Teoria

INTERVENÇÃO NO RIO / REDE GLOBO

Os vermelhos no palácio do Planalto: a Globo fazendo história

Gilson Dantas

Brasília

quarta-feira 21 de fevereiro| Edição do dia

A rede Globo está apoiando acintosamente a intervenção federal no Rio de Janeiro. Seus principais porta-vozes martelam todos os dias loas e elogios à ação dos militares na intervenção de Temer no Rio, questionada amplamente por pessoas mais conscientes, que entendem que problema social não se resolve com repressão.

Mas a verdade é que ninguém pode estranhar: a rede Globo, o maior império de mídia da América Latina, que enriqueceu e se tornou um potentado na TV brasileira durante a ditadura militar, nunca passou de porta-voz oficioso do regime militar; o qual, por longo tempo, a Globo qualificava como "a revolução".

A Globo [ao lado de outros grandes jornais, como “O Estado de S.Paulo”, “Folha de S. Paulo”, “Jornal do Brasil” e o “Correio da Manhã”, para citar apenas alguns] abraçou a causa do regime ditatorial desde o primeiro momento, gritando a plenos pulmões que Brasília era dirigida pelos comunistas [confira na manchete acima de O Globo de primeiro de abril de 64, publicada em 2/4].

A causa da Globo é a causa do grande capital financeiro.

Quando veio o golpe militar, apoiado pela Globo, ela declarou solenemente que agora os negócios públicos no Brasil vão ser geridos “sem má-fé” e o Estado dirigido “sem insensatez”.

A corrupção que reinou no regime militar [apenas era proibida de sair na mídia] é hoje conhecida e a “sensatez” nós vimos no caso de tantos jovens e operários torturados e assassinados por aquele regime.

Não à toa que a Globo está lado a lado com o governo golpista do Temer defendendo a contrarreforma da Previdência. O objetivo do governo é liquidar com a previdência pública e quem quiser que vá para a previdência privada, grande sonho do capital financeiro no Brasil [que já vive da dívida pública, que drena metade do orçamento federal]. A Globo, que vem perdendo audiência, que pretende continuar enriquecendo, está junto; apoia todas as causas antipovo: desde o golpe militar de 64, agora a intervenção no Rio, as contrarreformas previdenciária e trabalhista e, por isso mesmo, tem que funcionar como uma agência de desinformação pública. Que ganha rios de dinheiro cumprindo esse papel.

Quem acredita na Globo termina vendo o Brasil de ponta cabeça, ela fala o que a Casa Grande quer ouvir, seu rabo está preso ao grande capital.

No caso da manchete acima, enquanto os generais rasgavam a Constituição, marchavam com seus tanques sobre o Rio e Brasília, passavam a prender e torturar quem criticasse o “novo regime”, reprimia brutalmente a classe trabalhadora, a Globo era só elogios aos “bravos e heroicos” militares, que obedeciam à “Providência divina” [bem no estilo feudal do Estado absolutista, onde o imperador obedecia ao mandato divino] e concluía que agora os “vermelhos que mandavam no Planalto” foram eliminados e a nação foi salva do seu “amargo fim” e que os generais fizeram um “grande favor” do qual temos que “ser dignos”.

Este Editorial de O Globo é claramente um panfleto anticomunista e que sintetiza o papel histórico da rede Globo no Brasil: apoiar efusivamente o grande capital e seus valores e, obviamente, ninguém é de ferro, enriquecer à sombra do poder; daí a família Marinho se orgulhar, até hoje, de que o chefe do clã, Roberto Marinho, ter sido o civil mais poderoso da ditadura militar [confira no documentário A história secreta da rede Globo, de Simon Hartog produzido em 1993 pelo canal 4 da BBC, que discute o poder da rede Globo e que teve sua exibição proibida no Brasil].

Nada de estranho, portanto, quando as massas, em toda manifestação onde aparece um representante da rede Globo, gritarem “Fora Globo golpista”!

O que faz falta é pautar o debate do movimento sindical e de massas com a defesa do controle da Globo pelos seus funcionários – como propriedade social, estatal - e que eles decidam, democraticamente, os métodos e as formas de, finalmente, colocar a informação a serviço do nosso povo e não contra.




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