Educação

LUTA NA UNIPAMPA

Ocupações na UNIPAMPA chegam a 4 campi

O campus Jaguarão da UNIPAMPA, no extremo sul do país na divisa com o Uruguai, vem sendo ocupado pelos estudantes desde a semana passada contra os cortes na universidade e em defesa da educação pública. Segue abaixo a declaração do Bloco de Lutas pela Educação Pública.

quinta-feira 19 de maio de 2016| Edição do dia

O Bloco de Lutas pela Educação Pública – instrumento de mobilização e luta dos estudantes da UNIPAMPA, campus Jaguarão – se junta à luta das trabalhadoras e trabalhadores, dos estudantes secundaristas que ocupam suas escolas e às lutas nas estaduais e federais que enfrentam esse projeto privatista de cunho neoliberal, que pretende desmontar a Educação Pública. Mobilizamo-nos para combater o ajuste fiscal desse governo golpista, que continuará e aumentará essa política, do governo passado, de retirada e flexibilização de direitos, além do sucateamento da Educação Pública.

O corte de 4,2 bilhões da Educação do início desse ano somados aos cortes do ano passado já se somam 15 bilhões. Os cortes na Educação não são consequência da crise econômica, ou seja, falta de dinheiro. É uma questão de opção de governo: a política de superávit primário – economizar dinheiro da Educação e das áreas sociais para pagar juros e amortizações da Dívida Pública – nos mostra que tem dinheiro, o que não se tem é vontade política.

A Universidade Federal do Pampa foi implementada no contexto de expansão do acesso ao ensino superior, o REUNI. Essa política que prioriza a oferta de vagas, sem garantir a qualidade necessária e permanência. A precarização faz parte da nossa realidade. A UNIPAMPA é uma Universidade multicampi, somos dez campi fragmentados por toda a metade sul do Rio Grande do Sul. O que nos deixa distante da reitoria e dos outros campi e assim dificulta a mobilização. Porém, isso não nos impediu de nos organizarmos para combater a toda essa lógica perversa.

A UNIPAMPA está sendo inviabilizada. A reitoria se submeteu a esses cortes e aplica um contingenciamento de 44% do orçamento da Universidade e ainda assim o orçamento da Universidade acabará no final de novembro. Isso significa demissão em massa de 180 trabalhadoras e trabalhadores terceirizados. No nosso campus serão demitidos 11 de 29 trabalhadores. Os que perderem seus empregos dificilmente conseguirão outros trabalhos nas cidades em que os campi estão instalados, além dos que mantiverem seus empregos ficarão em situação de superexploração. Em Jaguarão, por exemplo, 5 das 10 trabalhadoras da limpeza “serão demitidas”, ou seja, 5 farão o trabalho de 10 no mesmo horário com o mesmo salário. Foi implantado uma política de produtividade de 750m² elas limparão 1500m². Estão rasgando a lei áurea. Não passarão! Diversas categorias de terceirizados encontram-se com salários e outros direitos atrasados e a eminência de serem demitidos sem receberem seus direitos.

A reitoria foi omissa perante os cortes e se posiciona de maneira evasiva em relação a responsabilidade da instituição na relação entre os trabalhadores terceirizados e as empresas. A Universidade é corresponsável e fiscal das relações de trabalho e responsável por viabilizar os cortes ao não se posicionar perante o governo, MEC e ANDIFES. Hoje, quarta-feira, dia 18/05/2016 o reitor publicou uma nota pública repudiando os cortes do governo federal. Uma vitória do movimento estudantil e dos companheiros docentes e técnicos administrativos que também estão em luta. Porém, não basta uma nota pública. É necessária uma postura pública de denuncia nos meios de comunicação e divulgação para a comunidade acadêmica.

Agradecemos o vídeo de apoio do C.A da Letras da USP, do Faísca – Juventude Anticapitalista que fez um vídeo nos apoiando e o Esquerda Diário por fortalecer a nossa luta. Curtam nossa página no facebook – “Bloco de Lutas pela Educação Pública” – e acompanhem nossas atividades. Pedimos o apoio das e dos estudantes que estão na mesma batalha.

Resistiremos! Ocupamos o campus Jaguarão desde o dia 12/05/2016. É o oitavo dia de muita luta e ternura. Já se somaram conosco, nessa quarta-feira, 18/05/2016, outros três campi da Universidade Federal do Pampa que estão ocupados pelos estudantes – Caçapava, São Borja e São Gabriel. Estamos só começando.

Nós estudantes, do Bloco de Lutas pela Educação Pública, chamamos todas e todos lutadores sociais para se juntar a nós nessa luta que é muito maior do que as pautas da UNIPAMPA. É um questionamento desse modelo opressor e excludente de sociedade que vivemos. Apoiamos a luta das professoras e professores da rede estadual de Jaguarão, e todo Rio Grande do Sul, que deflagraram greve. Todo o apoio aos secundaristas, de Jaguarão, que estão nos apoiando e dialogando conosco e se organizando para lutar. Chamamos aos estudantes das Universidades Federais e Estaduais a ocuparem seus campi e reitorias para travarmos uma grande luta contra esse projeto de desmonte e privatização da Educação Pública! Não nos prostraremos a precarização! À luta, companheiros!

BLOCO DE LUTAS PELA EDUCAÇÃO PÚBLICA




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