Política

OAB recomenda afastamento de Moro e Dallagnol, enquanto corporações de procuradores saem em sua defesa

Nesta segunda-feira (10), diversas entidades de categorias envolvidas no Judiciário se manifestaram a respeito do escândalo do vazamento de conversas entre o ministro Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol.

terça-feira 11 de junho| Edição do dia

Diante do escandaloso conteúdo vazado pela reportagem do The Intercept Brasil, que comprovam a conspiração entre o ex-juiz e atual ministro Sergio Moro juntamente com o promotor Deltan Dallagnol, com o objetivo explícito de concretizar a condenação de Lula, diversas entidades corporativas ligadas ao judiciário se manifestaram.

O Conselho Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) recomendou por unanimidade o afastamento de Moro e dos procuradores de seus respectivos cargos até o esclarecimento do caso.

Não se pode desconsiderar, contudo, a gravidade dos fatos, o que demanda investigação plena, imparcial e isenta, na medida em que estes envolvem membros do Ministério Público Federal, ex-membro do Poder Judiciário e a possível relação de promiscuidade na condução de ações penais no âmbito da operação lava-jato. Este quadro recomenda que os envolvidos peçam afastamento dos cargos públicos que ocupam, especialmente para que as investigações corram sem qualquer suspeita.

Da mesma forma, o corregedor do Conselho Nacional do Ministério Público, Orlando Rochadel, decidiu nesta segunda-feira (10) apurar se o procurador da República no Paraná Deltan Dallagnol e outros integrantes do Ministério Público que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato cometeram "falta funcional" em razão de troca de mensagens divulgadas pelo site "Intercept".

Entretanto, numa demonstração do extremo corporativismo do poder judiciário, demais entidades como: como Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República), MPFPR (Ministério Público Federal do Paraná) saíram em defesa de seus procuradores, colocando em primeiro lugar a denúncia contra o ataque hacker que invandiu os celulares dos promotores.

"A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) reitera a confiança no trabalho desenvolvido pelos membros do Ministério Público Federal que atuam na Operação Lava Jato, defende a importância da liberdade de imprensa e condena a obtenção ilícita de dados, bem como a sua transmissão a terceiros".

A conspiração exposta dentro da Operação Lava Jato mostra o funcionamento seletivo do Judiciário que desde o golpe tomou para si a condução da política nacional. A defesa da flagrante relação promíscua entre acusador e julgador por parte dessas instituições corporativistas, mostra como elas não estão dispostas a retroceder em seu projeto autoritário, mesmo diante da exposição de seus abusos. Os trabalhadores não podem ter crenças na justiça burguesa que legitima a agenda neoliberal de ataques.




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