TRANSPORTES SUCATEADOS

Ônibus com defeito é colocado pra rodar e mata cinco pessoas em BH

quinta-feira 15 de fevereiro| Edição do dia

Imagem: TV Globo

O acidente aconteceu nesta terça-feira (13) e deixou cinco mortos e 18 feridos no bairro Mangueiras, na região do Barreiro, em Belo Horizonte, incluindo o motorista. Se é que podemos chamar de acidente, pois de acordo com uma funcionária, que não quis ser identificada temendo represálias da empresa, o veículo estava fraco e com problemas no freio. "O carro estava fraco, sem força para subir, e com o freio mascando. Foi recolhido para a garagem no início da tarde, mas voltou para a rua com a mesma avaria. Tanto é que uma das feridas no acidente, que teve alta hoje (quarta-feira), confirmou que o motorista gritou que estava sem freio antes do acidente".

Contou ainda que o mesmo veículo se envolveu em outro acidente no Anel Rodoviário em abril de 2017 devido ao mesmo problema de falha nos freios, atingindo um caminhão que seguia pela rodovia e deixando a cobradora ferida.

"O seu Márcio era um homem íntegro, trabalhador. Inclusive já estava há cinco anos aposentado, mas continuava para complementar a renda. Ele até falava que em julho agora ia parar de uma vez, já que o salário não é tanto. Mas temos que lembrar que o motorista exercia a dupla função, ele também cobrava passagem, dava toda uma assistência que deveria ser dada pelo cobrador. Ele já tinha comentado que estava bastante cansado", relembra a colega sobre o motorista morto no acidente de terça.

Segundo a mesma testemunha, o ônibus não tinha manutenção e o motorista trabalhava sozinho, acumulando, assim, também a função do cobrador.

“Qual vai ser a providência desse pessoal? O ônibus passou por vistoria em outubro e em maio passaria por outra, mas a questão é que o veículo é velho e não passava por manutenção. Em pleno Carnaval, as ruas cheias, você colocar um motorista para trabalhar sozinho é um absurdo", reclama.

A empresa TransOeste informou apenas que não irá se posicionar no momento, uma vez que está empenhada na solidariedade às vítimas. Na página do facebook, nenhuma nota sobre o acidente e diversas propagandas de renovação de frotas.

Comentários de usuários da TransOeste nas matérias de diferentes jornais sobre o acidente levantam diversas críticas às condições dos veículos da empresa envolvida, por exemplo, reportagens antigas que mostram até ônibus com volante preso com arame, bancos quebrados, dentre outros problemas que continuam até hoje. Também questionam a validade das fiscalizações, pois são facilmente manipuladas, e o afrouxamento das regras de trânsito quando se trata do transporte público pois, por exemplo, não é obrigatório usar cinto de segurança nem que todos os passageiros estejam sentados para o veículo andar.

A mobilidade urbana de péssima qualidade oferecida pelos empresários dos transportes (caros, super lotados facilitando casos de assédios sexuais, itinerários pensados por fora das reais demandas da população, poucos carros circulando, etc), transformam aquilo que deveria ser um direito, como o direito à cidade, em um negócio altamente lucrativo. Empresários que patrocinam campanha dos políticos eleitos (ou estes próprios) “ganham” uma licitação, boa parte de recursos públicos para operarem e, além de todo o lucro proporcionado pelo alto preço das tarifas, buscam lucrar ainda mais através do sucateamento dos instrumentos e das relações de trabalho, um contexto ainda mais favorável com a aprovação da reforma trabalhista pelo governo golpista. Neste caso, a falta de manutenção e conserto do veículo, o corte de postos de trabalho, como dos cobradores (que obriga o motorista a exercer dupla função), fez os 4,05 reais da tarifa ainda mais caros: custou a vida de cinco pessoas e 18 feridos.

Os empresários donos da TransOeste e a prefeitura de Belo Horizonte são responsáveis por essas pessoas mortas e feridas. Todo transporte deveria ser estatizado e controlado por aqueles que mais o conhecem e dele necessitam: funcionários e população usuária. É necessário retirar nosso direito a ir ao médico, mercado, trabalho, lazer, etc. das mãos daqueles que não enxergam em cada passageiro uma pessoa, mas um cifrão. Somente assim situações de descaso e negligências como essa não acontecerão mais, somente assim o transporte será de fato de qualidade.




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