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Guerra na Ucrânia | Onda de fechamentos e demissões: a classe trabalhadora russa paga pelas sanções da UE e EUA

Inditex despede 9 mil empregados. Ikea outros 12 mil. McDonald’s vai embora e deixa 62 mil. PepsiCo soma 60 mil. Já são mais de 300 as empresas que decidem sair ou restringir atividades.

quarta-feira 9 de março | Edição do dia

Foto: EFE/EPA/YURI KOCHETKOV}

Na tarde desta terça-feira, algumas das empresas emblemáticas do capitalismo anunciaram seu fechamento ou limitação de atividades na Rússia. McDonald’s, Coca-cola, Pepsi e Starbucks fecharam seus restaurantes ou retiraram suas conhecidas bebidas das estantes dos supermercados. Se somam a uma lista de 300 multinacionais que têm tomado decisões ao mesmo sentido, as quais se encontram Amazon, Ericsson, Ikea ou Inditex.

Os grandes meios de comunicação dão a notícia com uma dissimulada alegria belicista: “um novo golpe ao inimigo”. Mas não é necessário fazer um grande exercício de empatia para entender o que uma decisão assim representa para milhares de trabalhadores.

Basta que trabalhe, tenha trabalhado ou conheça alguém que trabalha servindo hambúrgueres, entregando pacotes, em uma loja de roupa, de móveis ou eletrodomésticos, como operário em uma fábrica… Basta ser parte da imensa maioria social, a classe trabalhadora, para que se entenda o que significa que de um dia para outro sua empresa decida fechar e ir embora.

Se ao fato de ficar desempregado se acrescenta o de viver sob um regime autoritário e em meio a uma desvalorização histórica de sua moeda, com rebaixamento do poder de compra dos salários, fruto desta e de outras medidas da guerra econômica, já sabe que te acabam de condenar à miséria.

Não se conhece ainda o volume de demissões totais. Mas, atendendo ao tamanho dos quadros de funcionários destas multinacionais, a Rússia vive uma onda de demissões de proporções estratosféricas.

Somente o McDonald’s conta com 62 mil trabalhadores, Starbucks com 2 mil do quadro direto (não inclui dados dos restaurantes franqueados) e Pepsi com 20 mil em suas fábricas e 40 mil no campo, o terceiro país depois dos Estados Unidos e México de maior implantação para a companhia. O "filantropo" Amancio Ortega segue somando boas ações com o fechamento de 500 lojas e a demissão de 9 mil empregados diretos. Ikea, a marca “cool” do desmatamento, deixará na rua outros 12 mil.

Alguns executivos destas companhias pretendem suavizar as consequências de sua decisão prometendo “manter o salário de seus empregados”, como McDonald’s. Mas se o conflito se prolongar, esta medida ficará suspensa. Starbucks se limita a prometer que dará “apoio”, sem concretizar como. A Pepsi, no momento, manterá alguns postos de trabalho ligados à produção de produtos alimentícios básicos, ainda que não tenha quantificado. Tampouco descarta seu fechamento total se o conflito se prolongar.

Deixar faminta a população do inimigo: esta é a consigna da União européia (UE) e da OTAN. A bateria de sanções aprovadas pela UE e Estados Unidos, como já acontece no caso do Irã ou Venezuela, golpeará diretamente a classe trabalhadora e os setores populares da Rússia.

Além disso, como advertia Trotsky diante das sanções de Chamberlain contra o México de Lázaro Cárdenas nos anos 30, “o boicote, como é sabido, sempre envolve o auto-boicote”. Os efeitos desta guerra econômica já se começam a notar numa escalada de preços nos próprios países imperialistas, onde a classe trabalhadora está vendo seus salários começarem a se dissolver como não se via desde a crise dos anos 70. Diante disso, governantes “progressistas” como Pedro Sánchez pedem aos trabalhadores que se preparem para grandes “sacrifícios”.

E como já estão alertando diferentes organizações humanitárias, como Save The Children, as consequências nos mercados de cereais podem conduzir a crises alimentares muito grandes em regiões inteiras como no norte da África ou Oriente Médio.

Se opor à invasão russa na Ucrânia e a escalada bélica do imperialismo europeu e estadunidense é portanto também se opor a esta outra forma de guerra, a guerra econômica. Desde os países imperialistas não basta se opor ao envio de soldados e armas da OTAN para o leste da Europa. Muito menos levantar, como fazem organizações pacifistas como Podemos, que a alternativa ao belicismo são as sanções e os bloqueios da fome.

Da mesma forma que a classe trabalhadora deve lutar em cada país contra o belicismo dos nossos governos, e estimular uma luta independente destes contra a invasão russa na Ucrânia, temos que nos opor alto e claro a todas estas sanções que pretendem fazer os trabalhadores e povos do mundo pagarem os custos de sua guerra.




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