PROFESSORES MUNICIPAIS SP

Os professores que derrotaram Dória devem ser linha de frente contra Bolsonaro

Nesse momento tão polarizado do país, onde pode se eleger presidente Jair Bolsonaro que representa o que há de mais reacionário na política, inimigo declarado das mulheres, dos negros, lgbts e do povo pobre, precisamos resgatar a força das professoras que este ano derrotaram o SAMPAPREV de Dória, organizando desde o SINPEEM Comitês de Base em cada região, onde as dezenas de milhares de trabalhadores da educação e as comunidades escolares possam fazer frente à Bolsonaro, o golpismo e as reformas, pela ameaça que ele representa à educação, às mulheres que são maioria da nossa categoria, ao funcionalismo público e a classe trabalhadora de conjunto.

Grazieli Rodrigues

Professora da rede municipal de São Paulo

segunda-feira 15 de outubro| Edição do dia

Os professores municipais de São Paulo que em março deste ano derrotaram o SAMPAPREV, a Reforma da Previdência municipal de João Dória, agora podem ser parte da resistência da nossa classe contra tudo que representa a candidatura de Jair Bolsonaro do PSL à presidência da república: a continuidade do governo de Temer com ainda mais autoritarismo para nos enfiar goela à baixo reformas como a da Previdência que nós municipais derrotamos em uma forte greve que tinha o rosto das mulheres que são maioria da nossa categoria, cerceando a liberdade de pensamento em nossas escola e os já parcos direitos dos setores oprimidos, além de atacar profundamente a classe trabalhadora e o funcionalismo público, como seu vice, General Mourão declarou publicamente.

Bolsonaro que quase saiu vencedor já no primeiro turno das eleições, escancarando a polarização social e o fortalecimento da extrema-direita, é produto do Golpe Institucional de 2016 que se deu pela errônea estratégia de conciliação de classes do PT, que ao governar com a burguesia, fortaleceu a direita e o ódio que derrubou Dilma e agora o alimenta. Bolsonaro quer se mostrar para burguesia como a melhor figura para resolver a crise pela qual o país passa e desde já deixou claro que fará isso jogando as contas dessa crise em nossas costas. Seu discurso de ódio contra os povos Quilombolas e os indígenas, seu caráter homofóbico, racista e machista, além de sua constante apologia a tortura e a violência, significam uma ameaça primeiro à democracia e em segundo plano à nossa própria existência pois não param os ataques de ódio incentivados pelo seu discurso. Assim como seu programa econômico também não é isento de ameaças aos direitos trabalhistas que conquistamos em anos de luta enquanto classe e na nossa categoria, querem atacar nossa estabilidade dos servidores públicos, o 13º salário e o direito à aposentadoria.

Exatamente por isso acompanhamos a vontade do povo, das mulheres, dos negros e lgbts de lutarem contra Bolsonaro votando em Haddad agora no segundo turno das eleições, sendo parte de uma força que pode derrotá-lo nas urnas. No entanto, fazemos isso sem partilhar do projeto político do PT e de sua estratégia eleitoreira e de conciliação de classes que tem se mostrado ineficaz contra o golpismo e a extrema-direita.

Nós professores podemos ser linha de frente da luta contra Bolsonaro, os golpistas e as Reformas, mas para isso precisamos botar novamente nosso bloco nas ruas!

E para isso, no 29º Congresso do SINPEEM, precisamos não somente pautar formalmente conjuntura nacional como sempre propõe a direção de Claudio Fonseca, mas sim aprovar a construção de Comitês de base contra Bolsonaro, o golpismo e as Reformas, organizados por região e impulsionados pelo sindicato e também pelas centrais sindicais, a CUT e a CTB que podem levar essa política para outras categorias. Comitês que unifiquem as fileiras da nossa classe e reúnam regionalmente professores, trabalhadores da educação, a comunidade escolar e também nosso colegas da rede estadual e da particular. Essa é a única forma de enfrentarmos os ataques que Bolsonaro vai aprofundar e aprovar com os piores métodos possíveis e não tenhamos dúvidas, atacando nossa organização desde os sindicatos.

A hora é agora e para vencer não podemos aceitar que Claudio Fonseca, vereador do PPS, que na direção do sindicato segue sem dizer uma palavra à respeito do que acontece no país, sirva de freio para nossa luta. Especialmente pela sua estreita relação com o golpismo, já que seu partido foi base-aliada de Dória na Câmara dos Vereadores e apoiou Alckmin, também do PSDB, para presidência, golpistas que sabemos que são inimigos da educação e apoiadores da Reforma Trabalhista, da Lei da Terceirização irrestrita, da Escola sem Partido e da Reforma da Previdência, que o próprio PT em suas campanhas não tem coragem de dizer que vai revogar.

Chamamos todos os mais de 100.000 professores e trabalhadores da educação que fazem parte da nossa categoria a construírem essa proposta e essa força capaz de derrotar de Bolsonaro e a extrema-direita, que só cairão pelas mãos da classe trabalhadora e dos setores oprimidos organizados em combate, vingando a morte do capoeirista mestre Moa, dos professores atacados e de todas as vítimas do ódio que Bolsonaro prega.




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