Política

DESTRUIÇÃO DA AMAZONIA

Onyx afirma que "tem coisa mais importante para fazer" do que visitar a Amazônia

Onyx Lorenzoni, que faz parte do projeto de governo de Jair Bolsonaro, com sua agenda reacionária que favorece os grandes ruralistas em detrimento do meio ambiente e, portanto, da qualidade de vida dos brasileiros, quando questionado na última quinta-feira (22) sobre uma possível visita às áreas devastadas pelas queimadas que ocorreram no início da semana na Amazônia, afirmou que tem coisa mais importante a fazer na região.

sexta-feira 23 de agosto| Edição do dia

(imagem Onyx) Foto: Agência Brasil.

Nos últimos dias estamos acompanhando um crescimento significativo de notícias ao redor do mundo sobre mais uma tragédia capitalista no Brasil, que agora assola a região Norte do país, mais precisamente na Amazônia, considerada o pulmão do planeta Terra. O corredor de fumaça composto por matéria suspensa e fuligem das queimadas que nesta semana tomou conta do céu de São Paulo, parte do Mato Grosso do Sul e do Pará fez o dia virar noite quando o relógio ainda marcava 3h da tarde. Ambientalistas já comprovaram que não se trata de um fenômeno natural, e que uma análise mais profunda nos leva a entender que na realidade se trata de um dos efeitos da política predatória fortalecida por Bolsonaro em nome do lucro do agronegócio e da mineração (setores que colocaram bastante peso, e dinheiro, na eleição do atual presidente), política essa que está disposta a avançar para devastar o que estiver pelo caminho favorecendo aqueles que fizeram um investimento no projeto bolsonarista de governo.

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, quando questionado se viajaria à região para ver de perto as áreas de queimadas, afirmou que tinha outros compromissos no local: “Não, eu vou ver coisa mais importante. O projeto Acolhida, que nós estamos fazendo lá em Roraima”. Uma resposta demagógica para tentar dialogar com outro problema latente fruto da reorganização geopolítica imperialista no mundo, a problemática dos fluxos migratórios na América do Sul (e no mundo). O projeto Acolhida trata das questões acerca do acolhimento de venezuelanos no estado de Roraima.

Ele afirmou que a ostensiva cobertura midiática no mundo sobre o assunto seria uma pressão internacional para criar dificuldades comerciais ao Brasil e que o aumento das queimadas é uma "mentira europeia". Onyx ainda declarou que “é leviano o que vem sendo feito contra o Brasil", para ele as críticas à agenda ambiental do governo federal partiram de diplomatas brasileiros e funcionários do Itamaraty, "agredindo o Brasil apenas porque a maioria da sociedade brasileira escolheu Bolsonaro como presidente", como se o ataque ao meio ambiente nacional tivesse fundamento em seus devaneios persecutórios e não em resposta aos anseios do agronegócio sedento por mais terras para explorar e devastar. No mesmo dia em que Bolsonaro voltou a atacar, sem provas, as ONGs da região pelas queimadas na Amazônia, provocando a reação de países europeus que pedem maior cuidado do governo brasileiro com a floresta amazônica.


Foto: Agência Brasil.

O ministro segue suas declarações afirmando que o Brasil não precisa aceitar lição de outros países na preservação do meio ambiente e que os europeus têm duas razões para criticar o governo brasileiro. A primeira é que a esquerda europeia teria "migrado para a questão do meio ambiente" após a queda do muro de Berlim, sem sequer dar maiores detalhes sobre sua afirmação. A segunda razão pelas críticas seria para "estabelecer barreiras ao crescimento" comercial brasileiro. “Eu não vi matéria de ninguém, veículo algum, saindo para defender o Brasil na Europa. São mentiras ditas na Europa de que o Brasil é um país que desmata. O Brasil desmata, sim, mas não no nível e no índice que dizem” e reforça seu discurso raso defendendo o abstracionismo de seu chefe, “O presidente Bolsonaro está defendendo o Brasil. Nós temos que desfazer o que é discurso político do que verdadeiramente precisa ser feito. O Brasil é um país que cuida muito bem do seu ambiente”.

Enquanto isso, os governos imperialistas europeus estão longe de falar sobre o que houve na Amazônia com o intuito de defender a natureza contra as políticas de lucro que buscam destruí-la. Pelo contrário, estão pensando como farão para manter seus lucros visto a devastação de uma grande área de exploração.

Manifestações em todo o país e no mundo foram convocadas para rechaçar a destruição do nosso planeta de Bolsonaro, dos empresários e dos governos Europeus. Foi, também, organizado um abaixo assinado com mais de 4 milhões de assinaturas, deixando muito explícito o ódio e rechaço da população a esse projeto, e que fez Bolsonaro mudar o discurso e fingir que quer "proteger" a Amazônia.

O Brasil, que para o ministro afirma cinicamente estar sendo defendido por Bolsonaro, tem sido alvo de críticas pelo mundo todo sobre o aumento das queimadas e do desmatamento na floresta amazônica. Focos de incêndio subiram 146% no estado do Amazonas e 197% no Acre neste ano, em relação a 2018. Dados do Programa de Queimadas do Inpe, que usa imagens de satélite para monitorar os focos de calor no país, mostram que houve um aumento de 83% no número de incêndios florestais no Brasil entre 1º de janeiro e 19 de agosto de 2019 e o mesmo período do ano passado. Neste ano, o Inpe já detectou 72.843 queimadas no país, contra 39.759 no ano passado.

Nós, do Esquerda Diário e do Movimento Revolucionário de Trabalhadores lançamos recentemente uma declaração onde afirmamos que é preciso dar um basta à sanha predatória de Bolsonaro e dos capitalistas na Amazônia. A transformação dessa realidade está ligada a uma mudança radical da sociedade em que vivemos. Sabemos que não há conciliação possível entre uma produção voltada para o lucro e qualquer coisa parecida com a utilização racional e ambientalmente correta dos recursos naturais. Nessa sexta feira (23) devemos somar às manifestações convocadas, para dizer a Bolsonaro e aos seus aliados empresários que não admitiremos a destruição do futuro da humanidade e do planeta.




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