Orleans e Bragança, herdeiro escravista do Império diz que não existe racismo no Brasil

Bertrand de Orleans e Bragança, herdeiro da família imperial brasileira, trineto de Pedro II, deu uma declaração absurda em seminário que fez parte, falando que não existe tal coisa como racismo no Brasil. “Todos vivem bem”.

quarta-feira 17 de junho| Edição do dia

Estão procurando criar esse problema racial, mas não conseguem. Aqui todos todos nos damos bem. Aqui no Brasil todos vivem bem”. O seminário em que o herdeiro do imperador propagou essa alucinação, foi promovida por ninguém mais ninguém menos do que pelo Ministério das Relações Exteriores, comandado pelo olavista de carteirinha Ernesto Araújo.

Orleans e Bragança fez afirmações que sustentam a velha ideia da democracia racial brasileira, baseada na miscigenação - onde falta apenas citar a brutal repressão dos portugueses aos indígenas e escravos negros em terras brasileiras. Ele diz: “Todo brasileiro tem um pouco de sangue branco, um pouco de sangue negro e um pouco de sangue índio. Isso deu um blend (mistura) absolutamente extraordinário, porque nós temos o povo brasileiro que é um povo fabuloso. É um povo que tem um calor humano que nenhum outro povo tem isso”

A declaração do herdeiro parece um medo, que pode ter sido herdada de família, da sua história escravagista, da revolta do povo negro contra a violência policial e estatal. A revolta negra nos EUA já deu seus sinais de influência no Brasil, e bom, o medo da “realeza” brasileira dessa revolta aparentemente nunca morreu.

O medo do herdeiro Orleans e Bragança é o da revolta por João Pedro, Miguel e tantos outros da juventude negra no Brasil, que não veem a realidade com os olhares distorcidos que os herdeiros da realeza brasileira tentam transmitir.

Seu discurso, que lembra o tom de discursos da democracia racial, da miscigenação brasileira onde todos vivem em paz, busca apenas conter a raiva daqueles que se levantam contra o racismo estrutural do capitalismo, e mostra o medo das consequências da revolta negra nos EUA, que tem mais do que poucos ingredientes para se gestar cada vez mais no Brasil, com a população mais pobre e a classe trabalhadora sofrendo na pele as consequências da pandemia.




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