Política

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Onyx revela plano do governo para incluir a capitalização e aprofundar ataque da Reforma da Previdência

sábado 10 de agosto| Edição do dia

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou neste sábado (10) que o governo enviará "dentro das próximas semanas" à Câmara dos Deputados uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que institui o sistema de capitalização na Previdência pública.

A vitória na aprovação da nefasta reforma da previdência nos dois turnos na Câmara, faz o governo esfregar as mãos e rever a profundidade do ataque que consegue implementar. Se já não fosse catastrófico o suficiente o projeto aprovado pelos deputados com o bolso recheado de dinheiro das emendas parlamentares liberadas por Bolsonaro, o governo diante do placar acima do esperado e da passividade do movimento de massas assegurada pelas direções burocráticas das centrais sindicais, quer capitalizar o momento para tentar implementar até os pontos mais severos, como afirmou o ministro em relação a capitalização, e provavelmente também será inserida na votação do Senado a questão dos estados.

A capitalização representa o desmonte final do sistema previdenciário como conhecemos até então, substituindo o modelo de repartição vigente, em que toda a população economicamente ativa financia a aposentadoria dos pensionistas, pelo modelo de capitalização, em que cada trabalhador individual fica a cargo de sua poupança individual. Esse modelo revelou-se um fracasso em todos os países onde foi implementado, sendo no Chile, local onde durante os anos da ditadura neoliberal de Pinochet foi pioneiro no sistema, o responsável pelo suicídio de milhares de idosos, que chegaram a velhice com uma aposentadoria pífia e sem condições mínimas de arcar com a própria subsistência.

Mesmo quando a capitalização e outros pontos mais severos foram retirados da proposta do governo, era evidente que o Bolsonaro e Guedes não recuariam em seu desejo de implementar a máxima reforma, aquela que às custas de que trabalhemos até morrer, pouparia o R$ 1 trilhão calculado por Guedes para saciar a fome do capital financeiro e ser entregue via pagamento da dívida pública.

Ainda assim toda a estratégia parlamentar, do PT e da frente de esquerda, se centrou em minar a reforma da previdência, buscando a aprovação de um projeto mais brando. Contando para isso com a direção burocrática das centrais sindicais, CUT e CTB, que se recusaram a unificar a luta contra a reforma da previdência à luta contra os cortes da educação, que tinha na juventude a vanguarda de resistência contra os ataques do governo Bolsonaro. Dessa forma, a partir da passividade das centrais sindicais, que tampouco organizaram qualquer plano de luta consequente contra a votação da reforma a partir da auto-organização pela base em cada local de trabalho, aprovou-se a reforma da previdência nos dois turnos com placares acachapantes, que estimulam o governo a aprofundar os ataques.

Também foi fundamental para a aprovação a atuação dos governadores petistas do Nordeste que não só se declararam favoráveis a reforma da previdência, como pediram em sua base aliada votos favoráveis, além de buscar a inclusão dos estados no projeto, ataque que deve ser retomado no Senado.

Essas novas manobras do governo para incluir a capitalização e os estados na reforma da previdência mostram o fracasso da estratégia petista de separação da luta parlamentar e da luta de classes, tendo como objetivo minar parcialmente a reforma. Somente uma estratégia que se apoie na força da mobilização da classe trabalhadora, organizada a partir de cada local de trabalho e estudo, pode barrar e revogar por definitivo esse brutal ataque do governo Bolsonaro. Para isso, visto a traição das centrais sindicais, é necessário batalharmos por uma pólo anti-burocrático em todos os sindicatos que coloquem essas ferramentas de resistência dos trabalhadores a serviço dos nossos interesses de classe.




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