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LAVA JATO

Odebrecht estuda pedir falência: a ofensiva do judiciário em defesa do capital imperialista

A Lava Jato continua sendo saudada pela mídia patronal e até por setores da esquerda, como Luciana Genro, como a "grande solução" contra a corrupção no Brasil. Com as recentes delações da Odebrecht aceitas, os escândalos vem à tona e a empreiteira multinacional estuda pedir falência. Quem se beneficia com o fim de seu esquema de corrupção de décadas e que envolvia todos os partidos patronais e seus políticos?

Fernando Pardal

@fepardal

terça-feira 18 de abril| Edição do dia

A Odebrecht sofreu uma devassa feita por Sergio Moro e a Lava Jato em seus esquemas de corrupção. As delações de seus executivos que foram agora reveladas - seletivamente e de acordo com as vontades de Fachin e do STF, é claro - mostraram a imensa amplitude de seus acordos envolvendo todo tipo de corrupção. Desde os presidentes das casas parlamentares, passando por Temer e por todos os governos anteriores, de Fernando Henrique a Lula (que, aliás, tinha uma relação de confiança com a Odebcrecht muito anterior, como mostram os relatos sobre sua missão de acabar com greves nos anos 1970.

Fachin, relator da Lava Jato no STF, soltou a nova "bomba" com sua lista de novos inquéritos, envolvendo todo o primeiro escalão do governo Temer, e influentes políticos de todos os partidos, incluindo PT, PMDB e PSDB, mas deixando de fora nomes bastante citados em delações, como o de Geraldo Alckmin, pretendente ao posto de presidente em 2018.

O cinismo dos políticos delatados foi bem expresso pelo pelego Paulinho da Força, que disse que "quem não apareceu na lista de Fachin está desprestigiado". Só foram poupados da delação (ou pelo menos da divulgação seletiva feita pelo judiciário) os governos militares, que na verdade foram os grandes responsáveis por erguer a Odebrecht de uma pequena empreiteira nordestina ao patamar de imenso monopólio nacional.

Se os milicos foram os "padrinhos" da primeira onda de crescimento da Odebrecht, foi Lula que garantiu em grande medida interesses da empreiteira em se internacionalizar, beneficiando seus negócios em Cuba, por exemplo. Agora, as delações e inquéritos que mostram a todos o tamanho da presença dos esquemas de corrupção da Odebrecht na política brasileira estão afetando imensamente o grande império construído ao longo de décadas de exploração e negociatas. A ponto de que o gigante monopólio esteja considerando pedir recuperação judicial.

Não apenas no Brasil, mas no exterior os negócios estão mal para a Odebrecht, que está sendo processada em 13 países, e acaba de receber multa de US$ 2,6 bilhões. intenção inicial do juiz era que a multa fosse de US$ 4,5 bilhões, mas após analisar as finanças da empresa (que perdeu dois terços de seu valor desde o início da Lava Jato), concluiu que não poderia arcar com esse valor. A investigação nos EUA também levou a que diversos países onde a Odebrecht tem negócios bloqueassem as contas da empresa. Esse processo é fruto da cooperação secreta e ilegal do Ministério Público Federal com os Estados Unidos e o Banco Mundial, deixando claro que o todo-poderoso judiciário se sente bastante à vontade para passar por cima das leis quando é para atender a seus interesses.

A dureza contra a Odebrecht e a generosidade com as estrangeiras

A imagem que o MPF e o Judiciário tentam emplacar é de um combate sem trégua contra a corrupção. Mas não é bem assim quando se tratam das empresas estrangeiras no Brasil. Há um ano e meio atrás, a colunista Sonia Racy apontava que 22 empresas internacionais, como Samsung e Mitsubishi, haviam sido citadas nas delações acusadas de fazer parte do esquema na Petrobras. Mas nenhuma teve a suspensão de contratos ou impedimento de assinar novos.

Enquanto cercam por todos os lados a Odebrecht, deixam de mãos livres para seguir seus esquemas de corrupção todas as empresas imperialistas no Brasil. Será coincidência?

Os interesses das empresas nacionais agenciados por Moro e o judiciário

Como denunciamos já no ano passado, o foco da Lava Jato entre as estatais era a Petrobras. E não à toa: enquanto no lado do judiciário Moro fazia seu trabalho para atacar a empresa estatal, pelo lado dos golpistas (já no período pré-golpe e com muito maior intensidade depois) preparavam a venda "a preço de banana" do pré-sal e de outros patrimônios da Petrobras, como o campo de Carcará, e ainda outros leilões que estão a caminho.

O governo golpista trazia em Temer e Serra autênticos representantes de primeira linha dos interesses imperialistas.

Mas a entrega do petróleo não é tudo: a destruição da Odebrecht, como no caso da Petrobras, tem como interesse fundamental abrir caminho, no Brasil e em todos os países em que a empreiteira atua, para as empresas imperialistas. Moro, como já denunciamos, tem mil e um interesses ligados a essas empresas, como a Shell, na qual sua esposa é executiva.

Quem paga a conta desse jogo de interesses? O que fazer?

A quebra da Odebrecht e os bloqueios de novos contratos são pagos pelos trabalhadores que são demitidos. Odebrecht e seus executivos sairão com suas tornozeleiras para desfrutar a prisão em suas imensas mansões. Perderá alguns bilhões, mas continuará rico o suficiente para viver uma vida que nenhum trabalhador pode sonhar em ter. Enquanto os peões que foram explorados até a última gota de sangue, muitos morrendo nos acidentes de trabalho das obras dessa empreiteira sangue-suga, irão para o olho da rua.

Moro, Fachin e o judiciário, ao lado de Temer, Serra e os políticos golpistas, cumpriram seu papel de abrir uma avenida para as empresas estrangeiras fazerem seus negócios sujos e aumentarem cada vez mais seus lucros bilionários. Troca-se os exploradores brasileiros pelos imperialistas. Permanece a corrupção, os privilégios e os lucros em cima do suor dos trabalhadores. Cresce o desemprego e se reduzem salários e direitos.

Por tudo isso, os trabalhadores precisam saber: a saída para a corrupção, e muito menos para nossos interesses e demandas por emprego, salário decente e uma vida digna podem ser atendidas pelos juízes privilegiados da Lava Jato, que estão atuando apenas em interesse próprio e dos capitalistas que representam. Contra a corrupção da Odebrecht e de todas as empresas, temos que exigir o confisco de todos os bens de seus proprietários e executivos, e a nacionalização dessas empresas sob controle dos trabalhadores. Os trabalhadores são os únicos verdadeiros interessados em que empresas como a Odebrecht deixe de lucrar bilhões e fazer esquemas de corrupção, e possa passar a construir moradias populares a preços acessíveis, por exemplo.

Com essa perspectiva precisamos nos organizar como uma força política independente, nos locais de trabalho, em assembleias e comitês, construir uma imensa mobilização no dia 28 com a perspectiva de colocar de pé uma Assembleia Constituinte em que coloquemos abaixo os esquemas desses políticos, juízes e empresários, e lutemos por nossos direitos. Só com um governo dos trabalhadores poderemos por fim aos esquemas deles.




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