Política

PRIVILÉGIO DOS JUDICIÁRIOS

Os privilégios da toga em MG: um único juiz do TJMG recebeu 500 mil reais no mês passado

Essa não é uma exceção. 60% dos magistrados do estado de Minas Gerais ganham salários acima do teto constitucional, que é de R$ 33,7 mil. Além de serem peça fundamental para a continuidade do golpe e para a manipulação dessas eleições presidenciais, os membros do poder judiciário vivem cheios de privilégios.

quarta-feira 29 de agosto| Edição do dia

Um único juiz do Tribunal de Justiça de Minas Gerais recebeu R$ 501.624,02 no mês de julho, segundo site do próprio TJMG. Longe de ser exceção, remunerações como essas são comuns no poder judiciário. Segundo levantamento da Rádio Itatiaia de fevereiro deste ano, 60% dos magistrados do estado de Minas Gerais ganham salários acima do teto constitucional, que é de R$ 33,7 mil, pago aos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Se considerados os rendimentos brutos, somando os salários aos auxílios e "vantagens eventuais", o número de magistrados que recebem acima do teto constitucional sobe para 97%. Como se os altíssimos salários não fossem suficientes, entre os benefícios mensais estão o abono de permanência, de R$ 3.300 mil; auxílio-saúde, de R$ 3 mil; auxílio-alimentação, de R$ 884; auxílio-livro de R$ 13 mil anuais; e auxílio-moradia (que causou revolta em todo país no início deste ano), de R$ 4.377.

Enquanto a maioria da população amarga baixos salários, desemprego e sofre os efeitos da crise econômica, descarregada pelo governo golpista de Temer sobre o povo trabalhador, os membros do poder judiciário parecem viver "em outro mundo".

O próprio teto constitucional e legal para os salários já é um imenso absurdo: equivale a 35,3 salários mínimos. Um trabalhador que recebe o mínimo precisa trabalhar 3 anos para acumular o equivalente a este teto.

Flavia Valle é candidata a deputada federal do MRT em Minas Gerais e vem atacando os privilégios do judiciário e denunciando a manipulação presente nessas eleições. Ela, que é professora de sociologia da rede pública, declarou ao Esquerda Diário:

"É uma afronta ao povo trabalhador essa casta cheia de privilégios enquanto a população paga pela crise econômica com aumento do desemprego e da pobreza. Isso para um poder judiciário que vem cumprindo um papel de manipular essas eleições, por meio de juízes que ninguém elegeu e que atuam por fora da legalidade, agora proibindo o direito do povo votar em quem quiser impondo a prisão arbitrária do Lula."

"São muito bem pagos para servirem aos golpistas que querem escolher a dedo o próximo presidente para retirar os direitos trabalhistas e sociais ainda mais rápido do que o PT fazia, buscando aprofundar ainda mais os ataques do governo golpista do Temer. Temos que dar um basta a estes privilégios do poder judiciário. Defendemos que todos sejam eleitos, revogáveis e que recebam um salário de uma professora", continuou.

E completou:

"Somos contra a prisão do Lula e pelo direito de ele ser candidato, mas não apoiamos o voto no PT, porque eles já demonstraram que governam se aliando com a direita e abrindo espaço pra ela, e que quando há crise também descarregam ataques, como a Dilma fez em 2015, e com Pimentel que atrasa salários e aposentadorias e propõe uma reforma da previdência porque teria um déficit de 8 bilhões no orçamento do estado em 2017, mas deu 14 bilhões em isenções fiscais aos capitalistas."

Ilustração de capa: Estado de Minas




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