças assassinadas pela polícia, todos os mortos por uma doença que poderia ter sido evitada e tratada com prioridade nas vidas e não no lucro de um punhado de empresários. O povo negro e a classe trabalhadora precisam se organizar para responder a essa guerra, que não é contra as guerras, mas sim da burguesia contra nosso povo e nossa classe.

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