Política

CONFERÊNCIA FT

Os debates na primera jornada da X Conferência da FT

A primeira jornada analisou e debateu sobre o desenvolvimento da crise econômica mundial aberta em 2008.

quinta-feira 11 de agosto| Edição do dia

O primeiro dia da décima Conferência da Fração Trotskista, organização internacional que inclui o PTS com colegas de 12 países da América Latina, incluindo o MRT no Brasil, Estados Unidos e Europa, analisou e discutiu o desenvolvimento da crise econômica global inaugurada em 2008.

A mesma se abriu com um informe de Paula Bach, da direção do PTS da Argentina, com um debate subsequente com vários membros das diferentes delegações. Os principais pontos considerados são com relação a três definições em torno do qual a discussão foi aberta:

O primeiro foi levantar quais são as condições da crise econômica que se desenvolveu desde a queda do Lehman Brothers. O fundamental que se definiu foi que havia dois elementos centrais: o crescimento da China e as políticas monetárias dos Estados Unidos e dos países centrais, que permitiram evitar que a crise se tornasse uma catástrofe, porém, não obstante, tiveram consequências graves, porque o crescimento foi muito débil.

A segunda definição que fizemos é que a partir de cerca de 2014, a relação entre os EUA e a China como uma base e colchão antes da crise, foi concluída e abriu-se uma situação diferente da economia mundial, no qual está colocado que pode aprofundar a crise, e até mesmo que se desenvolva uma recessão semelhante ou pior do que a de 2008/2009. Nesta segunda fase, esta parte da crise que estamos passando, tendem a unificar as condições de baixo crescimento nos países centrais e as condições de fim de ciclo que sucederam no que poderíamos chamar de periferia, foi o primeiro momento da crise.

Finalmente definimos que há uma situação em que as consequências da crise econômica global tiveram repercussões graves: fundamentalmente nas classes trabalhadoras dos países centrais, com base nos fenômenos que estão por ora expressos sobretudo pela direita, como é o Trump na EUA, ou como foi o discurso que impulsionou o Brexit. Além disso, esta situação tem repercussões importantes repercussões pela esquerda, embora por ora menos desenvolvidas. Uma das questões mais interessantes que levantamos como uma novidade para desenvolver é que este tipo de fenômenos podem chegar a colocar um limite para a capacidade das elites dominantes, o establishment, de administrar a crise, que é o que tem acontecido todos estes anos após o Lehman Brothers.

Este último ponto levanta uma análise diferente da crise focada puramente nos fatores econômicos. Se nos países periféricos ou os chamados "países emergentes" as condições de baixo crescimento na economia internacional tem levado ao fim da bonança em que sustentou, por exemplo, na América Latina o surgimento de governos chamados progressistas, nos países centrais se expressa em uma crescente polarização para a esquerda e para a direita, com a crise dos "centros" políticos. Isto levou à crise dos grandes partidos social-democratas na Europa, ou a crise do establishment político nos Estados Unidos, expresso pela candidatura de Donald Trump e também de Bernie Sanders, como uma expressão de esquerda.

Tendo em vista as consequências da crise de 2008 é a possibilidade de que novas crises não estão sujeitas à apenas fatores econômicos, mas que tem um novo papel os giros políticos e as novas expressões que surgem, todavia em desenvolvimento.

A deterioração das condições de vida de milhões de trabalhadores nos países centrais é a base que fortalece novas polarizações políticas e crises em governos e regimes. Isso se liga às mudanças econômicas, que por ora são capazes de manter um crescimento débil, mas não consegue dar uma saída de fundo, às mudanças bruscas nas situações políticas, abrindo a possibilidade de situações mais convulsivas. Deste ponto de vista a Conferência irá enfrentar o debate sobre a situação política mundial e, especialmente, quais são os possíveis cenários que se desenvolvam os projetos políticos que enfrentaremos depois de completá-la.

Tradução: Matheus Correia




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