VIOLÊNCIA DO ESTADO - RJ

Outra mãe perde seu filho para violência do Estado: Thiago é morto a tiros na Cidade de Deus

"Eu não quero morrer", disse Thiago, 14 anos, filho de Rosângela Maria Almeida Mendonça. Thiago foi acertado por um tiro na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, enquanto li um quadrinho da Turma da Mônica. Mais uma mãe tem a vida de seu filho arrancada pela violência do Estado em nome da "guerra às drogas".

terça-feira 6 de novembro| Edição do dia

Mais um jovem é vítima da violência nas favelas cariocas, desta vez quem perdeu seu filho em meio à um tiroteio foi Rosângela Maria Almeida Mendonça, mãe de Thiago, 14 anos. Rosângela disse emocionada como foram os últimos de seu filho, morto após ser atingindo por uma bala na localidade do Outeiro, Cidade de Deus. De acordo com ela, Thiago estava brincando quando foi atingido nas costas.

’’Meu filho estava brincando na pracinha do Outeiro, por volta da meia-noite de quinta- feira quando começou o tiroteio. Ele veio correndo ’mamãe, mamãe levei um tiro. Eu não quero morrer, fala com Deus’ Levantei a camisa dele e não vi nada. O tiro foi nas costas. Esperamos 47 minutos por socorro, mas ninguém ajudou." relatou a mãe de Thiago.

Mãe de cinco filhos, Rosângela conta que Thiago foi colocado no carro e levado até a UPA. ’’O sonho do meu filho era ser jogador de futebol, mas o que ele mais queria agora era ter um quarto só dele. Estávamos construindo um barraco’’, revela Rosângela sobre Thiago. Depois de dois dias internado no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra, mas não resistiu e faleceu. O tiro atingiu o baço, fígado e rins de Thiago, que não resistiu apesar das três cirurgias que foi submetido.

Rosângela não é a primeira mãe a perder seu filho nas favelas cariocas fruto da violência generalizada entre policias, milicias e o tráfico: no início deste ano, Bruna, mãe de Marcos Vinicius, perdeu seu filho que foi atingido na barriga enquanto caminhava até a escola. Os moradores das favelas estão no fogo cruzado entre policias, milicias e tráfico, que não defendem de nenhuma forma o interesse dos trabalhadores e do povo pobre. A falida "guerra as drogas" acaba colocando milhares de trabalhadores, jovens negros das periferias em risco.

É ao lado de Bruna, Rosângela e de todas as mães que tiveram as vidas de seus filhos arrancadas pelas mãos do Estado, que precisamos lutar contra a Intervenção Federal de Temer, contra a polícia e pela legalização das drogas. A legalização é única forma de acabar com o tráfico para dar fim a essa "guerra" que só serve de desculpa para que a polícia siga matando a população negra e pobre nas favelas.




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