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Ofensiva discriminatória contra a comunidade latina depois do triunfo de Trump

Segundo uma investigação da revista digital Social Science & Medicine – Population Health, 68% dos homens e mulheres latinos reportaram ter sofrido discriminação, mais que o dobro de uma década atrás.

sexta-feira 9 de dezembro de 2016| Edição do dia

O estudo foi publicado esta terça-feira, 6 de dezembro. A taxa de discriminação reportada pela comunidade latina (68%) é similar à da comunidade afro-americana e representa mais que o dobro que em 2003, quando chegava a 30%.

Nos estados com políticas anti-imigratórias mais duras, como Arizona, é onde mais se estende este fenômeno reacionário. Segundo Joanna Almeida, professora assistente de serviço social no Simmons College de Boston e diretora do estudo, as relações entre discriminação e políticas anti-imigração são “arrepiantes” e ratificam a linha dura do presidente eleito Donald Trump.

Recentemente também se deu a conhecer que circulam cédulas de dólar com a frase “Mexicanos: a versão humana de ratos”, outra expressão da onda de xenofobia que se desatou no gigante do norte.

O milionário misógino e xenófobo prometeu durante sua campanha deportações massivas dos 11 milhões de imigrantes que estão nos Estado Unidos sem autorização, junto com a construção do muro na fronteira com o México.

É em tempos de crises econômicas quando mais se endurece a política contra os imigrantes em todo o mundo. Marine Le Pen, líder da direita francesa, acaba de declarar que não haverá educação gratuita para os filhos dos imigrantes sem documentação. Uma forma perversa que tem o grande capital para degradar cada vez mais as condições de vida e de trabalho do conjunto da classe operária.

Foi desde os ataque de 11 de setembro de 2001 que foram aprovadas distintas medidas anti-imigrantes, como a lei do Arizona que determina que a polícia peça os documentos de pessoas suspeitas de estar de forma ilegal nos Estados Unidos. Durante as administrações de Barack Obama se registraram 2,9 milhões de deportações, junto com a militarização da fronteira e a criminalização e superexploração dos imigrantes, uma política que Trump quer aprofundar.

O estudo em questão usou dados da Pesquisa Nacional de Cuidado de Saúde dos Latinos, uma pesquisa telefônica com 800 adultos latinos de 2013, entre os quais a maioria eram mexicanos, seguidos de porto-riquenhos e cubanos. Aproximadamente a metade nasceu no estrangeiro e nove de cada dez eram cidadãos estadunidenses ou residentes permanentes legais. Todos estão em risco ante o ascenso de Trump, que empregou um discurso de ódio contra os imigrantes, para dividir a classe trabalhadora, as mulheres e a juventude.

Mais que nunca é necessário que se teçam laços solidários entre a comunidade latina, a afro-americana e a classe trabalhadora branca anglo-saxã, já que todos sofrem as consequências nefastas da crise que geraram Trump e o conjunto dos empresários. Que a crise seja paga pelos milionários, eles a provocaram.




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