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Ocupação Lanceiros Negros resiste à mandado de reintegração de posse do governador Sartori

Na noite de ontem (23/05), por volta das 18:00hs, foi desferida pela justiça, a mando do governador Sartori, uma liminar de reintegração de posse contra a ocupação Lanceiros Negros, no centro de Porto Alegre. Por volta das 21:30hs, segundo o relato de moradores e apoiadores da ocupação, as ruas de acesso ao prédio ocupado foram cercadas pela PM impedindo o acesso ao prédio e revistando moradores dos prédios vizinhos da ocupação.

terça-feira 24 de maio de 2016| Edição do dia

Foto: Lanceiros Negros

Desde o momento que ficaram sabendo da liminar, moradores da ocupação e o MLB convocavam todos para apoiar e resistir durante a noite. Cerca de 100 pessoas ficaram madrugada a dentro em vigília. Às 06:40hs de hoje (24/05) foi anunciado com muito entusiasmo a derrubada da liminar pelos advogados que apoiam a ocupação. Aos gritos de "ocupar e resistir", "recua polícia recua, é o poder popular que tá na rua", "mamãe mandou eu estudar pra não virar policia milirar", e muitos outros, podia-se sentir o clima de total apoio aos moradores da ocupação. Cerca de 80 famílias hoje moram no prédio, abandonado a cerca de 10 anos pelo estado.

Às 07:25hs começou a retirada dos policiais. A galera que tava apoiando na parte de baixo da rua da ladeira, que acessa a ocupação, começou a subir entoando a vitória, cantando: "Aqui tem um bando de loco, loco por moradia, quem acha que isso é pouco, nunca teve uma noite fria" e "aqui está o povo sem medo, sem medo de lutar".

A heróica resistência da Lanceiros Negros deve servir de exemplo de resistência para todas as lutas em curso. No mesmo momento em que centenas de escolas estão ocupadas em vários estados, universidades como Unipampa, reitoria da Unicamp e vários cursos da USP, existe um governo golpista que desde o primeiro dia empossado já declara guerra aos que lutam. É necessário erguer um movimento em todo país, nas greves, piquetes e ocupações, que dê o combate de forma radical, diferente da forma adaptada que a CUT vem fazendo. Por uma nova constuinte, erguida pelos trabalhadores e pela juventude em luta, que proíba as demissões e garanta de fato o direito mais básico que é a moradia.




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