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Ordenaram desmontar o principal centro de refugiados da França

Na sexta-feira passada, Bernard Cazeneuve, o Ministro do Interior francês, em sua oitava visita à Calais, cidade portuária ao norte do país, anunciou o desmonte total do centro conhecido como “a favela”, que aloja quase 10 mil refugiados em condições totalmente deploráveis e precárias.

terça-feira 6 de setembro| Edição do dia

Cazeneuve anuncia o desmonte total da "favela"
A tensão cresce novamente ao redor dos bairros de Calais, onde ficam, depois de meses, os imigrantes que não perdem a esperança de entrar na Inglaterra, e buscam com a energia do desespero e com todos os meios possíveis para conseguir, inclusive tomando por assalto os caminhões que cruzam para este país tão cobiçado.

Cazeneuve visitou Calais na sexta-feira (2) para reencontrar-se com os representantes das forças políticas e econômicas locais, o prefeito e os administradores, que deram provas de uma próxima solução ao problema. Frente a uma volta do conflito social que promete ser agitado, ao governo convém, antes de afrontar os trabalhadores e sua luta contra a lei El Kohmri, atuar, com a mais extrema firmeza, sobre a questão dos imigrantes, assim como sobre o terrorismo ou o uso do “burkini”.

Cada vez mais imigrantes e cada vez mais desespero

Desde a validação no dia 25 de fevereiro pelo Tribunal Administrativo de Lille da ordem de expulsão dos imigrantes da “favela” de Calais, apesar das belas promessas não cumpridas, a perspectiva do desmonte total não deixou de dar marcha atrás.

A violenta repressão contra os imigrantes, no dia 29 de fevereiro, não reduziu em nada sua resistência e de todos aqueles que os ajudam, como associações, vizinhos, militantes, mobilizados contra este tratamento injusto aos refugiados. Nenhuma alternativa real foi proposta. Empurrados a amontoarem-se nestes centros de alojamento de urgência espalhados por toda a França ou levados a um centro de recepção provisório próximo a Calais, eles não podiam resignar-se a serem dispersos e afastados da fronteira inglesa.

Uma primeira fase do desmonte aconteceu no mês de março na zona sul, e na zona norte também já começou. Mas o desequilíbrio entre as capacidades de alojamento estabelecidas e as necessidades de refúgio, tornou-se crônico. Hoje em dia, enquanto Cazeneuve tinha prometido às autoridades locais uma redução progressiva do número de migrantes alojados até ao redor de 2 mil pessoas, mais de 9 mil vivem na “favela” em condições de precariedade e insalubridade totais. As moradias improvisadas que são armadas ali imediatamente são alvo de proibições. Uma situação que exaspera o sofrimento e a necessidade vital de sair deste inferno. E enquanto isso, o Mediterrâneo entregaria novamente, no final do verão, outros milhares destes “condenados da terra” que rechaçam as guerras imperialistas no litoral da Europa.

Dar garantias a alguns e apontar as armas contra outros

O governo deve dar as garantias às autoridades e aos interesses locais que se exasperam com as promessas e entre a tensão que cresce notavelmente entre os caminhoneiros e os imigrantes. Cazeneuve se comprometeu novamente ao desmantelamento total da zona norte: “Minha intenção é buscar isto com a mais firme determinação. Deve-se fazer por etapas, começando por criar mais lugares de refúgio na França para descomprimir Calais”, declarou. O Estado conta com intensificar as saídas voluntárias de Calais, para antes do fim do ano. “2.000 novas vagas de albergue no Centro de Refúgio e de Orientação e 6.000 lugares nos Centros de Refúgio para pedidos de Asilo.

Mas enquanto isso, a proibição e a repressão são ativadas contra os imigrantes. O ministro do interior afirma que os poderes públicos “já começaram o desmonte da zona norte, por uma decisão de fechar os centros de venda ilegal instalados no terreno”. “Este processo foi freado por uma decisão da justiça e fez com que o Conselho de Estado se ocupasse do assunto”, completou. O Tribunal Administrativo de Lille tinha perdido seu veto a esta demanda. Estes efetivos suplementares permitiram “reforçar a luta contra os assaltos de caminhões na autopista”, disse.

Livre circulação de pessoas. Alojamento decente para todos os imigrantes
Cazeneuve fala de “descomprimir” Calais. Linguagem cuja grosseria só se compara a sua inumanidade. Mas se continuamos com esta metáfora, podemos dizer que não há mais que duas saídas: deter as entradas e/ou favorecer as saídas.

Para favorecer as “saídas”, todos os olhos são, obviamente, postos sobre a Inglaterra. O recente episódio do brexit, evidentemente colocou a hipótese de uma mudança de política com respeito aos imigrantes. E se a fronteira não está mais em Calais senão em Drouves? Seria um golpe de sorte para Cazeneuve. Mas este não é o projeto da Inglaterra dentro ou fora da União Europeia, e além disso os acordos passados com a França permanecem intactos.

A respeito das “entradas”, o governo caiu em sua própria armadilha. O patético guerreiro Hollande, campeão de guerras imperialistas na África e no Oriente Médio, gera, junto com os outros imperialistas, estes fluxos de imigrantes que vêm se desgraçadamente são oprimidos em suas próprias terras.

É claro que nestas condições, os imigrantes na França não podem ser mais que perseguidos de um ponto a outro, em uma caçada humana perpetrada




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