Política

DELAÇÕES LAVA JATO

Os sujos e os mal lavados: para onde vai a política no Brasil?

Em delação premiada nesta quarta-feira, Sérgio Machado, ex-presidente da maior processadora de gás natural do Brasil, Transpetro, denunciou o envio de propinas a dezenas de políticos, lista que percorre todos os maiores partidos da ordem política vigente. Quanto mais Lava Jato, mais imprevisibilidade na política. Com o Supremo Tribunal Federal (STF), ou "Partido Judiciário", dividido entre "lavar a cara" de políticos ladrões ou não, para onde vai a política brasileira?

Fernanda Peluci

Metroviária de São Paulo e militante do Movimento Nossa Classe e Pão e Rosas

quinta-feira 16 de junho de 2016| Edição do dia

Foram mais de 20 políticos, de diversos partidos, dentre eles PMDB, PP, PT, DEM, PSBD, PSB e PCdoB, incluindo nomes grandes como o do recém empossado presidente golpista Michel Temer. Somente o partido do golpe, PMDB, recebeu em torno de 100 milhões de reais segundo o depoimento de Machado. José Sarney sozinho teria recebido em torno de 18,5 milhões de reais, que a Transpetro fornecia sem periodicidade, mas que servia para contornar, por diversas vezes, e "estabilizar" as dificuldades com a base política de Sarney.

Diversos petistas citados tem relação com as propinas provindas dos estaleiros de Angra dos Reis do RJ, incluindo Jandira Feghali, uma das principais candidatas à prefeitura do Rio. Mais denúncias foram vistas em cima do tucano Aécio Neves, que recebeu o "trocado" de 1 milhão de reais para garantir sua presidência na Câmara dos Deputados em 2001. Segundo Machado, as empresas que nos últimos anos concordaram em realizar o pagamento das propinas são inúmeras: Camargo Corrêa, Galvão Engenharia, Queiroz Galvão, NM Engenharia, Estre Ambiental, Polidutos, Essencis Soluções Ambientais, Lumina Resíduos Industriais e Estaleiro Rio Tietê.

Enquanto as denúncias correm soltas, o STF arbitra a torto e a direito. O Partido Judiciário que é composto por 11 míseros juízes decidem quem livram das denúncias, ou não. Com a mudança feita meses atrás no procedimento do julgamento nas instâncias da "justiça", que agora afirma que uma pessoa condenada em 2a instância já deva começar a cumprir a pena, mesmo ainda cabendo ir à 3a ou cabendo recursos, apenas serve para buscar acelerar os grandes acordos espúrios de delações premiadas entre os políticos corruptos, enquanto 40% da população carcerária (os presos comuns, os meros mortais que não são apadrinhados por empreiteiras) seguem cumprindo pena sem mesmo previsão de julgamento, buscando esconder assim a cara desta repugnante "democracia".

O Supremo então ora caça uns, ora livra outros quando bem quer, a depender do nível de influências e benefícios que estas ações podem lhe trazer (como promover os tucanos paulistas, talvez?). Rodrigo Janot, procurador geral da República, ordenou esta semana a prisão de Renan Calheiros, Jucá, Sarney, iniciando um grande terremoto institucional ao cenário político, mas o ministro do Supremo Teori Zavascki negou as prisões, afirmando "não ter indícios concretos". Mas onde está todo o dinheiro que roubaram destas tantas delações premiadas que até agora não voltou para os cofres públicos? Quem está pagando por isso? Já Cunha, foi rifado na busca de "melhorar" um pouco a cara do golpe contra Dilma e buscar fazer o povo acreditar que "estão melhorando o país".

De um lado uma linha seguida mais "duramente" por uma das alas do Judiciário, a de Rodrigo Janot, que nutre indisposições cada vez maiores com Renan Calheiros, por outro Zavascki tentando livras uns e outros, ou mesmo Gilmar Mendes calado e consentindo tudo para buscar blindar toda a frente golpista no Senado e na Câmara, preocupado com seus amigos tucanos. No marco da unidade em prol da vitória do golpe, essa discordância entre Zavascki e Janot pode significar novos realinhamentos num momento em que o Judiciário ensaia um discurso de que “realmente combate a corrupção” através da Lava Jato.

A Lava Jato não visa o combate à corrupção, mas sim fortalecer e substituir um esquema de corrupção por outro, mas desta vez com o aval do judiciário. Em meio a delação que atinge hoje o golpista Temer, abre-se ainda mais a imprevisibilidade da situação política nacional e o nível de desunião que hoje encontra-se o "Partido Judiciário", com Janot e Teori se enfrentando no "quem pode mais". Os partidos seguem sendo cotidianamente "atingidos" sem ao menos uma prisão daqueles que roubam bilhões dos cofre públicos... mas seguem impunes os políticos do PSDB paulista. Quanto mais a Lava Jato se aprofunda (para aqueles que os Juízes escolhem "punir"), maiores são as imprevisibilidades no cenário político.

Já está mais do que provado a cara suja deste golpe, que tirou a presidente Dilma de seu cargo para colocar Temer, que agora é denunciado em recebimento de propina. Nenhuma novidade no mundo dos mortais. A luta contra a corrupção deve ter o mote de desmascarar a cara deste sistema podre, pois o que se deu hoje é apenas uma mostra do que o jogo de interesses vigente em Brasília, enquanto a população segue sendo saqueada e tendo seus direitos rifados. Querem substituir um esquema de corrupção por outro, não querem deixar de ter seus privilégios jamais! Quem paga mais ganha na atual conjuntura, e aberta estão todas as possibilidades.

Exigimos imediatamente que o dinheiro da população roubado por estes políticos safados retorne imediatamente para a população com melhorias imediatas na saúde, educação e melhores condições de vida para a povo, assim como sejam punidos todos os envolvidos nos esquemas de corrupção. Somente a mobilização dos trabalhadores e da juventude numa luta implacável pode tirar o país das mãos desses vermes, primeiramente colocando abaixo o presidente golpista Michel Temer e superando toda a conciliação com a direita e os militares da Constituição de 1988, levantando uma nova Constituinte para impedir que avancem no conjunto de ataques aos nossos direitos, colocando a frente as necessidades mais sentidas da população, acabando com os privilégios dos políticos, confiscando seus bens, assim como dos grandes empresários corruptos, entre outras medidas.




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