Juventude

OCUPA UFRGS

Ocupar a UFRGS contra Temer e erguer o movimento estudantil junto aos trabalhadores

Os estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul decidiram se alinhar à onda de ocupações secundaristas e universitárias Brasil afora. Parece que finalmente aquele grito seco preso na garganta ecoou pelo Vale com a recente ocupação dos estudantes de Letras. Pelo Brasil já são dezenas de ocupações em universidades e institutos federais, centenas de escolas ocupadas de norte a sul, todos contra a PEC do fim do mundo, a Medida Provisória do ensino médio e o conjunto dos ataques do governo golpista.

domingo 30 de outubro| Edição do dia

Foto: estudantes da UFMG aprovam ocupação.

Nós da Faísca e do Esquerda Diário convidamos os estudantes que acompanharam nossas posições contra o golpe e independente do PT para pensarmos e atuarmos em conjunto nessa luta, como expandir a ocupação para outros cursos da UFRGS e pensar a estratégia que pode levar o movimento à vitória. As eleições para DCE da UFRGS, que esse ano acontecem junto ao processo de luta, precisa ser também tomada em suas mãos pelos estudantes mobilizados, pois se faz urgente uma voz contra o golpe e independente do PT.

É possível vencer?

A depender do senado federal, os ataques se aprofundarão, inclusive com a aprovação da reforma da previdência e a reforma trabalhista (que já vem avançando paulatinamente pelo STF). O golpe foi dado para a implementação destes ataques, estamos enfrentando um inimigo que não vai ceder fácil. Para triunfar precisamos ter além de coragem, a consciência de como chegamos na situação atual e quem são os nossos aliados na luta contra os ataques do governo golpista.

Esses ataques são o desenvolvimento do golpe institucional perpetrado no país, com a união de setores que vão desde a direita mais reacionária até o poder judiciário, principalmente pela via da Lava-Jato e do STF, para descarregar a crise nas costas dos trabalhadores. Todo esse processo foi gestado durante anos pelo petismo e seu projeto de conciliação com a direita. Como já não tinha condições de governabilidade para levar à frente os ataques que a burguesia pedia, Dilma e o PT foram derrubados. E mesmo após o golpe consumado, continuou se aliando ao PMDB, PSDB e DEM durante as eleições municipais.

O petismo, agora na oposição, pode até apoiar e chegar a estimular mobilizações contra as medidas de Temer, mas não vai ter uma política que permita derrotar o governo golpista pela força da mobilização de massas. Sua estratégia visa desgastar o governo Temer com as mobilizações para possibilitar uma candidatura para 2018, que continuará governando para os empresários.

Para vencer, a juventude, que está na linha de frente da mobilização, precisa estender a ampliar sua luta, mas isso não basta. É preciso também ganhar o apoio da maioria da população e também que a classe trabalhadora entre na mobilização, coisa que os sindicatos, inclusive os da CUT e os da CTB, não querem fazer. Para tanto, devemos apontar à necessidade de se aliar aos trabalhadores presentes nos principais batalhões da classe operária industrial, rodoviários e demais categorias, exigindo das principais centrais sindicais o fim da trégua com o governo e que convoquem medidas de luta contra os ataques em curso.

Nossas propostas para o movimento

O Paraná mostrou o caminho, a Letras o trouxe à UFRGS e agora o caminho passa por ocupar o IFCH e estender as ocupações essa semana, para unificarmos junto aos servidores que entram em greve no dia 8.

Nesta segunda-feira ocorrerão assembleias espalhadas pelos campi, em especial no Vale onde se realizará a assembleia do IFCH. A melhor maneira de fortalecer a ocupação da letras neste momento é ocupando nosso prédio, unificando os cursos de humanas, e ampliando a mobilização para outros cursos. Uma greve estudantil e ocupações poderiam percorrer desde a Biologia até cursos como Geologia, Direito, Pedagogia e o movimento poderia chegar a influenciar até as engenharias… Todos seremos afetados pelos ataques de Temer.

Para construir essa mobilização é fundamental unificar e coordenar as iniciativas da ocupação da letras, com as novas ocupações que surjam e com os estudantes dos demais cursos. A criação de um organismo que coordene a luta na universidade, num comando com delegados eleitos em cada assembleia de curso é uma forma democrática de fazer isso mantendo o protagonismo das assembleias de cursos e de cada ocupação. Essa coordenação poderia se ampliar, incorporando representantes dos Institutos Federais ocupados e das escolas mobilizadas. Ao mesmo tempo, essa democracia de base permite impedir com que organizações como UJS, Juntos e PT repitam a traição do processo de luta secundarista no estado, quando negociaram pelas costas do movimento o fim das ocupações.

Esse tipo de coordenação, que tem um papel tão importante a nível local para fortalecer e expandir a mobilização, é uma questão de vida ou morte no plano nacional. Sem um comando nacional, com representantes das assembleias das universidades e escolas de todo o país, será muito mais difícil impedir que nossa luta seja funcional à linha petista de desgastar Temer tendo em vista as eleições de 2018. É preciso exigir que a UNE e a UBES se subordinem à essa coordenação e coloquem seus recursos para organizar assembleias em todo o país, e de pé uma coordenação nacional deste tipo. As entidades estudantis dirigidas pela esquerda poderia cumprir um grande papel organizando assembleias e dando os primeiros passos para constituir uma coordenação nacional. Organizar um dia nacional de luta unificado poderia ser um primeiro passo nesse sentido.

A juventude está dando o exemplo e tomando a frente da luta contra os ataques do governo Temer, mas como dissemos é preciso saber que nos enfrentamos com um governo golpista, que não cederá facilmente. Sem a unidade com a classe trabalhadora será impossível vencer os ataques dos golpistas. Nos inspirando no maio de 68 e nas recentes mobilizações na própria França contra a reforma trabalhista, acreditamos que os estudantes e a juventude, aos se dirigir aos trabalhadores, podem ser a faísca de grandes mobilizações operárias. Podemos e devemos ganhar a apoio da maioria da população para a luta contra e PEC 241 (agora PEC 55) e contra a reforma do ensino médio. Porém não podemos esquecer que hoje a verdadeira trégua que as direções sindicais estão dando para o governo Temer é um dos obstáculos para a mobilização da classe trabalhadora. Por isso é fundamental levantar a exigência da ruptura desta trégua e a organização de assembleias nos locais de trabalho para votar medidas de luta contra o governo Temer.

A eleição do DCE no meio de tudo isso

As eleições do DCE não podem se dar de forma paralela à mobilização e são uma oportunidade para nos organizarmos debatendo as medidas e o programa que permita levar o movimento à vitória. Queremos construir uma chapa que ajude a impulsionar as propostas que defendemos para o movimento e que possa ser uma alternativa de organização para os estudantes que querem lutar contra o golpe de forma independente do PT.

A atual gestão do DCE, cuja paralisia saltou aos olhos durante todo o ano, é fruto de uma aliança oportunista que de nada serve. A junção de setores da esquerda golpista (como Vamos à Luta, PSTU e Juntos que segue apoiando o Sergio Moro e a Lava-jato) com outros como o PCB e Alicerce cria uma soma cujo resultado é zero e a ação é o imobilismo. De nada vale ganhar da direita nas urnas do DCE se a direita não é combatida nas ruas e no dia a dia. O mesmo vale para o PT/Levante/UJS, cujo histórico de alianças com a direita pavimentou o caminho para o golpe. Ou a aliança com o PMDB de Temer, Cunha e Sartori não foi suficiente para chegarmos a essa conclusão? Nesse sentido precisamos de uma chapa que expresse os milhares de jovens e estudantes da UFRGS que saíram às ruas em Porto Alegre contra o golpe, mas que não se identificam em nada com o PT e PC do B da conciliação com a direita.

E lutamos contra a PEC 241, contra a reforma do ensino médio e contra o governo golpista de Temer, não por que achamos que antes estava bom, não lutamos por uma universidade nos mesmos moldes de antes. Lutamos por uma universidade distinta, sem a burocracia acadêmica e a reitoria que atua a serviço das fundações privadas e grandes empresas e mantêm a universidade elitista, racista e excludente como é hoje. Precisamos acabar com a terceirização dentro da UFRGS, defendendo a efetivação imediata de todos os trabalhadores terceirizados sem a necessidade de concurso público. É necessário botar abaixo toda a estrutura de poder da UFRGS para construir uma Universidade a serviço dos trabalhadores, aberta a todos e que se empenhe nas pesquisas e produções acadêmicas em benefício do público e não do privado.

Colocamos nossas forças a serviço dessa luta e chamamos todos os estudantes a tomarem em suas mãos esse momento histórico.




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