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Oligarca do Rio Grande do Norte, Henrique Alves tem longa trajetória de corrupção

terça-feira 6 de junho| Edição do dia

A Polícia Federal prendeu na manhã de terça-feira (6/6) o ex-deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), ex-ministro de Dilma Rousseff e de Michel Temer. Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ex-deputado já preso em Curitiba, também recebeu novo mandado de prisão. Estas ações fazem parte da Operação Manus, um desdobramento da Lava Jato, que apura atos de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a construção da Arena das Dunas, em Natal, um dos estádios oficiais da Copa do Mundo de 2014. O Ministério Público identificou sobrepreço de R$ 77 milhões na construção da Arena.

Henrique Alves tem uma longa trajetória, junto ao nome da família, pela política nordestina. Foi deputado federal por 11 mandatos consecutivos pelo Rio Grande do Norte e presidente da Câmara dos Deputados de 2013 a 2015. Foi o ministro do turismo entre 2015-2016 no governo Dilma Rousseff e voltou ao cargo após o golpe institucional, com Michel Temer. Ele deixou o Governo Temer em junho de 2016, após ser citado na delação de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, acusado de ser agraciado em um esquema de propinas na Petrobras. O ministro era considerado um dos fiéis aliados de Temer na Esplanada dos Ministérios. Por essa razão, assessores do presidente interino ressaltaram que foi o próprio Alves quem pediu demissão, e não que ele foi demitido.

Alves vem de uma família de oligarcas do Rio Grande do Norte, políticos donos de terras e de extenso conglomerado de mídia, que inclui rádios, televisão e jornais (como o Tribuna do Norte, principal jornal do estado). A família rival dos Alves, os Faria, hoje controla o governo do estado através de Robinson Faria. Seu pai, Aluízio Alves, foi deputado, ministro dos governos de José Sarney e Itamar Franco, e governador do Rio Grande do Norte. Seu primo, Garibaldi Alves Filho, foi senador; e outro primo, Carlos Eduardo Alves, foi várias vezes prefeito de Natal.

Já em 2013, quando foi presidente da Câmara dos Deputados, pululavam denúncias contra o oligarca potiguar. Naquele ano, a Folha de S. Paulo revelou que o patrimônio declarado de Henrique Alves à Justiça Eleitoral havia dobrado entre 2006 e 2010. Passou de R$2,8 milhões para R$5,6 milhões, incluindo dois imóveis de luxo em 2009 e 2010.

Esse enorme montante cresceu ainda mais com a inauguração do Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante, próximo a Natal, que foi feito em terras do próprio Henrique Alves (que estivera até então "obcecado" pela construção do aeroporto nesta região).

Mas outras acusações já banhavam o currículo do peemedebista potiguar. Segundo o Congresso em Foco publicou em 2004, Alves mantinha milhões de dólares em uma conta ilegal no exterior. Em 2002, quando era cogitado para ser vice na campanha de José Serra para a presidência, foi descartado quando sua ex-mulher denunciou o valor de R$15 milhões em contas estrangeiras.

Em 2013, a Folha publicou que Henrique Alves destinava recursos de emendas parlamentares à empresa de um de seus assessores na Câmara dos Deputados, Aluizio Dutra de Almeida, que é sócio da Bonacci Engenharia e Comércio Ltda. O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) teria pagado R$ 1,2 milhão à empresa do assessor de Alves.

Também em 2013 "O Globo" noticiou que Henrique Alves usava sua verba de gabinete "para abastecer o carro em um posto de gasolina que doou dinheiro para a sua campanha em 2010". De acordo com a publicação, em 2011 e 2012, o posto Jacutinga, em Natal, recebeu R$ 50.548 da Câmara dos Deputados.

A lista vai longe, e envolve até mesmo a utilização da Caixa Econômica Federal para patrocínio de clubes tradicionais do RN. O judiciário, que conhecia todas essas acusações há mais de uma década, não havia movido dedos atrás do oligarca potiguar. Não surpreende, uma vez que o objetivo de operações como a Lava Jato não é terminar com a corrupção, mas estabelecer um novo padrão de corrupção que recomponha o regime político capitalista (esta busca por recomposição hoje rifa - ainda que temporariamente - um dos principais caciques do PMDB do Nordeste).

Nenhuma confiança pode ser conferida ao Judiciário golpista e à Lava Jato para resolver os problemas nacionais. A nova greve geral está marcada para o dia 30 de junho pelas centrais sindicais, e a tarefa dos trabalhadores do Nordeste é transformar esta jornada num contundente pronunciamento político, para derrubar Temer e suas reformas, uma batalha de vida ou morte contra os anseios desta oligarquia política de descarregar o peso da crise em nossas costas.

Batalhar contra o governo e esse congresso de corruptos e vendidos significa colocar de pé uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, mudando as regras desse jogo político e lutando para eleger representantes entre os próprios trabalhadores, entre os que estão na luta diária conosco. Nessa assembleia constituinte nossa primeira tarefa será anular todas as reformas antipopulares (como a trabalhista e da previdência), a PEC 241/55 e estatizar com controle dos trabalhadores cada empresa que tenha se metido nos esquemas de corrupção; será de fazer com que os políticos tenham o mesmo salário que uma professora e possam ser revogáveis; de garantir emprego e salário decente para todos. Tudo isso pode ser garantido com a força dos trabalhadores.




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