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Onde está o menino Lucas?

No último dia 11/11 um menino de 14 anos que estava na porta de casa desapareceu e não voltou mais. A última coisa que sua mãe escutou foi a voz de Lucas dizendo “eu moro aqui”.

sexta-feira 15 de novembro| Edição do dia

O irmão de Lucas contou seu depoimento para a polícia que o menino estava na casa da tia logo antes de desaparecer e se dirigia para sua casa. "Ela disse para ele voltar para casa porque eu estava para chegar do trabalho." Quando olhou pela janela viu vários policiais militares, que falaram com a mãe dos meninos e perguntaram se podiam entrar na casa. Logo antes dos policiais baterem na porta a mãe ouviu Lucas dizendo que morava ali e nunca mais souberam do paradeiro do menino.

A família saiu pelo bairro procurando o menino e horas depois encontraram um morador de rua com a blusa que Lucas usava no momento que desapareceu. De lá para cá, os moradores fecharam Av. São Bernardo que fica próxima à casa de Lucas em protestos em que exigem saber onde está o menino. No dia seguinte ao sumiço de Lucas, a polícia reprimiu moradores e familiares que expressavam sua dor e revolta, num ato que mostra claramente o conteúdo racista da polícia.

Infelizmente, o desaparecimento de Lucas não é uma novidade dentro da população pobre e negra de São Paulo, todos conhecem bem a atuação da polícia nas periferias e comunidades. Na própria comunidade onde vive o menino Lucas, os moradores denunciaram sofrer agressões e ameaças e algumas mães relataram saber que poderia ter sido o filho delas o desaparecido, poderia ter sido qualquer jovem que mora ali.

Na escola em que Lucas estuda, professores e alunos estão consternados e muito preocupados. A escola de Lucas, que atende crianças e adolescentes pobres, com inúmeros problemas sociais e crianças que chegam a passar até fome, está em estado de choque e consternação. Os professores tentam confortar seus alunos, mas sabem assim como eles, que poderia ter sido qualquer um deles. Até mesmo os menores choram e tem consciência que eles são como Lucas e devem atender aos chamados de cuidado que pais e mães vem transmitindo desde terça feira.

A escola acaba sendo um refúgio para esses meninos e meninas que vivem em meio à violência policial, ao tráfico, ao consumo de drogas. E é ali que eles expressam sua dor, nos últimos dois dias os alunos fizeram cartazes e escreveram nas paredes da escola que querem saber onde Lucas está.

Desde o início do ano, a polícia paulista tem registrado aumento no número de mortos. Um a cada três homicídios registrados no estado neste período tem policias - civis ou militares - como autores. Das 1392 mortes intencionais ocorridas, 426 foram pelas mãos da polícia.

Ao fechar essa nota um corpo foi encontrado no Parque do Pedroso em Santo André, as características são parecidas com as de Lucas, mas ainda não existe confirmação. A dor e a revolta da família e da comunidade é enorme e deve se transformar em revolta, não podemos aceitar que a juventude pobre e negra siga sendo morta todos os dias pelas mãos da polícia e do estado.

Onde está o menino Lucas? Nos solidarizamos a sua família, amigos e comunidade e queremos saber quem são os responsáveis por esse desaparecimento.




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