Sociedade

ESCRAVIDÃO E TRABALHO PRECÁRIO

Operários que trabalhavam para a aeronáutica foram resgatados de condição escrava

Sete trabalhadores que trabalhavam nas instalações da Aeronáutica em Anápolis (GO) foram resgatados de condição análoga à escravidão e tendo que se alimentar de formigas.

sábado 28 de novembro de 2020| Edição do dia

Fonte da imagem: Agência Brasil.

De acordo com informação do Portal DCM o grupo móvel de combate ao trabalho, que tem a participação de auditores fiscais e do Ministério Público do Trabalho, realizou o resgate de sete trabalhadores em condições análogas à escravidão. Esses trabalhadores estavam construindo um hangar dentro de uma unidade da aeronáutica em Anápolis (GO).

Segundo matéria do portal DCM, o local onde os trabalhadores estavam instalados apresenta ausência de condições mínimas de acomodação e higiene, além da falta de alimento, o que obrigou os trabalhadores a se alimentarem de formigas. Esse caso absurdo é apenas um exemplo do que ocorre no Brasil, quadro que se aprofundou desde os ataques que o governo Bolsonaro vem realizando contra a classe trabalhadora. Não é segredo para ninguém que Bolsonaro está do lado dos patrões, os ataques que o governo tem realizado, além de degradar a vida da classe trabalhadora com a retirada de direitos, abre margem para a precarização do trabalho e casos absurdos de escravidão.

Leia mais em: Bolsonaro defende fazendeiro que promove trabalho escravo: "propriedade privada é sagrada"

Como se já não bastasse a contrarreforma trabalhista realizada no governo Temer, Bolsonaro tenta de todas as formas agradar os capitalistas. Ele e Paulo Guedes, o ministro da Economia, não medem esforços para colocar a classe trabalhadora contra a parede, de modo que o trabalho fica ainda mais precarizado e sem nenhum tipo de garantia. Dentro do debate acerca da “modernização” do trabalho, o governo criou desde o dia 5 de Setembro o Grupo de Altos Estudos do Trabalho (Gaet), com o objetivo de revisar a legislação trabalhista de modo a flexibilizá-la.

Leia mais em: Novo ataque de Guedes e Bolsonaro quer aprofundar exploração e precarização do trabalho

Os ataques não param por ai, junto aos patrões, o governo vem implementando várias medidas provisórias, reforma tributária e a carteira verde e amarela num claro desejo de tonar a precarização como algo comum e totalmente aceito em nossa sociedade. A carteira verde e amarela, por exemplo, é uma forma de ‘baratear” a contratação de trabalhadores, dando isenções aos empregadores à custa da precarização do trabalho. Além disso, não é segredo que o próprio Bolsonaro é contra leis e medidas que punem empregadores que realizam a prática de trabalho escravo.

Leia mais em: Bolsonaro critica emenda que pune trabalho escravo: "pau neles!"

No caso específico do trabalho escravo é preciso lembrar que o Brasil, ao contrário do que afirma Bolsonaro, possui sim trabalho escravo. Entre 1995 e 2018 foram realizados no país mais de 50 mil resgates de trabalhadores em condições de escravidão. Comummente, a maioria desses resgates eram de negras e negros, revelando mais um traço do racismo estrutural que vivenciamos no Brasil. Um dos Estados em que mais pessoas foram encontradas nessas condições é o Estado da Bahia, que entre 2003 a 2018 um total de 3.256 trabalhadores foram resgatados.

Leia mais em: Dados sobre a escravidão mostram um Brasil que Bolsonaro finge não ve

Esses casos nos mostram que não podemos guardar nenhum ilusão para com o governo Bolsonaro, e muito menos com os setores Golpistas como o Congresso e o Judiciário, que sempre se unem para atacar a classe trabalhadora. Bolsonaro, ainda nas eleições de 2018 sempre se colocou ao lado do empresariado, com declarações demagógicos do tipo: "difícil ser empresário no Brasil”. Conforme já mostramos emmatéria, Bolsonaro já defendeu inclusive o fim do Ministério Público do Trabalho, e sua defesa pela escravização dos trabalhadores também foi exibida em várias ocasiões e entrevistas, em declarações como: “Os trabalhadores devem escolher: todos os direitos e nenhum emprego, ou menos direitos e algum emprego”.

Leia mais em: Bolsonaro inimigo dos trabalhadores: sinal verde para patronal liquidar todos os direitos trabalhistas

Bolsonaro que se colocava como um não político, mesmo tendo vivido às custas do Estado por mais de anos, e inclusive tendo criado uma carreira para a sua família, quer para os trabalhadores o que não deseja para sua família: precarização, trabalho escravo e perda de direitos. A extinção de órgãos trabalhistas, o claro posicionamento em defesa da propriedade privada e dos interesses das patronais demonstra o grau de reacionarismo que o governo Bolsonaro representa.

É inaceitável que em pleno século XXI trabalhadores sejam resgatados em condições de escravidão, essa realidade demonstra apenas o quão necessário a união dos oprimidos, povos indígenas, trabalhadores precarizados e subalternos de um modo geral. É preciso pressionar, não apenas as Centrais sindicais que estão adormecidas em berço esplendido, a exemplo da CUT e CTB, numa clara tática eleitoreira para 2022, mas também os sindicatos de modo que a luta econômica por melhores condições de vida seja vinculada a luta política pela superação do regime de opressão e exploração capitalista.




Tópicos relacionados

Trabalho Escravo   /    Sociedade   /    Política   /    Mundo Operário

Comentários

Comentar