Internacional

ELEIÇÕES ARGENTINAS

Os ’spots’ da campanha eleitoral anticapitalista da FIT em português

Com o lançamento dos programas televisivos (spots) das seis candidaturas presidenciais, a campanha eleitoral nacional na Argentina se coloca em movimento rumo ao dia 25 de outubro. Acompanhe a campanha de spots da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores legendados em português.

André Augusto

Natal | @AcierAndy

sábado 10 de outubro de 2015| Edição do dia

E assim a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores, que já tinha lançado seus spots por redes sociais, liga todos seus motores para encarar uma grande campanha militante e de agitação massiva por Nicolás del Caño presidente. O desafio para a esquerda será chegar a milhões com ideias claras, que avisem sobre o ajuste que os verdadeiros donos do poder na Argentina preparam, e assinale o caminho de uma saída a favor dos trabalhadores e do povo.

Um dos mais marcantes vídeos de campanha mostra a intervenção de Del Caño no Congresso contra a repressão policial do governo aos trabalhadores metalúrgicos da fábrica Lear, que paralisaram as atividades da autopeças durante nove meses em 2014 junto ao PTS e a solidariedade de trabalhadores de diversas categorias. Ao receber as vaias da nefasta burocracia sindical do SMATA (metalúrgicos, dirigida pelo governo, que foi parte da planificação das prisões e torturas durante a ditadura militar argentina), Del Caño reafirma que "Ainda que muitos não gostem do que fazemos, que é estar junto à classe trabalhadora, à juventude, em suas mobilizações, temos o direito legítimo, ainda que não gostem, nós vamos continuar fazendo", numa demonstração da relação inseparável para os revolucionários entre a atuação parlamentar e aluta de classes.

Contra a impunidade do poder, Del Caño denunciou os políticos corruptos da burguesia nas sessões do Congresso, dando exemplo (como os demais deputados do PTS) na defesa do programa, inspirado no primeiro governo dos trabalhadores da história, a Comuna de Paris de 1871, de que todo alto funcionário de Estado ganhe o mesmo que uma professora e seja revogável.

Os candidatos deles e os nossos

Os vídeos demarcando claramente as diferenças entre os candidatos dos patrões e a única força independente dos trabalhadores também fizeram sucesso. "E sim, vai ter que ajustar, demitir, mas fique tranquilo que com qualquer um dos três, vamos seguir fazendo negócios" diz um empresário falando por telefone em alusão a Scioli, Massa e Macri, os três principais candidatos presidenciais da burguesia. "Com a construtora fazemos bairros privados, torres de luxo e negócios com o Estado. Aí está a grana" diz outro.

Na Argentina dos Kirchner, de Scioli, da direita de Macri e Massa, os investimentos imobiliários são parte dos esquemas de corrupção contra a população pobre, assim como no Brasil do PT de Lula e Dilma, que com a agenda da direita mantém um déficit de 5 milhões de habitações em favor da especulação imobiliária. Myriam Bregman, candidata a vice-presidente pela FIT, declara, "Propomos uma plano de moradia para as três milhões de famílias que vivem de maneira precária, financiado com impostos às grandes fortunas".

Assim os spots da FIT mostram quem são os verdadeiros donos do poder na Argentina e como defendem seus lucros às custas das necessidades do povo. Por isso Nicolás del Caño e Myriam Bregman dizem que "os empresários têm seus candidatos" enquanto a esquerda vai se colocar em defesa do salário, contra as demissões, o trabalho precário, e por moradia.

A única força que defende realmente os direitos das mulheres

Como mostra a poderosa coluna da agrupação de mulheres Pão e Rosas Argentina no 30º Encontro Nacional de Mulheres em Mar Del Plata, com 2000 companheiras, a luta pelos direitos da mulheres, contra a violência de gênero e a LGBTfobia, e o direito ao aborto lega, seguro e gratuito, não pode vir das mãos do Estado burguês, mas da luta contra ele. Viralizou nas redes o spot de campanha com Del Cãno e Myriam Bregman em defesa do direito ao aborto, sendo a FIT a única força que defendeu abertamente este direito no debate presidencial em rede nacional na Argentina.

Esta grande força social de milhares de mulheres e LGBT estiveram ligadas aos principais processos da luta de classes no país, como no conflito de Lear e da gráfica MadyGraf (ex-Donnelley) na zona norte de Buenos Aires, além das bravas lutadoras de Kromberg e as professoras da rede pública de ensino, centenas das quais foram candidatas junto ao PTS para defender um programa anticapitalista pelos direitos da mulher.

Em defesa do futuro da juventude precária

Reconhecido enormemente pela juventude de Mendoza, estado pelo qual Del Caño foi eleito deputado federal, e de todo o país como "um dos nossos", esta percepção surge, além do programa da FIT, também do fato de Nico ter sido trabalhador precário durante sua juventude. "Você não precisa me contar quando não te deixam ter um trabalho estável, quando não te garantem nenhum tipo de direito e precarizam tua vida. Basta de demissões. Efetivação de todos os trabalhadores com um salário equivalente à renda mínima familiar exigida", diz Nico. Há um sentimento de rechaço por parte da juventude aos políticos dos partidos tradicionais e um repúdio às condições de vida que estes políticos impõem.

Hoje os jovens não sabem se o trabalho vai durar 3 meses, muitos andam “de fábrica em fábrica”, não podem ingressar na universidade pública, não tem moradia e ainda tem de viver com os pais. A FIT coloca este problema e sua saída: acabar com a precarização do trabalho, um salário equivalente à renda familiar exigida, direito a saúde pública e educação gratuitas de qualidade.

Por um governo dos trabalhadores

O caráter classista da FIT está permeado pela estratégia de que, longe de buscar "espaços institucionais" dentro do Estado burguês para administrar a colaboração entre os patrões e os trabalhadores, como fez o PT e diversas organizações de esquerda que se negam a separar desta tradição, a tarefa é preparar a força social que vai derrubar este Estado.

"O capitalismo não vai mais. A Frente de Esquerda e dos Trabalhadores luta para eles paguem pela crise. E por um governo dos trabalhadores, uma sociedade sem explorados nem exploradores," remata Nico, dando a ideia de uma esquerda da luta de classes que batalha diariamente nos locais de trabalho para que os trabalhadores se transformem em sujeitos políticos de sua emancipação contra a burguesia e seu Estado e instituições parlamentares.

Esta idéia se opõe não somente aos partidos burgueses, que pretendem capitalizar pela direita a crise dos governos pós-neoliberais, mas também aos partidos de conciliação de classes como o Syriza, o Podemos ou o MAS boliviano de Evo Morales, ou os nacionalistas burgueses como o PSUV de Maduro na Venezuela, que se dizem “de esquerda”, mas se propõem como administradores do capitalismo.

A campanha eleitoral será uma grande oportunidade de reforçar o caráter combativo e de independência de classe da Frente de Esquerda e batalhar não apenas pelo voto de milhões contra os Scioli, Macri ou Massa, os candidatos defensores do ajuste e deste regime a serviço dos capitalistas, mas por incentivar dezenas de milhares a se juntarem à militância capaz de enfrentar os ataques que estão a caminho, e marchar por uma saída revolucionária, operária e socialista.

PTS na FIT: é possível uma esquerda da luta de classes que conquiste peso eleitoral

A campanha militante e de agitação massiva que se põe em pé será muito importante para a esquerda, já que quanto mais apoio se conseguir, mais força terão as lutas dos trabalhadores, das mulheres e da juventude. Mostra que é possível conquistar peso em setores de massas sem abandonar a luta para que o movimento operário se transforme em sujeito político, avance das lutas sindicais à militância política e construa um partido com independência de classe que lhe seja próprio.

Longe de qualquer demagogia, os spots da FIT mostram a importância de utilizar a agitação eleitoral como fator na luta de classes real, e como momento preparatório para convencer da necessidade de construir um partido revolucionário para derrubar as instituições da democracia dos ricos em favor da democracia dos trabalhadores.

Nos espelhamos neste exemplo do PTS para construir uma esquerda dos trabalhadores para fazer diferença na luta de classes no Brasil.

Trabalho de legendagem: Daniel Avec




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