Política

LAVA-JATO

Os interesses envolvidos na proposta de fatiar o maior inquérito da Lava Jato

A Procuradoria Geral da República avalia dividir em pelo menos três inquéritos a maior e principal investigação a Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, que apura se existiu uma organização criminosa, com a participação de políticos e empresários, para fraudar a Petrobras.

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

sexta-feira 12 de agosto| Edição do dia

O chamado inquérito – mãe da Lava Jato tem oficialmente 39 investigados, a maioria do PP e há um pedido feito em maio deste ano pelo procurador geral da República, para a inclusão de mais 30 nomes ligados ao PT e ao PMDB, incluindo o nome o ex – presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Esse pedido ainda não foi decidido pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. A procuradoria analisa pedir a divisão do inquérito para que sejam apuradas em separado as condutas dos integrantes do PP, do PT e o PMDB. A Justificativa que membros da Lava Jato utilizam é que, apesar de existir um esquema amplo na Petrobras, as investigações apontam para a existência de sub - esquemas na estatal, na qual cada partido dominava uma diretoria e atuava em desvios nos contatado. As investigações apontam que o PP atuava para desviar valores da Diretoria de Abastecimento. A partir, havia pagamento de propina a políticos do partido. Já o PT atuava nos contratos da Diretoria de serviços, enquanto o PMDB tinha como foco desviar recursos da Diretoria Internacional.

O procurador geral pediu a inclusão dos 30 nomes porque, principalmente políticos o PP e a bancada do PMDB no senado, entre eles Romero Jucá, Valdir Raupp, Edison Lobão e o presidente do Senado, Renan Calheiros. Janot quer que a bancada do PMDB na Câmara, incluindo o ex- presidente da Câmera e deputado afastado

O que está por trás deste parcelamento

Nas ultimas semanas que passaram, discutíamos neste site se a Lava Jato avançaria apenas contra o PT ou viraria uma Operação Mãos Limpas Brasileira avançando contra os demais partidos da ordem. Nos últimos meses, setores da burguesia nacional e do imperialismo estavam insatisfeitos com a demora dos ataques que o Temer iria impor aos trabalhadores e o fato de que o governo golpista estava vacilando em torno dos ajustes, não por falta de convicção em atacar os direitos da população, mas por estar tateando a correlação de forças para conseguir impor os ajustes sem desatar lutas.

Neste meio período ocorreu que o Michel Temer anunciou que iria impor a ‘’reforma’’ da previdência e trabalhista. Nesta semana, o governo golpista declarou que vai mexer até nas férias e 13º salário. Este anúncio conseguiu agradar setores do imperialismo e da burguesia que estavam insatisfeitos com o governo Temer. Isso vem agradando os empresários.

A tendência agora é que a Lava Jato e o Poder Judiciário seguirem no sentido de impedir um ressurgimento do PT, separar a investigação das condutas do partido é uma boa manobra do judiciário para escolher qual partido pretende pegar primeiro. Próximo as eleições municipais essa medida acentua a intervenção do judiciário na política. Ainda não podemos dizer até que ponto vão seguir pegando o PT, se arriscarão prende o Lula, contudo essa medida da mais margens para a liberdade de intervenção do judiciário.

O certo é que essas iniciativas são parte de garantir que o PT não tenha nenhuma pretensão grande eleitoral, para assim abrir cada vez mais espaço para a direita que possui um maior alinhamento com o imperialismo e que prometendo impor ataques aos trabalhadores muito mais pesados do que o PT estava fazendo. Frente a esse cenário, o próprio PT não só provou que não vai organizar qualquer luta contra o golpismo, como vem relativizando se foi golpe, como declarou o candidato a prefeito, Fernando Haddad.




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