Política

extrema direita

Os filhotes da ditadura: Sobrinho de torturador financia campanha de Bolsonaro

O sobrinho do militar Brilhante Ustra, doa 1 mil reais para campanha de Bolsonaro. Ustra foi conhecido como um torturador frio e perverso nos anos da ditadura. O valor pode parecer simbólico, mas o gesto é bem concreto. Mostrar que os genocidas, que nunca foram punidos por seus crimes durante os anos de chumbo, estão mais vivos do que nunca na candidatura de Jair Bolsonaro.

Rodrigo Tufão

Metroviário, cipista da linha 1 Azul São Paulo

sexta-feira 19 de outubro| Edição do dia

No Brasil, a década de 80 foi marcada pelo fim do regime militar e o começo de um regime democrático, onde o povo poderia escolher via voto seus representantes políticos. Em que pese todos os limites dessa transição de regime, a conquista do voto direto foi muito importante para amplas camadas dos trabalhadores. Porém, dentre alguns avanços, o pacto feito com os militares, garantindo anistia para todos torturadores e financiadores do regime de exceção. Aquele núcleo de torturadores e sua referência dentro das corporações militares e policiais, foi ao longo do período democrático do país, pós constituinte de 1988, se arrastando pelo tempo e se mantendo como hierarquia de doutrina, dentro das forças armadas e da polícia.

A não punição exemplar, de todos os torturadores e financiadores da ditadura, garantiu que esses setores permanecessem livres e se fortalecendo dentro das instituições do Estado. Hoje vemos esses setores ganharem mais força com a candidatura de extrema direita de Bolsonaro, que com muita demagogia e Fake News, faz uma campanha essencialmente moralista, convencendo amplas camadas de trabalhadores a votarem nele, em meio a crise econômica e política que o país atravessa.

O peso simbólico do sobrinho de Ustra doar para campanha de Bolsonaro é muito profundo. Representa toda essa escória autoritária que sobreviveu livre de seus crimes, após o fim da ditadura militar e hoje se vê fortalecida com a possível vitória do candidato que representa esse passado triste da história brasileira.

Bolsonaro quer esmagar os trabalhadores e arrancar os poucos direitos que ainda restam. Para isso, promete um governo autoritário com o apoio de todos os torturadores. Não votar em Bolsonaro e preparar as lutas contra o próximo governo. Essa tarefa é urgente em todos os sindicatos do país.




Tópicos relacionados

Tortura na Ditadura Militar   /    Brilhante Ustra   /    Extrema-direita   /    Bolsonaro   /    Política

Comentários

Comentar