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LAVA JATO

PF avança contra Lula, segundo denúncia ele seria o "amigo" na lista da Odebrecht

segunda-feira 24 de outubro| Edição do dia

Relatório da Polícia Federal que indiciou criminalmente o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma) afirma que codinome ‘amigo’, em planilhas de propinas da Odebrecht, é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em um documento do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, ‘Amigo’ é destinatário de R$ 23 milhões.

O Setor de Operações Estruturadas da empreiteira era responsável pelo pagamento de propina a políticos, agentes públicos, ex-dirigentes da Petrobrás, segundo a Lava Jato.

A PF afirma que a suspeita sobre Lula tem ‘respaldo probatório e coerência investigativa’. O relatório cita a sigla EO em suposta referência a Emíilo Odebrecht, patriarca do Grupo Odebrecht.

“Luiz Inácio Lula da Silva era conhecido pelas alcunhas de “Amigo de meu pai” e “Amigo de EO”, quando usada por Marcelo Bahia Odebrecht e, também, por “Amigo de seu pai” e “Amigo de EO”, quando utilizada por interlocutores em conversas com Marcelo Bahia Odebrecht”, diz o relatório subscrito pelo delegado federal Filipe Hille Pace.

O delegado diz que esta parte da investigação está sob responsabilidade de um colega dele, o delegado federal Márcio Adriano Anselmo.

As planilhas da Odebrecht trazem, ainda, o codinome ‘italiano’, segundo a PF, uma referência a Antonio Palocci. O ex-ministro da Fazenda foi indiciado por corrupção passiva. Segundo a Lava Jato, entre 2008 e o final de 2013, foram pagos pela Odebrecht mais de R$ 128 milhões ao PT e seus agentes, incluindo o ex-ministro.
“Muito embora haja respaldo probatório e coerência investigativa em se considerar que o “Amigo” das planilhas “POSICAO – ITALIANO310712MO.xls” e “POSICAO – ITALIANO 22 out2013 em 25 nov.xls” faça referência a Luiz Inácio Lula da Silva, a apuração de responsabilidade criminal do ex-Presidente da República não compete ao núcleo investigativo do GT Lava Jato do qual esta Autoridade Policial faz parte”, afirma o delegado Filipe Hille Pace.

“Consigne-se, todavia, que tais elementos probatórios já são de conhecimento do Exmo. Delegado de Polícia Federal Márcio Adriano Anselmo, responsável pelo núcleo de investigação dos crimes que, em tese, teriam sido praticados por Luiz Inácio Lula da Silva.”

Defesa de Lula fala em convicções e falta de provas

Por meio de nota, o advogado Cristiano Zanin Martins afirma. “A Lava Jato não apresentou qualquer prova que possa dar sustentação às acusações formuladas contra o ex-presidente Lula. São, por isso, sem exceção, acusações frívolas, típicas do lawfare. Na falta de provas, usa-se da “convicção” e de achismos”.

O criminalista José Roberto Batochio declarou. “Este é um novo produto oníroco dos fundamentalistas que não apresentam provas, mas só ‘convicções fervorosas’, inspiradas por forças divinas.

PT da conciliação de classes à assimilação dos mais corruptos métodos capitalistas

Lula, mesmo antes de assumir o poder, já sinalizava aos empresários que não entraria em choque com eles. Faria um governo "para todos", ou seja, de conciliação de classes. O que se verificou nos oito anos de mandato de Lula foi não apenas o não-enfrentamento com os interesses dos capitalistas, mas a total assimilação dos métodos burgueses de financiamento e corrupção. A Odebrecht foi uma das empresas mais beneficiadas com a política lulista de construção de "global players" brasileiros, e retribuía com o financiamento de campanhas e benefícios pessoais ao alto escalão do governo, entre as suspeitas dessas relações estão o sítio de Atibaia e o apartamento no Guarujá, fartamente explorados pela mídia e judiciário golpista.

Agora, novamente a Polícia Federal investe contra Lula, ligando-o diretamente ao recebimento de propina para si próprio e para as campanhas eleitorais do PT.

Sabemos que a Lava Jato e todas as forças reacionárias que se relacionam com ela, como a Polícia Federal, não estão comprometidas com o combate "isento" à corrupção. A operação comandada a partir de Curitiba por Sérgio Moro tem propósitos específicos. Um destes nesse momento é desgastar a figura de Lula a ponto de inviabilizar sua candidatura presidencial em 2018, ao passo que no mesmo dia Sérgio Moro decide, mesmo com horas e horas de delações que não há provas contra o PSDB.

Apesar de todo o trabalho midiático já realizado pelos golpistas, e pelos duros ataques aos trabalhadores que o PT implementou , o nome de Lula ainda tem força para o próximo pleito eleitoral.

O que está em jogo com a PF e com a Lava Jato não é o combate à corrupção, do contrário não se entende a falta de "convicção" contra o tucanato mas jogos políticos e a procura de substituir um esquema de corrupção por outros, agora mais ligados ao imperialismo e com o aval do judiciário.




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