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REFUGIADOS

O triste recorde de mortes no mediterrâneo

A Agência das Nações Unidas para Refugiados informou que 2016 poderia ser o ano com maior número de mortes de refugiados que cruzam o mediterrâneo.

quarta-feira 21 de setembro de 2016| Edição do dia

A Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) advertiu nesta terça-feira que 2016 poderia ser o ano com maior número de mortes de refugiados e imigrantes que cruzam o mediterrâneo para chegar à Itália e Grécia.

O dado é trágico porque a quantidade de mortos aumentou ainda que o número de pessoas que cruzaram o Mediterrâneo se reduziu em 40% em relação ao ano passado. Mais de 300.000 imigrantes e refugiados chegaram pelo mar , segundo a ACNUR, e nas costas de Itália e Grécia até agora em 2016 enquanto no ano passado, no mesmo período haviam chegado 520.000.

Sem embargo, cerca de 3.201 pessoas foram deportadas, mortas ou desaparecidas enquanto tentavam cruzar o Mediterrâneo desde o início de 2016, apenas 15% menos do total de mortos em todo o ano de 2015.

“Com esta taxa, 2016 vai ser o ano com mais mortes de que se tem registro no Mar Mediterrâneo”, disse a agência em um comunicado.

As chegadas à Grécia têm caído bruscamente desde que a União Européia firmou um acordo com a Turquia, sob qual Ankara evita que as pessoas embarquem para a Europa desde suas costas marítimas. O acordo, por um total de 6.000 milhões de Euros estipula que a Turquia funcione como um “tampão” evitando o ingresso de refugiados na União Européia e deixando milhares de pessoas arrebanhados em campos de refugiados em seu país, além de receber aos que são deportados de outros países como a Grécia.

Esta política foi colocada em prática em março deste ano, e coincidiu com o fechamento das fronteiras de vários países que constituíam a “rota balcânica”, que era considerada a opção menos perigosa para se chegar por terra à Europa. Com este caminho fechado os refugiados e imigrantes se lançaram à ultima opção que lhes restava para conseguir chegar às costas européias: cruzar o Mediterrâneo. Este é o caminho mais perigoso segundo a ACNUR e Médicos Sem Fronteiras, já que não só devem enfrentar a redes de tráfico, atravessar zonas de conflito e se expor a qualquer tipo de abuso, senão , quando chegam às costas do norte da África, e a maioria o faz pela Líbia, têm que lidar com as máfias que administram as embarcações. Em muitos casos pagando valores exorbitantes para conseguir lugares em barcos precários que terminam se convertendo em um verdadeiro passaporte para a morte.

A Europa registrou a entrada de cerca de 1,3 milhões de imigrantes e refugiados em 2015, muitos fugindo da pobreza e da guerra no oriente médio e na África. A chegada dos imigrantes tem gerado fortes conflitos dentro da união Européia no que tange a forma de lidar com situação.

A política de perseguição e aumento da segurança por parte de vários governos europeus alimenta o clima xenófobo e racista contra os refugiados e é o que vem permitindo a emergência de forças políticas de extrema direita que leva adiante ações contra os imigrantes e apresenta como solução a expulsão dos imigrantes de seus países.

A ACNUR informou que cerca de 60.000 pessoas ficaram encalhadas nas ilhas gregas enquanto que quase 160.000 estavam albergadas em centros de recepção na Itália.

Tradução: Zuca Falcão.




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