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PCdoB critica o PT por fazer o que ele faz no Maranhão, aliar-se a golpistas

Com intervenção nacional o PT desfez alianças com o PCdoB para aliar-se a golpistas com promessas de alguns poucos e insuficientes votos contra o impeachment. O mesmo PCdoB que critica o PT por suas alianças no Maranhão tem como vice o golpista PSDB. Trata-se de concorrência pesada nas duas forças ex-governistas, qual delas é mais conciliadora com os golpistas.

terça-feira 23 de agosto| Edição do dia

As alianças no Brasil profundo e a profundeza da conciliação

Para tentar ganhar alguns poucos e insuficientes votos contrários à consolidação do golpe institucional no Senado, o PT rifou seu apoio nas eleições municipais. Para opor-se ao impeachment usa de uma única arma, acordos e conchavos. Essa empreitada do PT gerou crise com seu histórico parceiro PCdoB, com quem foram desfeitas alianças eleitorais para declarar apoio às candidaturas dos golpistas PSDB, PSD e PMDB.

Depois de conversas com os senadores João Alberto (PMDB) e Roberto Rocha (PSB), ambos do Maranhão, Dilma solicitou à direção do PT que intervisse nas disputas eleitorais de cinco cidades do estado. O PT levou a cabo a intervenção em dois importantes municípios, o que é suficiente para perceber a disposição do partido de fazer qualquer aliança com golpistas em troca de apoio na votação do Senado. Roberto Rocha nega que tenha negociado seu voto e diz que o partido "ainda não decidiu" sua posição, sendo que na Câmara 29 dos deputados do PSB votaram a favor e 3 contra.

Na cidade de Codó, quinta maior do Maranhão, a cúpula do partido de Dilma determinou que se retirasse sua candidatura a vice na chapa com o PCdoB e apoiasse o candidato do PSDB, Bine Figueiredo. A chapa é composta, além dos tucanos, pelo DEM, PSL, PR, PPL, PMN e PROS. Na terceira maior cidade do estado, Timon, a direção petista decidiu sair da chapa formada pelo PCdoB e o PSB para apoiar outra integrada pelo PSD e PMDB, do candidato Alexandre Vicente de Paula Almeida. Além deles a chapa é composta por PP, PRB, PSL, PR, PSC, PROS, PV, PTN, PRTB, PHS e PT do B.

Embora a aliança com seu parceiro de burocracias sindicais e estudantis permaneça em cidades importantes, como a capital São Luís-MA, as decisões incomodaram a direção do PCdoB. No maior estilo do sujo falando do mal lavado, esse mesmo PCdoB também ouviu reclamações do PT quando anunciou sua aliança com o DEM para prefeitura de Fortaleza-CE. Com o nome de Roberto Claudio à frente, os dois partidos compõe um frentão de direita com PDT, PP, PEN, PSC, PSDC, PRTB, PTC, PPS, PTN, PPL, PSL, PV, PTB, PSD, PROS e PMB.

A presidente nacional do PCdoB, Luciana Santos reclamou das decisões do PT pois membros do seu partido teriam feito grande esforço contra o golpe institucional. Os esforços, tanto de um quanto de outro partido, não passam das mesmas manobras desde cima, buscando apoios nas fileiras dos políticos burgueses, tentando reverter alguns membros de partidos cuja orientação é majoritariamente golpista. Nesses "esforços" o PCdoB não cogita movimentar as bases onde tem inserção, congeladas pela CTB, para uma forte luta contra o golpe. Mal se movimenta, aliás, a própria burocracia, como vimos no último dia 16.

Da parte do PT esses apoios aos partidos golpistas não são mais do que a repetição do mesmo método aplicado ao longo de seu governo: aliar-se com o que há de mais podre da política brasileira em nome da "governabilidade". Às vésperas da consolidação do golpe no Senado, vemos no PT o desespero de quem quer se mostrar uma alternativa viável e comportada, que topa tudo pela sua manutenção na direção no balcão de negócios da burguesia, o Estado. Cada vez mais resignado e inofensivo, o PT insiste nesses métodos, ao mesmo tempo que Dilma tenta manter uma imagem de dignidade com os eleitores e com a base do partido indo pessoalmente à votação.

A crise entre os tradicionais aliados, em que pese toda a sua fragilidade de conteúdo, pois é sabido que governaram anos ao lado desses partidos que hoje criticam, é parte da crise que atravessa a democracia capitalista brasileira e seus partidos. Além da lama de corrupção, caixa-dois e outros escândalos, que desmoraliza esses partidos junto à população, abrem-se fissuras e disputas de morte entre eles. A própria fragmentação do que antes era uma ampla coligação que elegeu Dilma (PT, PMDB, PSD, PP, PR, PROS, PDT, PC do B e PRB), e que culmina com o processo do golpe institucional, também é parte dessa crise.

A verdade é que a única força política que poderia não só derrubar o golpe, mas barrar os ataques, iniciados no governo petista e continuados por Temer, e transformar a política de ponta à ponta, é a força da classe trabalhadora organizada e mobilizada, com seus métodos de luta e enfrentamento. Só que essa força o PT decide consciente e criminosamente manter paralisada. A CUT, assim como também a CTB e os sindicatos que dirigem, são utilizados muito mais para barrar e desmobilizar as lutas espontâneas que despontam do que para organizar desde a base esses trabalhadores.

Parasitam nas organizações operárias para garantir que sejam cumpridos os ataques dos govenos e patrões, seja num governo petista ou golpista.




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