Mundo Operário

VOZ ANTICAPITALISTA

Os metroviários podem triunfar sendo uma voz anticapitalista

Os metroviários podem se tornar uma voz anticapitalista e dar uma resposta contra o governo golpista de Temer.

Felipe Guarnieri

Operador de trem da L1 azul do Metro de SP

segunda-feira 5 de setembro| Edição do dia

Ao ler esse título os mais otimistas poderão dizer que é um desafio difícil, e outros diretamente dirão que se trata de uma utopia inalcançável. Entretanto, vamos partir do que está colocado. Vivemos sob os impactos de uma grave crise política e econômica do país. O golpe institucional vem acompanhado de uma série de ameaças aos direitos dos trabalhadores. Se por um lado há centrais diretamente golpistas como a Força Sindical de Paulinho, por outro CUT e CTB nada fazem, seguem com a política de conciliação petista que já chega ao ponto de Haddad dizer “que golpe é uma palavra muito dura” para explicar a situação.

Tempos sombrios de aprofundam cada vez mais com o Governo Temer. A violência policial aumenta contra a juventude e o povo negro da periferia. A bancada evangélica avança contra os direitos das mulheres e dos LGBTs, e o conjunto da população ainda sofre diariamente com serviços públicos como saúde, transporte e educação de péssima qualidade. E é justamente aí que nós entramos. O usuário do Metrô, um trabalhador como nós, muitas vezes desconta toda sua raiva cotidiana no funcionário do Metrô. Um stress que aumenta cotidianamente e se agrava com a falta de funcionários e a política de precarização e privatização levada a frente por Alckmin. Cada vez mais e mais metroviários, sofrem com stress, crises de pânico e ansiedade, depressão, doenças por lesões repetitivas ou de circulação por ficar tanto tempo de pé. A realidade é que ainda existe uma distância a ser superada entre os metroviários e a população.

A mídia oficial cumpre um papel importante nessa divisão: Datena, Marcelo Rezende, Globo, jornais e mídia impressa, todos eles afinados e em sintonia com o objetivo de blindar Alckmin. Caçam furos de reportagem para jogar os metroviários contra a população, pois sabem que essa aliança pode ser explosiva. Em época de greve, utilizam a média salarial da chefia e da alta cúpula da empresa para dizer que “ganhamos muito”. Além da mentira, o que querem dizer como mensagem é que “se ganham mal continuem assim, não façam greve como os metroviários”. Mas essa relação da mídia também se inverte quando ocorre qualquer manifestação. Criminalizam os movimentos sociais, facilitando o trabalho do governo e da direção da empresa a manter o corporativismo. Não a toa teve até chapa concorrendo para a eleição do Sindicato dos Metroviários com um papo furado de que a entidade tem que ser de uso “exclusivo” dos Metroviários, pregando um tipo de “união” a serviço de disseminar o ódio e a intolerância contra “os movimentos de fora da categoria”.

Agora, antes de afirmamos que não é possível ser uma voz anticapitalista, vamos tentar responder uma questão: entre outros ataques que estão colocados, vamos nos deter ao plano de privatização do Metrô. É possível derrotar Alckmin sem uma aliança dos trabalhadores do Metrô com a população? Talvez essa resposta seja fácil e, de bate pronto, dizemos “não”. Entretanto, se a resposta é fácil, a tarefa não é. Os inimigos são poderosos, além da mídia contam com a justiça, tem dinheiro, empresas, polícia.

E nós temos o que?

Nós temos ideias. Essas ideias nas mãos de poucas pessoas, podem ser inofensivas, mas nas mãos de muitas podem ser avassaladoras. Para expandi-las contamos com uma rede internacional de diários online, no Brasil o Esquerda Diário. Não queremos sustentar para esse mecanismo um papel superior do que ele pode cumprir, mas dizemos com toda certeza que tal instrumento o qual construímos como uma tribuna aberta aos trabalhadores, pode se transformar num tormento para os governos e patrões, ser uma pedra no sapato de Alckmin, um verdadeiro contraponto a mídia oficial. Com ele podemos transformar as injustiças cotidianas que constantemente debatemos durante a jornada de trabalho, nos horários de intervalo, em denúncia. Qualquer tema que nos incite uma revolta, devemos ter a consciência de que também pode ser a revolta do nosso colega de trabalho, ou de um usuário que compra um bilhete caríssimo e passa pela catraca. Em última instancia, devemos fazer com que a “guerra de cada dia no trabalho” vire uma guerra contra Alckmin e seus aliados.

O Esquerda Diário tem essa potencialidade, já são inúmeras denúncias que surgem espontaneamente em diversos estados no Brasil, denúncias das condições de trabalho no telemarketing, aulas protestos de professores, campanhas que se espalham como um vírus letal contra os poderosos. Criar essa rede de correspondentes é a maneira de nos valermos da nossa principal arma, as ideias, fazer com que elas pairem no ar na cabeça de milhares de pessoas.

Em São Paulo, Diana Assunção, pode fazer essa voz chegar aos 4 cantos da cidade

A candidatura de Diana Assunção, do MRT pelo PSOL, é outra arma que teremos durante as eleições. Aproveitaremos o pouco espaço que a democracia dos ricos dá aos trabalhadores para fazer uma campanha de denúncia contra esse regime. A candidatura de Diana não tem dinheiro de empresa e nem dos patrões, seu único comprometimento é apresentar um programa de fundo para que os trabalhadores não paguem pela crise e para que suas lutas triunfem. Levantar que todo político, que vive de privilégios em suas mansões, tenha seu cargo revogável, e passe a ganhar igual a uma professora. Defender o direito dos mais oprimidos, mulheres, negros e LGBTs. Combater a terceirização, defendendo a efetivação sem necessidade de concurso público dos milhões de trabalhadores terceirizados. Ser intransigente na luta por serviços públicos, saúde, educação e transporte, de qualidade sob controle dos trabalhadores e da população. Ser consequente na luta contra o governo golpista de Temer e seus ataques contra nossos direitos, estando nas ruas junto às 100 mil que se manifestaram no último domingo na Av. Paulista, de forma independente do PT que quer desviar essa luta para implicar eleições gerais, e assim canalizar o sentimento de revolta da juventude dos trabalhadores numa saída institucional, que não radicalize as tão sentidas demandas democráticas da população.

Essa voz de Diana pode chegar aos 4 cantos da cidade, e como já dizemos se não temos o mesmo arsenal de nossos inimigos, temos milhares com ideias explosivas. É hora de sairmos de debaixo da terra! Na Zona Sul a Zona Norte, da Zona Oeste a Zona Leste. Toda e qualquer tipo de força militante pode fazer com que triunfamos nesse objetivo. Vamos criar comitês regionais e tomar conta com atividades políticas, sociais, artísticas e culturais, em cada região dessa cidade. Unificar metroviários, professores, operários e estudantes, junto com a rede de correspondentes do Esquerda Diário e ser um punho só contra essa classe dominante que nos oprime e explora. A campanha de Diana, transformará cada metroviário em porta voz das demandas da população, em protagonista de um novo futuro, com essa força de milhares de vozes, sim, podemos triunfar!




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