Política

LISTA DA ODEBRECHT

Onde está Wally Tucano da lista da Odebrecht na grande mídia?

Adriano Favarin

Representante dos trabalhadores no Conselho Universitário da USP

quinta-feira 24 de março de 2016| Edição do dia

Na década de 90 ficou muito famoso o personagem Wally do livro de ilustrações infanto-juvenil. No livro o leitor encontra ilustrações que ocupam duas páginas inteiras, nas quais em algum lugar está escondido Wally, personagem central da série. A mesma tarefa de busca ocorreu hoje para aqueles que quiseram encontrar na grande mídia os nomes dos políticos do PSDB citados nas planilhas da Odebrecht. E não foi por falta de tucanos envolvidos.

O Jornal Estado de São Paulo de hoje, 23/03/2016, traz a matéria “Superplanilha da Odebrecht indica repasses a 279 políticos de 24 partidos”. Diferente do tom seletivo de acusação ao tratar de políticos de determinados partidos, a chamada aponta que juiz Sérgio Moro diz, nesse caso, ser “prematura conclusão quanto à natureza dos pagamentos”.

É curiosa a seletividade da transmissão de informações pelo “Estadão”. Em determinados casos, a presunção da culpa movimenta toda a matéria, em outros, “não [haveria] nenhm indicativo de que os pagamentos [seriam] irregulares ou fruto de caixa 2”! Para onde pretende direcionar seus canhões e levantar seus escudos, o “Estado de São Paulo”?

Na continuidade da matéria vai ficando ainda mais evidente o tratamento diferenciado dado aos diferentes partidos envolvidos na “superplanilha”. Mesmo com um gráfico em que demonstra a quantidade de nomes de cada partido – PT com 75, PMDB com 45 e PSDB com 33, para citar os mais envolvidos –, a matéria pouco fala dos políticos do PSDB envolvidos, e olha que não é peixe pequeno: estamos falando dos três caciques presidenciáveis para 2018 – Geraldo Alckmin, José Serra e Aécio Neves!

A blindagem feita pelo Estadão dos nomes dos políticos do PSDB envolvidos não é à toa. Há duas semanas esse jornal tomou postura aberta na defesa do impeachment da presidente Dilma Rousseff, a partir da supervalorização dos atos do dia 13 de março chamados pela FIESP e pelos partidos da oposição de direita e dos editoriais e matérias incentivando os cenários pós-Dilma com Michel Temer e alianças com José Serra e a oposição de direita.

Fica mal para a grande mídia ver seus pupilos de uma possível transição pós-impeachment da presidente Dilma se envolverem no rodamoinho de lama em que se afunda todo o sistema político da Constituição de 1988. Resta saber se essa tentativa de blindá-los, para garantir que o processo de impeachment restabeleça a força das instituições do regime, terá o acordo do “Partido Judiciário”.




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