Juventude

ENCONTRO DE SECUNDARISTAS EM CAMPINAS

Os Incomodados Que Mudem O Mundo

Nessa segunda-feira, 27 de junho, representantes dos grêmios de campinas compareceram ao evento "Encontro de Núcleos de Protagonismo Estudantil de Campinas", no auditório do patrulheiros, para qual haviam sido convocados diretamente pela Direção de suas escolas. Segundo o documento, o objetivo foi para "promover um encontro entre os grêmios estudantis como estratégia de atuação dos educadores e alunos e lançar, oficialmente as Replicações da Metodologia da Academia Educar."

Sagui

jovem trabalhadora

sexta-feira 1º de julho de 2016| Edição do dia

O evento foi marcado pela presença do diretor da DPaschoal, Luis Norberto Paschoal, o Dirigente Regional de Ensino de Campinas Leste, Nivaldo Vicente e o Dirigente Regional de Ensino de Campinas Oeste, Antonio Admir Schiavo, além da presença de Eduardo Lyra, jovem negro, fundador do instituto Gerando Falcões, que já apareceu em revistas de "ouro", como a FORBES.

Uma das palestras mais importantes foi a de Eduardo Lyra, o exemplo de jovem periférico que conseguiu ser "alguém na vida", que foi usado como cobaia dos empresários para nos dizer que deveríamos parar de nos vitimizar, passar a reclamar menos e fazer mais. Porém, Eduardo ao deixar de se "vitimizar" se esqueceu de como os negros foram escravizados, e mesmo depois da abolição, ainda vivem em desigualdade extrema. No sistema capitalista que vivemos, negros, mulheres e LGBTs são explorados através do racismo, machismo e LGBTfobia, enquanto a polícia protege o estado, entrando nas favelas e matando jovens negros legalmente, e também reprimindo todos que se colocam a questionar o sistema. O descaso do estado com a educação pública é visível, e não dá pra esquecer disso quando falta até merenda nas escolas.

Apesar de toda farsa, os secundaristas que ali estavam presentes não se deixaram calar, nem se enganar, pressionando e dando verdadeiros exemplos de protagonismo estudantil, como as ocupações de escola em São Paulo e todo Brasil, a greve dos professores e universitários, que buscam por uma educação digna.

O Possível Novo Plano do Estado

Frente a um medo enorme do verdadeiro protagonismo juvenil que foram as ocupações e a derrota de Geraldo Alckmin o ano passado, em que colocamos abaixo o projeto de reorganização escolar, mas que agora, por debaixo dos panos, continua a fechar salas e precarizar o ensino publico, é de se esperar que eles estejam prontos para tentar de alguma maneira nos controlar através dos grêmios estudantis de cada escola, para que assim não questionemos mais nossas condições.

Não é de se estranhar que a DPaschoal, um dos maiores centros automotivos do Brasil, com centenas de lojas, portais e ateliês, se interesse em investir em educação, com a Fundação Educar e a Universidade DPaschoal se vinculando ao estado com projetos sociais e obtendo incentivo fiscal – a lei brasileira possibilita que empresas abatam o valor do Imposto de Renda fazendo doações dirigidas para projetos sociais – além disso, podem controlar a educação à sua maneira, focando apenas no trabalho "cego". A produtividade e o lucro podem alcançar milhões inimagináveis.

Os grêmios, que são uma das pautas que conquistamos o ano passado com as ocupações, são uma das principais ferramentas que usamos para mover os estudantes e incentiva-lós a lutar, por isso não podemos aceitar mais uma manobra do governo para implementar um ensino de mentes fechadas e alienadas. Nós temos direitos a grêmios livres, sem interferência de direção ou qualquer órgão governamental. O grêmio deve ser a voz dos estudantes!

Assim, mais uma vez, o governo colocou sua cara e se desmascarou sozinho. Esse evento nada ilusório nos mostrou a força com que estão vindo para cima dos estudantes e como querem nos controlar a todo custo. Devemos sim questionar mais a cada dia em que situação o estado nos coloca, e todos os cortes na educação que fazem, enquanto aumentam os salários de juízes e políticos. Devemos ser como os estudantes que ocuparam as escolas, os professores, universitários e trabalhadores que fazem greve buscando pelos seus direitos que são negados todos os dias. Só tapando os ouvidos para quem sempre nos controla, e estando unidos com quem busca por uma melhoria real na educação, estaremos sendo os protagonistas das nossas vidas e da educação publica, gratuita e de qualidade para todos.




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