Política

ODEBRECHT

Odebrecht paga propina para garantir seus interesses junto a qualquer governo

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

quinta-feira 27 de outubro| Edição do dia

O delegado Fillipe Hille Pace, da força - tarefa da Lava Jato em Curitiba, acusou a empreiteira Odebrecht de pegar propinas para obter contratos e "garantir seus interesses" em "qualquer governo de qualquer esfera da administração pública". Os ataques a Odebrecht ocorrem em meio a negociação do maior acordo de delação premiada entre a Procuradoria Geral da República e dezenas de empresários, incluindo o próprio Marcelo Bahia Odebrecht, presidente afastado e na prisão da Lava Jato desde 19 de junho de 2015.

De acordo com o delegado da operação que assinalou um despacho de 289 páginas que indiciou o ex-ministro Antonio Palocci e Marcelo Odebrecht: “A Odebrecht pagava propina para consecução de contratos e para garantir seus interesses junto a qualquer governo de qualquer esfera da administração pública, demonstrando-se, assim, novamente, que a corrupção era e é multipartidária e sistêmica”.

Esta não é a primeira vez que a Lava Jato em Curitiba aponta a suspeita de vários crimes envolvendo a Odebrecht. No Dia em que foi deflagrada a Operação Omertá, em 26 de setembro, a Policia Federal abriu um novo inquérito para as suspeitas de irregularidades envolvendo a empreiteira em 38 obras pelo País. Na ocasião, o próprio delegado Filipe Pace disse a imprensa que a operação ja tinha um rico conjunto de provas e que o depoimento de Marcelo Odebrecht, não era imprescindível.

As negociações da Procuradoria Geral doa República com o grupo empresarial deve implicar centenas de políticos de vários partidos

De um lado, a delação da empreiteira Odebrecht mostra os acordos espúrios que acontecem entre políticos da ordem e os grandes empresários. O Estado hoje está a serviço de empresários como Marcelo Odebrecht, que são favorecidos por varias benécias independente de quem esteja no governo. Mostra que por trás dos casos de corrupção envolvendo diversos governos, tem uma logica de transformar a ’’maquina pública’’ num verdadeiro balcão de vendas para empresários e banqueiros.

Quando foi governo, o PT assimilou muito bem os métodos da direita ao fazer acordos com estes grandes empresários e também com os políticos de direita. Por sua vez, o governo golpista de Michel Temer é extremamente corrupto, pois está extremamente ligado com os grandes empresários e banqueiros. Como sabemos, inúmeros homens de confiança de Michel Temer está envolvido com algum caso de corrupção.

Ao mesmo tempo que esta denúncia mostra a podridão do regime, do outro lado abre brecha para que a Lava Jato vire uma Mãos Limpas Brasileira. Conforme escrevemos neste texto aqui, caso Michel Temer não consiga implementar as medidas impopulares que estava prometendo, a Turma do Sergio Moro avançara também contra o seu governo. Neste sentido, a Lava Jato se apoiando no fato de que grande maioria dos políticos da ordem estão envolvios em algum caso de corrupção com esta empreteira, ela pode avançar para trocar os políticos da ordem e colocar alguém no governo que aprofunde o caratér neoliberal do regime.

A operação Lava Jato não pode ser a saída para podridão do regime em que ela faz parte. Somente a luta dos trabalhadores em conjunto com os demais setores populares da sociedade pode oferecer uma saída efetiva para a crise política e econômica que o país está passando.




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