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Ofensiva golpista na Venezuela: EUA irá impor sanção a empresa PDVSA e congelará suas contas

Assim foi anunciado pelo Departamento do Tesouro. Maduro afirmou que buscará respostas legais. Além disso, John Bolton voltou a fazer um chamado aos militares venezuelanos para que apoiem a tentativa golpista.

terça-feira 29 de janeiro| Edição do dia

Nesta segunda-feira, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou uma série de sanções contra a empresa petroleira estatal venezuelana PDVSA.

A medida anunciada pelo governo de Trump implica que todos os bens e posses da empresa petroleira que forem encontrados e estejam sujeitos à jurisdição dos EUA, serão bloqueados. Ao mesmo tempo proíbe que os cidadãos e empresas dos Estados Unidos realizem transações com a empresa PDVSA.

No comunicado difundido pelo governo dos EUA são citadas declarações de Steven Munchin, secretário do Tesouro, que indicou que “a designação de hoje ajudará evitar que Maduro desvie mais os ativos da Venezuela (...). O caminho para aliviar as sanções ao PDVSA é através da transferência expedita do controle ao presidente interino ou a um governo posterior, eleito democraticamente”.

O assessor de segurança nacional, John Bolton, afirmou que “esperamos que as medidas desta segunda-feira bloqueiem U$7 bilhões em ativos além de mais de U$11 bilhões em exportações perdidas ao longo do próximo ano”.

No que parece um chamado às Forças Armadas venezuelanas, o comunicado indica que “as sanções não têm por que ser permanentes, (...) podemos anular as sanções para aqueles que tomem ações concretas, significativas e verificáveis de apoio à ordem democrática e combate à corrupção na Venezuela, incluindo a empresa PDVSA”.

A justificativa emitida pelo Departamento do Tesouro é uma série de irregularidades cometidas por funcionários da petroleira e do governo da Venezuela entre os anos 2011 e 2015. A “demora” em realizar sanções é explicada como parte da manobra de mudança de regime em curso.

A decisão da administração norte-americana demarca uma ofensiva golpista que avançou bastante desde quarta-feira passada, quando o legislador Juan Guaidó se autoproclamou “presidente legítimo” da Venezuela, obtendo um imediato reconhecimento do governo de Donald Trump e dos mandatários direitistas de vários países latino-americanos, incluindo Jair Bolsonaro.

Essa ofensiva golpista é facilitada pela crise social e econômica aguda na qual o país se encontra, resultado da gestão de Maduro e do chavismo. Sobre a base de utilizar demagogicamente o amplo desconteto social, os EUA tentam avançar posições na região de conjunto.

Horas mais tarde a resposta de Nicolás Maduro chegou. Foi dada durante uma reunião que o presidente teve com o corpo diplomático venezuelano que cumpriu tarefas nos EUA até o momento e que declarou o fim das relações entre ambos os países.

A reunião, que foi transmitida por meios associados ao oficialismo, serviu para que Maduro apresentasse uma resposta à decisão do Departamento do Tesouro sobre a empresa PDVSA. Apontou que as sanções “são ilegais, imorais e criminais”. Além disso, indicou que sua gestão buscará “respostas legais”.

“Dei as instruções precisas ao presidente do PDVSA de iniciar as ações políticas e legais, diante de tribunais dos EUA e do mundo, para defender a propriedade e a riqueza de Citgo (subsidiária da empresa PDVSA)”, declarou.

Um novo chamado às Forças Armadas

Durante a jornada também houve declarações de John Bolton interpelando às Forças Armadas da Venezuela. “Pedimos ao exército venezuelano e às forças de segurança que aceitem a transição pacífica, democrática e constitucional do poder”, afirmou o assessor de Segurança Nacional da gestão de Trump.

A pressão exercida internacionalmente e pela direita venezuelana encabeçada por Juan Guaidó, busca conseguir fracionar as Forças Armadas. Até o momento, no marco da crise nacional em curso, essa instituição é o pilar fundamental de apoio do governo de Maduro.




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