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Olimpíadas Rio 2016 e México 68: dois espetáculos que em comum escondem massacres e a revolta da população

Por trás da imagem que o poder público insiste em divulgar ao mundo de um Brasil pacífico e cheio de beleza e de uma população feliz e pronta para receber os turistas, estão muitos problemas que as autoridades querem varrer para debaixo do tapete.

quarta-feira 3 de agosto| Edição do dia

Estamos a dois dias da abertura dos Jogos Olímpicos 2016. Mas isso não significa que a nação está em festa como querem nos fazer acreditar os governantes e organizadores do evento. Há meses, desde o anúncio da cidade do Rio de Janeiro como sede das olimpíadas, a população vem demonstrando sua insatisfação por saber que seria gasto muitos bilhões em dinheiro público com o evento, valor que seria retirado de áreas fundamentais como saúde e educação e beneficiaria, principalmente, as bilionárias construtoras brasileiras que seriam envolvidas nas obras.

Nos meses que se seguiram, ocorreram manifestações de repúdio ao evento que seria realizado sobre as ruínas de um estado quebrado economicamente, que não respondeu minimamente à demandas de simples solução como o surto de Zika Vírus, que poderia ser combatido com melhoria em saneamento básico e ampliação do atendimento médico; e de um poder público que determina absurdos como que turistas sejam atendidos prioritariamente à população nos postos de saúde. Moradores de cidades como São Gonçalo e Angra dos Reis saíram às ruas e conseguiram impedir a passagem da tocha olímpica. É neste clima de insatisfação e revolta que serão abertos os Jogos Olímpicos nesta sexta-feira.

É neste ponto que encontramos a semelhança entre as Olimpíadas do México em 68 e Rio 2016: a tentativa do poder público em encobertar a insatisfação popular pelo contexto incoerente em que os jogos são realizados, usando, inclusive, a violência e repressão policial. Na cidade de Tlatelolco no México, em outubro de 68, ocorreu um massacre que ficou mundialmente conhecido quando a dez dias da abertura das olimpíadas naquele país o exército abriu fogo contra os estudantes da Universidade Autônoma do México e do Instituto Politécnico Nacional que faziam uma manifestação pacífica pela democratização do país, libertação dos presos políticos, contra um governo autoritário e a desigualdade social gritante naquela época. Nesse massacre, mais de 300 pessoas foram assassinadas.


Imagens dos estudantes mexicanos

Assim como o Estado Mexicano conferiu impunidade ao seu exército para proteger a imagem fantasiosa de um país desenvolvido durante as Olimpíadas, o que permitiu que até hoje os assassinos estejam livres, no Brasil a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei, criado pelo deputado Esperidião Amim (PP-SC), que determina um julgamento privilegiado aos militares que cometerem assassinatos durante o período das Olimpíadas, sendo julgados não por um júri popular mas pela justiça militar, abrindo o principal precedente para a impunidade sobre qualquer crime que for cometido contra a população por policiais nas Olimpíadas.

Assim como a juventude mexicana foi massacrada para esconder que naquele país o governo se preocupava não com os problemas sociais, mas sim em manter as aparências para receber os turistas durante as Olimpíadas, no Rio de Janeiro a juventude negra também vem sendo massacrada há muito tempo, desde a criação das UPPs, que foram anunciadas como “uma preparação para os jogos, uma ‘limpeza’ da cidade”.

Devemos enfrentar esses governos que orquestraram essa verdadeira festa olímpica do desemprego, crise na saúde e educação, com a mesma coragem dos estudantes mexicanos que lotaram as ruas aos milhares em 68. Nos levantar contra esse Estado Capitalista que, com sua negligência, todos os dias permite a morte de trabalhadores, idosos e crianças nos hospitais sucateados, que promove massacres da juventude negra como solução dos problemas que ele mesmo criou com seu descaso e que tenta esconder a todo custo nossa revolta com uma gestão que não nos representa e nem atende minimamente nossas necessidades básicas como saúde e educação.




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