Juventude

LUTAS ESTUDANTIS

Os estudantes em luta precisam construir sua própria representação, com independência da UBES e da UNE

O movimento atual de ocupações contra a “PEC da morte” e os ataques do golpista Temer surgiu de uma explosão espontânea da juventude. Como dar o próximo passo para coordenar e unificar as lutas, dialogar com a população, romper o cerco da mídia e barrar os ataques aos nossos direitos?

Francisco Marques

Estudante de Filosofia na UFMG

Vinicius Morais

Estudante de Ciências Biológicas na UFMG

quarta-feira 9 de novembro| Edição do dia

É evidente que o movimento estudantil ressurge de maneira singular com a chamada primavera secundarista. O movimento de ocupações protagonizado pelos estudantes tanto do ensino médio quanto universitários, é um dos maiores exemplos de mobilização popular atualmente e segue um caminho ditado pelos próprios estudantes.

Esse movimento em ascendência faz resistência às políticas de ataque aos direitos democráticos pelo governo de Michel Temer, e é clara para a maioria a ligação da PEC 241 (agora PEC 55 no Senado) e da MP 746 ao golpe da direita através do Impeachment e o rechaço ao novo governo golpista.

Uma onda espontânea que passou por cima das burocracias e direções “oficiais”

O novo movimento estudantil que surge em 2016, inspirado também pelas ocupações de São Paulo no fim de 2015, é pautado em decisões democráticas com mobilizações e assembleias de base, onde todos estudantes podem debater e decidir os rumos da luta, inclusive parando escolas e universidades. Essa é a grande força que acumulamos até aqui.

Pra acontecer, este movimento passou por cima das burocracias estudantis ligadas ao PT e ao PCdoB, que por muito tempo direcionavam as lutas a uma estabilidade nada transformadora, como a CUT e a UNE, que apoiaram o governo Dilma durante todos os anos e inclusive enquanto cortava da educação e dos direitos trabalhistas. Já neste ano, deixaram o golpe passar e agora fazem novamente um “teatro de resistência” contra a PEC, sem radicalizar a luta e fortalecendo a estratégia de desgaste do PT, para preparar a volta de Lula ou um aliado em 2018.

Os ocupantes e estudantes em luta têm uma insatisfação coletiva com a atuação de entidades como UBES e UNE (dirigidas por PCdoB e UJS), diante de suas atuações que não espelham a mobilização das bases, ponto que foi visto tanto no período de eleições municipais de segundo turno, como no fim de semana de realização do ENEM (5 e 6 de novembro).

Por um comando das ocupações, com representantes revogáveis eleitos em assembleias de base

Não é possível superar a fragmentação das ocupações nem as pressões para que se fechem em si mesmas (em infinitas pequenas questões organizativas) sem uma representação democrática que coordene as lutas.

Por isso um organismo com representantes de cada ocupação ou escola em luta (mesmo que não ocupada), segundo a proporção de estudantes mobilizados em cada assembleia, é uma ferramenta não só útil, mas necessária, se queremos vencer Temer e barrar a PEC 55 e todos os ataques. Estes representantes devem ser revogáveis tanto para dificultar perseguições como para trocar um representante que não expressou bem as ideias dos estudantes reunidos em assembleia. Algo muito semelhante a isso foi uma peça fundamental para a vitória dos secundaristas paulistas em 2015. É isso que chamamos aqui de comando das ocupações.

É urgente essa tarefa, e fazemos um chamado a todas ocupações da UFMG, em primeiro lugar, mas também a todas escolas secundaristas da Região Metropolitana de Belo Horizonte, que já tem mais de 30 escolas ocupadas. Na nossa universidade, por exemplo, temos um DCE apático que está desde o início na rabeira do movimento, sem buscar coordenar as lutas nem construir um real apoio às ocupações. A direção do DCE do Levante Popular da Juventude e da Juventude do PT não quer apoiar um movimento que tem a própria voz e que não aceita os mandos e desmandos da “direção oficial”.

Em cada polo de luta do país, como é o estado do Paraná, esses comandos regionais podem ser o início de um comando nacional das lutas estudantis. Assim se poderá fortalecer ainda mais o diálogo com a população e com os trabalhadores unificando as lutas em defesa dos direitos e realmente mostrando nossa força social.

O Movimento Estudantil tem a partir daí a tarefa de se enfrentar com a direita golpista colocando outras pautas e outro projeto de país, substituindo a discussão do corte de gastos e de direitos sociais pela discussão da taxação das grandes fortunas, do fim dos privilégios dos políticos e do fim do “bolsa-empresário” das desonerações fiscais. Não podem ser os estudantes nem os trabalhadores a pagarem pela crise capitalista. Que os “de cima” paguem por ela.




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