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Oito anos de polícia na USP: menos segurança, mais repressão

segunda-feira 6 de novembro| Edição do dia

A primeira vez desde a ditadura militar, que a polícia entrou na universidade e interferiu em questões políticas da USP foi em 2007, durante a gestão do reitor João Grandino Rodas. Neste dia, a tropa de choque reprimiu estudantes e movimentos sociais que manifestavam pacificamente, no largo São Francisco, pela a erradicação do analfabetismo e o aumento de vagas na universidade. Mais de 200 pessoas foram presas por lutar.

Em 2009 a então reitora Suely Vilela firmou um convênio com a PM que garantia sua livre circulação no campus. Em 2011, na gestão Rodas, a presença da polícia passou a ser mais ostensiva e três estudantes foram presos na FFLCH, o que desencadeou uma grande greve contra a presença da polícia, denunciando seu caráter elitista e repressor. Com o objetivo de colocar um fim na ocupação da reitoria, foi chamado um efetivo com 400 militares, cavalaria, canil e bala de borracha. A polícia chegou a espancar e torturar estudantes. Foi tão ostensivo que nem na ditadura militar houve algo do tipo. 72 estudantes foram presos por lutar.

Esses episódios e diversos outros que a polícia entrou no campus para reprimir manifestações, escancaram o real motivo da presença da polícia na USP. Ao contrário do previsto quando o convênio foi firmado, os assaltos e furtos aumentaram e não impediu nem diminuiu casos de assédio e violência.

A cada dia, a presença da polícia se torna mais ostensiva e não está descolado com o cenário nacional de ataques. No dia 7 de março deste ano, uma manifestação de estudantes e funcionários, contra a chamada PEC do fim da USP, foi brutalmente reprimida com muita bomba de efeito moral, chegando ao absurdo de uma trabalhadora da creche ter o rosto chutado por um PM. Dia 28 de Abril, dia da greve geral, a comunidade USP foi alvo da repressão policial após fechar o cruzamento da Rebouças com a Francisco Morato. Ao voltar para universidade fugindo das bombas, a polícia perseguiu estudantes pelo Campus até entrar na FFLCH com pedras e paus.

Além de estar nos atos, a polícia é frequente nas entradas de acesso à universidade que estão cada vez mais restritas. Na entrada da São Remo enquadros a moradores da região, estudantes e funcionários são frequentes, principalmente a negros. O que escancara o caráter racista e elitista da polícia. Somado a isso, a polícia e a guarda universitária monitora e vigia qualquer atividade e iniciativa do ME, como assembléias e atividades (como demostraram os documentos encontrados na reitoria em 2011 que continham longos fichamentos sobre o movimento estudantil). Isso não é sinônimo de segurança, é sinônimo de perseguição política.

Ser contra a polícia no campus é defender o movimento estudantil e de trabalhadores. A polícia está na USP para reprimir aqueles que lutam e para manter a população preta e pobre fora dela.

Por isso, somos contra a polícia e rechaçamos a perseguição e repressão dentro e fora da USP.




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