Economia

ESTATAIS S.A.?

PLS 555 tramita silencioso, ameaçando o patrimônio nacional

Em meio a novas revelações e escândalos de corrupção no país, por debaixo dos panos, de forma silenciosa, o legislativo busca aprovar a PLS 555 como parte do ajuste fiscal que tanto o governo como a oposição de direita querem fazer os trabalhadores engolir.

quarta-feira 3 de fevereiro de 2016| Edição do dia

Este Projeto de Lei do Senado visa, por meio da previsão de abertura de capital, a privatização das empresas nacionais que ainda sejam 100% públicas. Transformar as empresas públicas em S/A significa submetê-las aos interesses dos lucros dos acionistas e não aos interesses públicos da sociedade, já distorcidos no tipo de administração tecnocrática que as estatais possuem hoje. Se aprovada, a lei vai permitir o aprofundamento dos interesses do 1% mais rico sobre setores fundamentais da vida do país.

Será que a Vale, a SABESP, expansão privatista do Metrô de SP já não são exemplos suficientes do que acontece com as empresas quando são privatizadas e submetidas completamente aos interesses do mercado e não da população?

O governo Dilma/PT chegou a ensaiar a privatização da Caixa em 2014, contrariando as promessas que deram um empurrão pra sua reeleição. Mas essa primeira mostra da política de ajustes encontrou resistência entre os bancários, e o governo Dilma/PT acabou recuando para encontrar outra forma de implementar a privatização. Estas intenções declaradas de outrora agora confluem com este PLS 555, de autoria do PSDB.

CUT e CTB falam baixo contra o PLS 555. Chamam dia 03/fev como dia de luta mas não organizam nada nos locais de trabalho

Foi criado no último 27 de janeiro o Comitê em defesa das estatais, formado pelas centrais sindicais CUT, CTB, Intersindical, CSP-Conlutas e Nova Central, além das federações Contraf-CUT e Fenae (entidades dos bancários) e FUP (petroleiros). Apesar de ter sido anunciado nos meios de comunicação sindicais, a luta contra o PL 555 não gerou qualquer movimentação das entidades sindicais para organizar de fato os trabalhadores para se enfrentar com mais este ataque.

O Sindicato de Bancários de São Paulo e a associação de funcionários da Caixa (APCEF) têm estado “presentes” nos locais de trabalho somente sob o formato do papel de seus jornais, que estampam como resposta de mobilização a necessidade de “pressionar os parlamentares” pela internet. Sim, as centrais sindicais querem que você pense que é possível convencer os mesmos parlamentares burgueses, que já mostraram estar comprometidos até os ossos com a corrupção e o ajuste, a votar pelos interesses dos trabalhadores. Uma ficção que só podia ser alimentada pelas mesmas centrais sindicais governistas que querem esconder a responsabilidade que o governo do PT também teve e tem no avanço da privatização da Caixa, Petrobras, Correios, disfarçada pelas vias da terceirização e da venda de subsidiárias, por exemplo.

A tramitação deste PLS 555 requer uma resposta concreta para derrubá-lo e é fundamental colocarmos essa luta no marco mais amplo de luta contra a política de ajustes, que já está em curso de diversas outras formas. A luta precisa partir de onde os trabalhadores estão e, por isso, defendemos que os instrumentos de luta sejam organizados conjuntamente desde os locais de trabalho das empresas ameaçadas e sejam abertos à participação da população. Esta aliança pode ser a chave para impormos uma derrota importante aos interesses privatistas e ajustadores, representados tanto pelo governo do PT e como pela oposição de direita.




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