Economia

GOLPE INSTITUCIONAL

Industriais apresentam ao golpista Temer suas exigências para acabar com os direitos trabalhistas

Um futuro governo Temer já terá garantido a nata dos bancos e do sistema financeiro, agora os patrões da indústria querem que o Filet Mignon e o Champagne na Paulista seja pago com suor dos trabalhadores.

sábado 30 de abril de 2016| Edição do dia

Os atos pró-impeachment na Avenida Paulista tinham como referência não o vão do MASP, mas sim o prédio triangular da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, FIESP, com seu telão pintado de verde e amarelo e a ridícula campanha “Não vou pagar o pato”. Um dos principais articuladores do impeachment é o presidente dessa fundação, Paulo Skaf, ex-candidato a governador de São Paulo pelo PMDB e famoso por distribuir marmitas com Filet Mignon e Champagne para os manifestantes pró-impeachment.

O prédio da FIESP foi escolhido como “centro gravitacional” do ato por se tratar da patronal mais concentrada e reacionária do país, para além da figura de Paulo Skaf e das marmitas gourmet. É fundamental para o setor golpista que a maior entidade patronal do país esteja a seu lado, assim como o PT só governou por mais de uma década a partir do apoio desse setor de industriais que agora lhe vira as costas ansiando por mais ataques. Mesmo representando um quinto da economia, a capacidade que esse setor tem de estimular e retrair todos os outros (serviços e agricultura) é imensa, daí seu peso político e econômico.

Este golpe institucional da direita logo disse a que veio: os chacais da indústria e a patronal da CNI (Confederação Nacional da Indústria) entregaram sua “singela” lista de exigências e sacrifícios a Temer. Trata-se de um ataque em regra a todos os direitos trabalhistas, uma dura investida contra a classe trabalhadora que vem para aprofundar os ajustes de Dilma iniciou. Dentre os principais ataques figuram a regulamentação da terceirização, acordo entre empresa e trabalhadora cima da CLT, e "desburocratização" nas demissões; privatização da energia, sistema de água e esgoto, portos e aeroportos num nível ainda maior que o entreguismo petista.

Na agenda da Confederação Nacional da Indústria, que reúne todas as Federações do Brasil, destacamos sete pontos que traduzem os interesses presentes nos 36 pontos listados pela CNI [aqui http://www.portaldaindustria.com.br/cni/imprensa/2016/04/1,86954/cni-entrega-a-vice-presidente-michel-temer-proposta-com-36-medidas-indispensaveis-para-tirar-pais-da-crise.html]:

1) Reformar a Previdência Social: Defendendo a idade mínima para aposentadoria nos 65 anos como discutimos [aqui http://www.esquerdadiario.com.br/Travessia-Social-do-golpista-Temer-retirada-em-regra-dos-direitos-trabalhistas ]

2) Valorizar a Negociação Coletiva: O avanço na CLT, em que o peso da negociação entre sindicato e patronal teriam mais peso que os direitos da CLT, podendo se flexibilizar 13º, férias, jornada de trabalho e todos os outros itens. Para além do desejo das patronais, a burocracia sindical também defende veladamente essa proposta, formulada em termos abstratos nas propostas da Força, UGT, CGT e NCST.

3) Reforma Tributária: Não tocar no Imposto de Renda sobre o Lucro, que atualmente fica na faixa entrre 6% e 8%, um absurdo frente aos salários dos trabalhadores que são taxados para mais de 20%.

4) Acelerar o Processo de Concessões ao Setor Privado na Infraestrutura: Petrobras, Eletrobras, privatizações “a la SABESP”, ou seja, entregar o pré-sal, encarecer a energia e transformar a água em lucro, que acompanhamos como impactaram no Sudeste desde 2014.

5) Priorizar as exportações como motor do desenvolvimento: Os últimos anos foram marcados pela expansão no consumo com aumento das importações, com a crise econômica esse horizonte veio abaixo, utopicamente os donos da indústria acreditam que o comércio exterior encontra-se numa posição favorável para a economia voltar a crescer.

6) Simplificar o licenciamento ambiental: “Samarco curtiu isso”. Depois da maior crise ambiental criada por uma indústria no Brasil é uma vergonha que haja qualquer defesa nesse sentido.

7) Regulamentar o Código Nacional de CT&I: O que significaria a abertura das universidades para que empresas pudessem desenvolver seus produtos ali sem nenhuma contra partida. Quando as universidades brasileiras se encontram em uma situação financeira dramática, essa é a solução dada principalmente nas áreas tecnológicas e de saúde para que se mantenha um mínimo de estrutura.

A luta contra essas medidas também é a luta contra o golpe. O PT, ao assimilar a corrupção capitalista, aplicar ataques e impedir que os trabalhadores combatam os ajustes do “seu” governo, abriu o caminho para o fortalecimento desta direita nefasta: muitas das propostas apresentadas pela CNI já venham sendo cumpridas por Dilma. A direita, a patronal e os industriais buscam aprofundar os ajustes petistas. Foi o processo de impeachment que articulou a [CEOcracia, banqueiros e financistas http://www.esquerdadiario.com.br/A-CEOcracia-de-Temer-um-futuro-gabinete-cheio-de-banqueiros-e-empresarios ] para que se efetivem medidas mais duras e definitivas contra a classe trabalhadora. Agora também os grandes industriais mexem seus pauzinhos para tentar legitimar os ajustes de um novo governo Temer.

Para costurar os acordos políticos, erguer as bases sociais de um governo ajustador e [acalmar os ânimos internacionaishttp://www.esquerdadiario.com.br/Aprovacao-do-impeachment-estampa-com-incertezas-os-editoriais-internacionais ], CEOs, banqueiros, industriais, Força Sindical e suas aliadas costuram um ambiente político e econômico mais inóspito para os trabalhadores. Só a força organizada contra esses reacionários e todo tipo de ajuste pode dar uma saída para que os trabalhadores não paguem pela crise.

É uma vergonha que a esquerda como o PSTU levante uma política tão abertamente funcional a este avanço da direita, dizendo que “não houve golpe” e o impeachment "é da classe trabalhadora e do povo pobre". O que dizer desta clara ofensiva da direita, que é um benefício aos trabalhadores? Nenhum burguês teme uma esquerda golpista dessa. As bases do Espaço de Unidade e Ação e da CSP-Conlutas precisam refletir sobre esta política grosseira e levantar junto conosco a exigência as centrais sindicais da CUT e CTB que saiam de sua paralisia cúmplice e encabecem uma greve geral imediata contra o golpe e os ataques.

É urgente que se construa um plano de contra essas medidas, que as centrais sindicais como CUT e CTB rompam com sua paralisia cúmplice e convoquem assembleias, piquetes e atos massivos para parar os centros mais importantes da produção, uma greve geral já para que os trabalhadores respondam o avanço da patronal com seus próprios métodos. Desde as centrais sindicais não-governistas, como as Intersindicais e CSP-Conlutas, essas lutas deveriam servir de exemplo para a classe trabalhadora se levantar e exigir das burocracias sindicais que lutem efetivamente.




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