Sociedade

MORTE NO FUTEBOL

Outra morte no futebol: Globo e ladrões de merenda comemoram

O fato expõe que rede Globo, PM e promotor influenciado por políticos do ‘merendão’ tucano têm intensificado a criminalização das torcidas organizadas que seguem incomodando com protestos dentro e fora dos estádios exatamente contra estes alvos.

terça-feira 5 de abril de 2016| Edição do dia

Quando se alastrou a notícia de que uma morte havia ocorrido durante enfrentamento das organizadas de Corinthians e Palmeiras, muitos sabiam que não demoraria para que a mídia – em especial a rede Globo, já mesmo durante o jogo – munida de todo seu sensacionalismo, usasse a tragédia para retomar e intensificar a campanha pela extinção das torcidas organizadas, exatamente no momento em que se percebe um fenômeno de politização das arquibancadas.

Os conflitos que ocorreram em vários pontos da região metropolitana e resultaram em mais de 50 presos expuseram também um certo ‘afrouxamento’ da PM se comparado a outros dias de clássico, inclusive em pontos críticos, como estações de metrô utilizadas pelas duas torcidas.

Paulo Castilho, promotor público, parceiro e seguidor de Fernando Capez – hoje o principal suspeito de ser articulador do desvio de verbas da merenda do ensino público de SP – para criminalizar as organizadas, já impôs um ataque sem precedentes ao futebol, que é a adoção de torcida única em dias de clássicos pela primeira vez na historia do futebol paulista. Além de proibir e censurar adereços de identificação e instrumentos das organizadas, tudo como parte de uma punição sem investigação aprofundada sobre a autoria dos disparos que resultaram na morte divulgada.

O recado está claro: quanto mais politização e protestos das organizadas, mais haverá perseguição e repressão

Principalmente os últimos protestos de torcidas como a Gaviões, do Corinthians, e a Jovem, do Santos, explicitaram a ação da mídia e do Ministério Público, que se apoiam nos braços do governo do estado de SP, como a PM e deputados envolvidos no ‘merendão’ – por exemplo o próprio Capez – para satisfazerem os que querem lucrar com a elitização do futebol. Fazem coro, pregam e criam leis contra as organizadas, tidas como um dos últimos obstáculos para implementação do ‘padrão FIFA de torcer’, projeto vendido junto com os novos estádios.

Baseiam-se em uma lógica que além de elitista é também racista, já que o perfil da maioria dos integrantes de torcidas organizadas são jovens negros da periferia, alvos desta campanha a serem excluídos dos estádios, unindo o ‘útil’ – impedir os que reclamam e são ativos contra os altos valores dos ingressos – ao que os elitistas consideram ‘agradável’ – o predomínio do tido ‘torcedor do bem’, branco, ‘comportado’ e consumista, em detrimento dos torcedores mais pobres.

Como é possível ver no vídeo abaixo, além desta campanha ‘ideológica’, na prática vem havendo uma censura violenta aos torcedores que protestam, que vai desde a perseguição e intimidação nas sedes das organizadas, até tiros de bala de borracha e bombas na saída dos estádios.

Sabemos que são vários os problemas que podem gerar as ‘tretas’ entre as torcidas. Podem ser frutos desde o sensacionalismo da mídia que monta o circo; da polícia que se omite criminosamente; ou de casos mais isolados e restritos de tradição ‘hooligan’ na rivalidade, porém, ambos os casos surgem como consequência de uma das mazelas do capitalismo que é a violência urbana, que coloca jovens pobres a se agredirem e verem como inimigos outros da mesma origem e condição social. Ou seja, de forma distorcida, o futebol também reflete o atraso da sociedade de classes.

Na atual situação do país, em que há um processo de polarização social e politização, a ponto de se expressar até mesmo nos estádios, seria essencial para as torcidas organizadas dos diferentes clubes buscarem unidade em torno das bandeiras levantadas que têm massificado debates interessantes como as conhecidas “quem vai punir os ladrões de merenda?”, “Futebol refém da rede Globo” e “ingressos mais baratos”. Pois, como estamos vendo, mais do que o direito de protestar nos estádios e nas ruas, há uma campanha que coloca em jogo o próprio direito das torcidas organizadas de existirem como organizações populares.

*créditos nas fotos – Jornalistas Livres

Raphael Mouro
@mouro_77




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