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PCdoB, aliado de Maia, ajuda Dória e enterra luta dos metroviários-SP

Em assembleia realizada ontem na quadra do Sindicato dos Metroviários, a maioria da diretoria do Sindicato comandada por CTB/ PCdoB, CUT e Coletivo Chega de Sufoco (que reúne também ativistas das correntes Resistência e Insurgência do PSOL), suspenderam o estado de greve acabando com a mobilização contra os ataques da privatização e pela reintegração do operador de trem da Linha 1, demitido arbitrariamente pela empresa.

sexta-feira 8 de fevereiro| Edição do dia

Em mobilização desde janeiro, os metroviarios-SP estavam em estado de greve contra a intransigência e a politica de privatização de Doria, levada a frente pela nova direção da empresa sob seu comando. Além do avanço da terceirização das bilheterias, levando principalmente os trabalhadores mais novos a perderem direitos, os metroviários estavam em luta contra a implementação da escala 4x1x4x3 noturna que visa acabar com a jornada de 36hrs, e principalmente a categoria estava indignada com a demissão do operador de trem Joaquim José da Linha 1, de forma totalmente unilateral e assediosa.

Durante todo esse período, os trabalhadores retiraram os uniformes, marcaram indicativos de greve, usaram adesivo, denunciando como a privatização mata, retira direitos e deixa o sistema inseguro. Colocando-se em solidariedade as famílias dos trabalhadores em Brumadinho, assassinadas pela ganância da Vale, e alertando os perigos do sistema da multinacional Bombardier que resultou na colisão de trens do Monotrilho na linha 15.

Todas essas medidas de mobilização votadas nas assembleias sempre encontravam um obstáculo na maioria da diretoria do sindicato. Chegaram a ser contra a retirada de uniforme com argumento que "dividia a categoria", foram derrotados e adesão foi massiva nas áreas.

As assembleias estavam cada vez mais cheias. "Segunda-feira os trabalhadores lotaram a quadra, mas durante essa semana mesmo com a intransigência da Direção da Empresa negando-se a negociar, fazendo chantagem e sob chancela de Doria, não respeitando nem a cláusula de paz do TRT (que recomendava a suspensão da demissão e da implementação da nova jornada), o sindicato não realizou quase nenhuma setorial, diversos diretores diziam que a greve ficaria para outra semana, desmobilizaram e desconstruíram a assembleia, e além disso não tiveram nenhuma iniciativa de aliança com os outras categorias em luta e a população", afirmou Guarnieri, operador de trem e cipista da Linha 1, que apresentou a proposta do Movimento Nossa Classe em iniciar a greve de forma parcial, apoiando-se a luta dos professores, e dando continuidade a luta com uma nova assembleia na outra semana. Veja a intervenção:

Além dessa proposta, mais 2 foram apresentadas, CTB, CUT e Coletivo Chega de Sufoco, defendendo a suspensão do estado de greve da mobilização, e o Alternativa Metroviária/PSTU que propunha continuar a mobilização com nova assembleia na outra semana, porém sem iniciar a greve nesse momento.

No encaminhamento da defesa das propostas, a CTB quis que fosse votado uma contra a outra, justamente para sua defesa ter melhores condições de aprovação. Diante essa manobra no encaminhamento, Guarnieri retirou sua proposta de greve parcial, para unificar a defesa de continuidade da luta e impedir que a mobilização fosse suspensa, junto com Altino do Alternativa Metroviária, apoiada por outros grupos da oposição a ala majoritária como a Unidos para Lutar e o Combate.

Veja a defesa da continuidade do estado de greve e mobilização:

Mesmo com uma assembleia que foi desconstruída durante toda a semana pela diretoria do sindicato, a diferença de votos foi pequena. "O PCdoB seguiu a cartilha do Maia e ajudou Doria enterrando a luta dos metroviários. Teve seus aliados na categoria para fazer isso, do próprio PT e PSOL. Derrotaram uma luta parcial importante, que levará a uma situação muito difícil para os próximos meses que entraremos em campanha salarial, nosso companheiro segue demitido e a nova escala implementada. Sem contar que o cerco e a perseguição a ativistas deve aumentar ainda mais por parte da chefia. Mas os ativistas e trabalhadores tem que sair de cabeça erguida desse processo, pois fizeram uma grande mobilização mesmo contra vontade do sindicato. Temos que tirar uma grande lição dessa mobilização, que para lutar contra os ataques da privatização e a reforma da previdência que será levada a frente pelo governo Bolsonaro, é preciso recuperar o sindicato para as mãos dos trabalhadores, retirando esse instrumento de luta importante das mãos da burocracia sindical e sua conciliação com governos e patrões", afirmou Guarnieri após o término da assembleia ontem.

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