Internacional

ESTADOS UNIDOS

Os trabalhadores organizados podem varrer a ’poeira humana’ neonazista

Fernanda Peluci

Metroviária de São Paulo e demitida política

sexta-feira 18 de agosto| Edição do dia

As manifestações racistas e a intensa polarização social no último final de semana em Charlottesville nos Estados Unidos deixou o mundo estarrecido frente à tamanha violência, intolerância e discurso de ódio proferido pela extrema direita. No país de Trump seu discurso de intolerância deferido contra negros, mulheres e imigrantes ecoou apesar de segunda-feira ter realizado um discurso contra os "supremacistas brancos" (mais conhecido como racistas), buscando colocar "panos quentes" na situação que ele próprio já vinha incendiando, deixando essa mesma direita raivosa e reacionária "a vontade" para sair às ruas aos cantos de "sou racista, sim".

Esta direita encorajada por Trump então (não a toa na sua eleição Trump recebeu apoio explicito da Ku Kux Klan), defende tudo do mais atrasado e degradante na sociedade como a opressão das mulheres, o racismo desenfreado contra os negros provinda da herança escravocrata do país, seu ódio aos imigrantes, destilando consequentemente sua política antioperária expressa no ódio contra a classe trabalhadora, que nos EUA é negra e imigrante, expressão do mais reacionário que a burguesia pode chegar.

O discurso de ódio contra negros, homossexuais, judeus e mulheres serve somente para dividir a classe trabalhadora e enfraquecer sua luta, e é esse o verdadeiro motivo pelo qual estes setores da extrema direita vieram agora mostrar suas caras repulsivas e repugnantes, e que a classe dominante se utiliza delas para avançar ainda mais sobre nossos direitos e nossa escravidão no capitalismo.

Não faz muito tempo que os EUA foram palco de muita resistência dos setores oprimidos com grandes movimentos saindo às ruas em defesa de assegurar seus direitos mínimos democráticos. Em 2011 o Ocupy Wall Street tomou conta das ruas americanas com a população indignada frente a desigualdade social vigente. Mais recentemente um fortíssimo movimento de negros e negras saíram às ruas para dizer um basta aos milhares de assassinatos de policiais contra os negros, mostrando que não mais aceitariam calados o Estado massacrando seus filhos e pais de família e colocando de pé o movimento conhecido internacionalmente como Black Lives Matters. Também recentemente frente às declarações machistas e misóginas de Trump no ano passado neste mesmo país foi possível acompanhar o grande e entusiasmante movimento de "mulheres contra Trump" com milhares de mulheres no país inteiro contra o machismo.

Do outro lado, a direita que hoje aparece fortalecida com eleição do Trump, segue enfraquecida por outro frente, por exemplo, a derrota da implementação do Obama Care, suas tentativas até então fracassadas para concretizar o muro que separa os EUA do México, sendo que é este mesmo setor que se reivindica nazista é quem hoje exige que Trump seja um governo de ultradireita, que implemente as medidas anti-imigrantes e destila seu ódio contra negros, mulheres, judeus.

Todos eles, junto a insatisfação crescente dos americanos frente ao governo Trump eleito a partir de uma eleição bastante antidemocrática e excludente somado a radicalização política da classe trabalhadora, trazem à ordem do dia a imensa polarização que expressa uma crise orgânica do regime onde os "de cima" se encontram deslegitimados e sem base de apoio para avançar nos planos austeros que se propõem aplicar, como a retirada de direitos dos trabalhadores e juventude para garantir o privilégio dos ricos, enquanto que os "de baixo" seguem cada vem mais insurretos e aceitando cada vez mais com menos passividade a atual situação política de seus "representantes" e a miséria de vida que estes os oferecem.

Desta forma se avança cada vez mais rápido o caminho da luta de classes frente às condições sociais colocadas, onde as divergências entre eles se tornam mais evidentes e extremas, ao ponto de serem vistas nas ruas em conflitos, onde não é mais possível conciliar ambos interesses e se parte para a ação, como as que vimos no final de semana.

Este setor que hoje se autointitula "nazista" e que se sente livre pra destilar seu ódio contra negros, judeus nas ruas dos EUA veem no crescente movimento de mulheres, negros e em defesa dos imigrantes uma forte ameaça para si mesmos, e saem às ruas para combatê-los. Leon Trotsky, grande dirigente revolucionário russo, dizia que o fascismo "é o partido da desesperança contrarrevolucionária", pois estes setores da extrema direita tem ciência de que ao emergir o movimento dos oprimidos em defesa de seus direitos essenciais seu fim está próximo.

O capitalismo se mantém em base a exploração e opressão dos trabalhadores e setores oprimidos. Não existe capitalismo sem o racismo, sem a xenofobia, sem o machismo, sem a homofobia. Estas distintas opressões se valem no capitalismo para justamente dividir os trabalhadores, colocando-os uns contra os outros e impedindo-os de se organizar, e é pelo fim da opressão e exploração que o capitalismo merece perecer e, com ele, varrer da sua história essa escória de nazistas.

Para os a população oprimida e explorada que estão hoje vendo e vivenciando esse tipo de ação da extrema direita em sua forma mais reacionária ao ponto de matar pessoas antirracistas (como foi o caso da morte de Heather Heyer, 32 anos, atropelada por um fascista), essa aberração da humanidade, esta poeira humana que ainda sobrevive e se intitula fascistas, não resta dúvidas de que os norte-americanos devem tomar a luta nas suas mãos e se tornar sujeitos políticos da transformação social.

É urgente se organizar e dedicar forças para a construção de um partido revolucionário que acabe com o capitalismo para libertá-los das amarras que os oprimem. Não basta que sigam na busca do candidato "menos pior" se todos eles estão comprometidos com o enriquecimento infinito dos grande empresários capitalistas em detrimento da vida doa população. É necessário romper as divisões que a burguesia impõe na classe trabalhadora e unificar negros, mulheres, imigrantes para emergir uma resistência real e independente da burguesia para que, no momento exato, derrotar o fascismo e essa escória da humanidade, assim como, objetivamente, o capitalismo que sustenta esses setores mais reacionários em detrimento da vida para varrer da história da humanidade o fascismo, e toda forma de opressão e exploração.




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