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Precarização do Trabalho

PDVs e reforma trabalhista: passos largos rumo à terceirização e privatização

sexta-feira 21 de julho| Edição do dia

Os Planos de Demissão Voluntária tem se alastrado entre diversas estatais e também em grandes empresas privadas. Na esteira da reforma trabalhista e da aprovação da terceirização irrestrita essas medidas não são à toa, tem um objetivo muito concreto de seguir garantindo seus lucros às custas de uma crescente precarização do trabalho ao mesmo tempo que acelera o curso de privatizações.

Essas medidas sempre andam acompanhadas daquele velho discurso do inchaço da máquina estatal e da necessidade do governo fazer a lição de casa em tempos de crise. Essas justificativas costumam ganhar apoio em setores significativos da população mas, é no mínimo curioso (pra não dizer outra coisa) que os cortes "na carne" do Estado nunca atinjam os altos escalões, os cargos loteados pelos partidos da ordem, os salários milionários dos políticos e seus comparsas que fazem carreira parasitando o trabalho nas empresas estatais.

As Estatais que estão na mira

Eletrobrás
Entre os planos de apoio à aposentadoria e de demissão voluntária, a meta é de 5.662 mil funcionários, o que representa um corte de cerca de 30% do quadro atual. Segundo a Reuters, os cortes também devem atingir os funcionários de distribuidoras a serem privatizadas.

Caixa Econômica Federal
A reabertura do PDV tem como meta atingir 10 mil empregados (menos de 5 mil aderiram na primeira fase), o que representa um corte de cerca de pouco mais de 10% do quadro atual. Junto a isso, está em curso um processo de reestruturação que pretende fechar 131 agências e reduzir pela metade as unidades chamadas de áreas-meio (departamentos).

Correios
No PDV do começo deste ano foram desligados cerca de 5,5 mil empregados. Existe a previsão de reabertura do PDV para atingir a meta inicial de 8 mil, o que representa um corte de cerca de 7% do quadro atual.

Banco do Nordeste
A meta é desligar cerca de 2,2 mil num universo de 7,2 mil empregados. O que representa um corte de cerca de 27% do quadro atual.

Conab
A Companhia Nacional de Abastecimento tem a meta de desligar 1.280 empregados, cerca de 25% do quadro atual.

Ligada ao Ministério do Planejamento, a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST) declara que "vem incentivando a adequação de quadro de pessoal das estatais e, nos PDVs aprovados, há uma reposição limitada em média a 10% dos quadros desligados".

Estamos falando de setores estratégicos do funcionamento do país, que envolvem direta e indiretamente o trabalho de milhares de pessoas, que a passos largos vão sendo tomados pela precarização e terceirização, pavimentando o caminho para a privatização. Esse já é uma manobra conhecida: o corte de custos se dá em base ao corte de pessoal e a terceirização, precarizando mais o trabalho de quem fica, impactando diretamente na qualidade dos serviços públicos prestados. Esse é o cenário ideal da fórmula mágica chamada privatização, mais conhecida como a pilhagem de recursos para a livre disposição de potencializar os lucros dos grandes barões nacionais e, principalmente, internacionais.

Em resumo, é a que veio esse governo golpista. A aprovação da reforma trabalhista e a terceirização irrestrita são ainda o que mantém o furibundo Temer onde está, junto com a colaboração das centrais sindicais que traíram mais uma vez, boicotando a greve geral do dia 30 de junho.

Está nas mãos dos trabalhadores de todo o país a capacidade de derrotar os freios das centrais e a sanha golpista sobre o nosso presente e futuro. Nossas vidas valem mais que os lucros deles.

Fonte Imagem: Sintes




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