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Os videogames e a indústria militar

A indústria dos games aparece como a líder no setor do entretenimento e tem batido recordes de lucro mesmo em meio à crise. Além disto, nos EUA é um importante instrumento de manutenção da militarização.

segunda-feira 8 de agosto| Edição do dia

A indústria dos videogames se localiza acima do resto das categorias de entretenimento como o cinema ou a leitura. Em 2015 alcançou os 90.000 milhões de dólares, cifra que poderia alcançar apenas em 2018, segundo a empresa Newzoo.

Por trás do videogame há todo um ecossistema de trabalhadores: programadores, grafistas, roteiristas, dubladores, designers, que tornam possível viver essa experiência virtual.

Mas nada é deixado ao acaso no desenvolvimento de um videogame, o jogador se encontra no coração de um Big Data sendo objeto de consulta das empresas que investem nesta grande indústria.

Apesar de muitas pessoas baixarem os jogos em sites piratas, na Argentina as vendas passaram de uma arrecadação de U$S 66 milhões para U$S 124 milhões e se especula que até 2019 haverá um aumento de 62% dos lucros. Já no Brasil, um estudo recente realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), aponta que, se regularizada a situação dos jogos no país, a arrecadação de impostos atingiria o valor de R$ 55 bilhões ao ano.

No entanto, nem tudo é um simples entretenimento, por trás da indústria dos games, o Pentágono recorre ao desenvolvimento de jogos bélicos para recrutar e treinar soldados, além disso é uma forma muito eficaz de instalar a cultura militar na sociedade.

As forças armadas dos Estados Unidos desenvolvem seus próprios jogos e inclusive a CIA, em 2010, desenvolvia jogos de simulação para seus próprios agentes. Uma das principais usinas do Pentágono em desenvolvimento de videogames é o Institute for Creative Technologies (ICT), da Universidade do Sul da Califórnia, que colabora conjuntamente com analistas de informática, militares e técnicos de hollywood.

O ICT teve um papel fundamental na tecnologia gráfica utilizada no filme “Avatar” e também está envolvida em outros projetos de realidade virtual. O Pentágono analisou o mercado e compreendeu que uma forma de cooptar recrutas para guerras verdadeiras era através de ferramentas virtuais como os videogames. Esta fusão entre entretenimento e âmbito militar se conhece como “militainment”.

Nesta indústria onde cada detalhe é estudado, os jogos oferecem cenários reais recorrendo aos antigos dados de batalhas reais e inclusive operações reais em desenvolvimento.

No início de 2016, o estúdio australiano Monomyth Games desenvolveu o jogo “Need to Know” baseado no trabalho de Edward Snowden. O jogador inicia como recruta do “Department of Liberty” organismo fictício que remete a Agência de Segurança Nacional (NSA, sigla em inglês), e deve espionar cidadãos desde seus chats, e-mails e movimentos de geolocalização para determinar se supostamente o espiado caracteriza-se como uma ameaça. No desenvolvimento do jogo, o protagonista pode ascender e acessar cada vez mais informação e mais poder. Quando consultaram Snowden sobre sua opinião a respeito do jogo o ex-agente respondeu: “A arte imita a vida”.




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