Política

ATAQUE AOS TRABALHADORES

PL da terceirização é um atentado contra os trabalhadores e seus direitos

A terceirização, que existe há décadas no país, é responsável por milhares de acidentes de trabalho que causam mortes e mutilações; impede que trabalhadores se organizem para reivindicar seus direitos; leva ao aumento da exploração e acaba com a possibilidade de organização sindical. Os deputados, que gozam de privilégios imensos, estão votando um ataque a todos os trabalhadores no país.

Fernando Pardal

@fepardal

quarta-feira 22 de março de 2017| Edição do dia

Os ataques do governo golpista de Temer vão a todo vapor. Depois de aprovada a PEC 55 e a reforma do Ensino Médio, a reforma da previdência é um de seus grandes objetivos. Mas talvez o maior ataque na agenda do governo seja o da reforma trabalhista, e pela resistência que é capaz de gerar, é também um dos mais difíceis de ser levado à frente.

É por isso que os capitalistas contam com outros recursos para tentar enfiar esse ataque goela abaixo: o STF aprova por seus meios ataques ao direito de greve; e agora, o golpista Rodrigo Maia (DEM), que preside a Câmara, desenterrou um projeto de lei de 1998 para votar praticamente da noite para o dia.

Os ataques contidos no PL 4302 são muitos em um só, e representam um verdadeiro atentado contra os trabalhadores. Eles fragmentam e dividem os trabalhadores, retirando a força de seus sindicatos e da unidade das categorias. Em um mesmo local de trabalho, a terceirização coloca dois trabalhadores, lado a lado, às vezes cumprindo a mesma função, com salários e direitos diferentes. Aumentam a possibilidade de contratos temporários, aumentado seu prazo para nove meses, acabando com qualquer possibilidade de estabilidade no emprego e colocando permanentemente uma faca no pescoço do trabalhador, que sabe que amanhã estará novamente na fila do desemprego.

Dividir para conquistar é uma velha máxima da guerra. E assim conduzem seus negócios os capitalistas e os seus políticos. Hoje, durante os debates da votação do PL 4320, que instaura a generalização da terceirização em qualquer atividade, os argumentos dos deputados golpistas que querem sua aprovação foram de verdadeira chantagem: "defendemos o emprego", dizem eles, cujos "empregos" contam com salários e privilégios que não passam nem nos sonhos de qualquer peão no país (que dirá um que seja terceirizado).

Porque para nós o emprego pode ser qualquer um, a qualquer salário, com quaisquer (falta de) direitos. Eles usam a chantagem do desemprego, da crise que eles mesmos criaram, para tentar impor aos trabalhadores que abram mão de direitos.

"São novas relações de trabalho", eles dizem. É uma "modernização" das relações entre capital e trabalho. A "modernização" deles, na verdade, é um retorno cada vez maior a condições de trabalho do século XIX, que antecedem as grandes lutas e conquistas dos trabalhadores de direitos elementares, como descanso semanal remunerado, férias, décimo terceiro. A terceirização vem para acabar com tudo isso.

A "modernização" é para o lucro deles. Dizem que é "ideológico" defender os direitos dos trabalhadores frente a "uma nova realidade". Mas escondem que a ideologia está em seu discurso de "modernização". Não há nada de moderno em jornadas de 60 horas semanais, em salários de fome, em retirada de direitos, nas falências fraudulentas das empresas terceirizadas para deixar os trabalhadores na rua sem direitos. Não há nada de "moderno" em impor a fome, a miséria, para preservar o lucro de um punhado de parasitas.

Enquanto isso, as centrais sindicais estão "dormindo": burocratas privilegiados estão à frente da CUT e CTB, e para eles os direitos dos trabalhadores não importam. Querem é garantir o seu. Pode até ser que a divisão entre terceirizados e efetivos seja melhor para eles, com a criação de mais cargos sindicais e mais cargos para eles. Nós temos que passar por cima desse corpo mole, e em cada local de trabalho unificar efetivos e terceirizados, fazer assembleias conjuntas e colocar de pé nossas lutas, obrigar a que as centrais se coloquem em cena.

Não podemos aceitar essa verdadeira liquidação de nossos direitos. Vamos para cima deles.




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