Opinião

OPINIÃO

Os milhões que são contra Temer e suas reformas podem avançar para uma luta anticapitalista

Os dias passam e as incertezas políticas do país prosperam a despeito das intenções dos seus agentes.

Ítalo Gimenes

Campinas

quarta-feira 21 de junho| Edição do dia

Temer que apesar de ter sido poupado pelo TSE e recebido a permanência do PSDB no seu governo está longe de se encontrar em uma posição confortável. A reforma trabalhista dá passos importantes de aprovação, mesmo com a derrota no governo em uma das comissões do Senado. Segue um cenário político e econômico instável, e é cada vez mais urgente que nós trabalhadores tomem a luta em nossas mãos, batalhando para greve geral no dia 30 aconteça apesar das centrais sindicais, apontando uma saída política que revogue os ataques contra os nossos direitos, acabe com esse Congresso corrupto e avance em medidas que rompam com o capitalismo.

Desde que os áudios de Joesley Batista, presidente da JBS, exerceram um terremoto no cenário político do país levando Temer a beira do precipício, parecia que seus dias de governo não passariam de dias. No entanto, ele insiste em não renunciar e vem resistindo a algumas provas de fogo que sinalizam que, por hora, Temer balança, mas não cai sem alguém que o substitua. O que ainda está longe de significar a volta de uma penosa estabilidade, mas sim uma continuidade e aprofundamento da crise, na medida em que as elites e os partidos não conseguem um novo nome que estabilize o país.

O TSE não cassou Temer. O PSDB, que tem em suas mãos o poder de terminar de afundar o barco do governo Temer, decidiu continuar ajudando a jogar a água ao mar, se mantendo estrategicamente no governo para não ver o sonho capitalista das reformas se afogarem no limbo de um outro nome que possa as colocar de novo em rota de colisão com os direitos dos trabalhadores. Isso permitiu que Temer começasse a agir, mobilizando sua base para garantir votos contra uma provável denúncia do MPF e da PF contra ele, comprando boa parte deles com dinheiro público, sem que esteja certo se conseguirá os votos que precisa, se utilizando também de outras manobras que buscam mantê-lo vivo enquanto necessário.

Porém, o cenário ainda é de um barco que se afunda, pior, começa a envolver outros na tragédia. Como bem analisou Leandro Lanfredi “algo está claro, Temer, sem um sucessor não cai facilmente, nem termina de se recompor, prolongando, espalhando e aumentando a crise”.

Confira: Temer está sobrevivendo, espalhando e aumentando a crise

Um governo inviável que se mantém como pode, consegue ainda dar passos ameaçadores com a reforma trabalhista, que vem sendo aprovada em cada comissão do Senado. Há em todo esse cenário uma prova de fogo, a qual dificilmente Temer teria alguma chance de sobreviver: a luta dos trabalhadores com greves gerais organizadas na base de trabalhadores.

Devemos ver esse como o melhor momento de nós trabalhadores mostrarmos para os milhões que estão contra Temer e as reformas que com uma grande greve geral no dia 30 de Junho ainda mais poderosa do que viram no dia 28 de abril, os trabalhadores podem dar uma resposta política para o país que de fato consiga barrar os ataques em curso, revogar os que já foram aprovados. Mas também avance, em meio essa crise os trabalhadores podem mostrar que são capazes de dar uma resposta política com os próprios métodos, defendendo os próprios direitos, mas também organizando os anseios dos setores pobres e da população oprimida, que vive em situações precárias e miseráveis. Uma resposta que se enfrente com todas as mazelas que o capitalismo impõe.

Para realizarmos essa grandiosa luta temos importantes obstáculos a serem superados. As mesmas centrais sindicais que convocaram a greve geral no dia 30, já com muito atraso, estão comprovando que irão trair a nossa luta no momento onde ela poderia ser mais impactante. CUT, CTB, Força Sindical, nenhuma dessas centrais está construindo de fato a greve nos sindicatos e locais de trabalho que dirigem, não atoa não se ouve falar dela ou se quer da luta contra as reformas nem mesmo em seus sites. Paulinho da Força, recentemente reeleito presidente da Força Sindical, já falou que aceita as reformas de Temer se elas forem negociadas, além de dizer em mudar a data da nossa greve geral.

Ao mesmo tempo, a CUT e a CTB parecem ter esquecido que nossa luta é centralmente contra as reformas, de modo que o centro da sua agitação passou a ser pelas “Diretas Já”. Conformaram a Frente pelas Diretas junto a diversos partidos do petismo, da direita como PDT, PSB, Rede e PR, mas também com setores da esquerda, como MAIS e PSOL, que expressa o objetivo dessas centrais e do PT de impedirem que se desenvolvam espaços a esquerda da estratégia de conciliação petista, tentando enterrar a greve para travar uma disputa parlamentar, para impedir que os trabalhadores se organizem e sai do seu controle. A luta pelas Diretas, assim como essa Frente Ampla dizem abertamente que hoje é a única saída para estabilizar o regime, ou seja, manter todos os corruptos, o congresso, e os capitalistas lucrando em cima do suor dos trabalhadores.

O PT e as centrais sindicais traidoras contribuem diretamente para o plano dos capitalistas de encerrar a crise política longe dos métodos de luta dos trabalhadores, de forma a proteger a agenda de reformas contra eles. Por isso, que junto ao Esquerda Diário, nós do MRT lançamos a campanha “Tomar a greve geral em nossas mãos”, panfletando nas ruas, nos locais de trabalho, nas escolas, colocando a necessidade de que nos organizemos em comitês e chamemos assembleias nos nossos locais de trabalho para que centenas de trabalhadores estejam organizados para parar tudo no dia 30 e pressionem essas centrais a organizar também a greve geral.

Reafirmo a ideia de que a única saída política que pode colocar os interesses reais dos trabalhadores em disputa com o projeto dos capitalistas de jogar a crise que criaram sob nossos ombros através das reformas, é a convocação de eleições de delegados para uma nova Constituinte no país.

Eleger um novo presidente ou novos deputados e parlamentares do Congresso corrupto em nada garante que as reformas deixarão de ser implementadas, principalmente por serem eleições que mantem esse regime político podre, corrupto em toda e qualquer instituição, inclusive os próprios juízes. Essa corrupção vem de uma casta política comprometida a atender as demandas dos maiores e mais corruptos empresários do país, como o próprio Joesley Batista, da JBS, que comprou um terço do Congresso. É assim que esses empresários conseguem que o Congresso trabalhe para eles e para os empresários e banqueiros internacionais, aprovando reformas para retirar direitos históricos dos trabalhadores.

Por isso, todos aqueles que estão lutando contra o Temer e seus ataques, tem uma força social que em meio a essa crise, pode ir por muito mais. Mudando completamente as regras do jogo. Em uma nova Constituinte, podemos defender os interesses mais sensíveis dos trabalhadores em contraposição a naturalizada “necessidade” imposta pelos capitalistas de que sejam nós os que temos que pagar pela crise econômica que eles mesmos criaram.

É um espaço onde todas as leis do país podem ser refeitas, inclusive para acabar com os privilégios dos políticos, fazendo eles e os juízes receberem o mesmo que uma professora, tornando seus mandatos revogáveis a qualquer momento. As empresas corruptas do país poderão ser estatizadas sobre controle dos trabalhadores para acabar de uma vez por todas com a farra da corrupção e colocar as empresas para produzir não para o lucro privado dos capitalistas, mas para atender o que mais demanda a população trabalhadora e pobre do país. A principal tarefa dessa nova Constituinte é revogar todas as reformas impostas que atacam aos trabalhadores desde Sarney, passando por Collor, FHC, os governos do PT e Temer. Somente essa Constituinte pode revogar a lei da terceirização irrestrita e o limite de gastos com saúde e educação impostos pelo governo Temer.

Para nós do MRT e do Esquerda Diário, essa Constituinte terá que estar a serviço de fortalecer a luta dos trabalhadores por suas demandas, contra o projeto de país dos capitalistas e o seu regime político falido e ajustador. Seria um momento onde poderemos atuar no sentido de aumentar as fileiras organizadas dos trabalhadores em defesa de demandas democráticas profundas, como a reforma agrária, expropriação das empresas corruptas sob controle dos trabalhadores, de modo a colocar qual projeto de país dos trabalhadores e a necessidade de avançar no sentido de uma luta revolucionária de ruptura com o capitalismo para atingir essas e diversas demandas profundas dos trabalhadores, dos jovens, dos indígenas e dos setores oprimidos da sociedade, e conquistarmos uma sociedade realmente livre da opressão e exploração.




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